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Livro 7 Flávio Josefo

Capítulo 35 Flávio Josefo

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,
"TODOS OS QUE DEFENDIAM MASSADA, PERSUADIDOS PELAS PALAVRAS DE
ELEAZAR, MATAM-SE COMO ELE, COM SUAS MULHERES E FILHOS, E O QUE
FICOU POR ÚLTIMO, ANTES DE SE MATAR, PÔS FOGO NA FORTALEZA.",
"539. Eleazar queria continuar a falar, mas suas palavras causaram tal
impressão nos espíritos, que todos o interromperam para lhe dizer que queriam
começar logo a executar a sua proposta. Estavam tão furiosos que só pensavam
em se antecipar uns aos outros. A morte de suas esposas, de seus filhos e a sua
própria parecia-lhes coisa não somente a mais generosa do mundo, porém a
mais desejável e seu único temor era que algum deles viesse a sobreviver. Tão
violento entusiasmo não esmoreceu, mas continuou com o mesmo ardor até o
fim, porque estavam persuadidos de que era a maior demonstração de afeto que
podiam dar às pessoas que mais eles amavam. Abraçaram as esposas e filhos,
disseram-lhes, banhados de lágrimas, o último adeus, beijaram-nos pela última
vez e como se tivessem então tomado mãos estranhas, executaram aquela
funesta resolução, fazendo-lhes ver a necessidade que os obrigava a arrancar
assim o coração do próprio peito, tirando-lhes a vida, para livrá-los dos ultrajes
que os mesmos inimigos os teriam feito sofrer. Não houve um só que se sentisse
fraco, num momento tão trágico; todos mataram as esposas e filhos, certos de
que o estado a que estavam reduzidos, a isso os obrigava; consideravam ainda
essa horrível matança como o menor dos males que deveriam temer. Mas
apenas o haviam terminado, a dor de se terem visto obrigados a fazê-lo foi
enorme. Julgaram não poder, sem faltar ao respeito a pessoas tão queridas,
sobreviver-lhes, por um momento sequer; por isso reuniram tudo o que
possuíam de bens e o queimaram; tiraram depois a sorte, e escolheram dez
entre eles, que tiveram a incumbência de os matar, juntaram-se então, aos
cadáveres de suas esposas e filhos e abraçan-do-os foram mortos, uns pelos
outros, primeiro por aqueles que tiveram a espantosa missão de eliminá-los.
Assim morreram, sem demonstrar o menor horror; tiraram ainda uma vez a
sorte, para ver quem mataria os outros nove, que se portaram com a mesma
firmeza dos precedentes. O que ficou por último, depois de ter observado e
examinado os mortos, se ainda alguém tinha necessidade de seu auxílio, para
se libertar do que lhe restava de vida, constatou que todos tinham morrido,
incendiou o palácio e aproximando-se dos corpos de seus parentes terminou
com um golpe de espada que deu em si mesmo esta sangrenta tragédia. Assim
pereceram, certos de que nenhum deles cairia sob o poder dos romanos. Mas
uma velha e uma prima de Eleazar, que era muito sábia e muito hábil, havia se
escondido com cinco crianças nos aquedutos; o número dos mortos entre
homens, mulheres e crianças foi de novecentos e sessenta. Esse fato aconteceu
a quinze de abril.
No dia seguinte, ao despontar do dia, os romanos fizeram pontes com
escadas para dar o assalto; ninguém apareceu. Ouvia-se unicamente o crepitar
do fogo, devorando o castelo; eles não podiam imaginar a causa do silêncio.
Fizeram trabalhar o aríete e soltaram grandes gritos para ver se alguém
responderia. Aquelas duas mulheres saíram dos aquedutos e lhes contaram o
que se havia passado. Custou-lhes muito acreditar, tanto esse ato, tão heróico,
lhes parecia inacreditável; trabalharam depois para apagar o fogo e chegaram
até o palácio. Vendo então aquela grande quantidade de cadáveres, em vez de
se rejubilarem, considerando-os como inimigos, não se cansavam de admirar,
como por um tão grande desprezo da morte, tantas pessoas tinham tomado e
executado tão estranha resolução.",