Livro 7 Flávio Josefo
Capítulo 10 Flávio Josefo
,
"VESPASIANO CHEGA A ROMA. ALEGRIA EXTRAORDINÁRIA DO SENADO, DO POVO E DOS
SOLDADOS. COMO ELES A MANIFESTAM.",
"511. Tito estava muito apreensivo a respeito do resultado da viagem do
imperador, seu pai, quando soube, com enorme satisfação, por cartas dele
mesmo, que todas as cidades da Itália e Roma, particularmente, o haviam rece-
bido com grandes demonstrações de júbilo e alegria; na verdade, ele não tinha
motivos para se admirar, porque o afeto que lhe dedicavam era tão grande e tão
geral, que todos estavam impacientes por vê-lo. O Senado, que ainda se
lembrava dos males sucedidos na mudança de imperadores, julgava-se bem
feliz de ter por soberano um grande general cujos cabelos brancos e cuja glória,
por tantos triunfos, tornavam venerável a todo o mundo e que possuía tanta
virtude que não se podia duvidar de que haveria de empregar todos os seus
esforços, para a felicidade de seus súditos. O povo considerava-o como um
libertador, que não somente impediria a opressão, mas restituir-lhe-ia sua
antiga tranqüilidade e abundância. Os soldados, mais que todos os outros,
ardiam de desejo de vê-lo sobre o trono, porque, sendo testemunhas das bata-
lhas que ele tinha gloriosamente vencido e da ignorância e covardia dos outros
imperadores, que lhes haviam custado tão caro, julgavam-se felizes, por não
temer mais sob seu governo, a vergonha que eles lhes tinham feito sofrer e
achavam que ele somente seria capaz, ao mesmo tempo, de governá-los e de
fazê-los conquistar muitas honras.
Com esse afeto tão geral, que as admiráveis qualidades do soberano lhe
haviam granjeado, as pessoas mais ilustres, não podendo suportar a demora de
vê-lo, foram, bem longe, ao seu encontro, seguidas por um grande número de
pessoas levadas pelo mesmo desejo, que jamais compareceram à sua presença,
nem mesmo quando ele já vivia em Roma. Quando se soube que ele se aproxi-
mava e com que bondade recebia todos os que haviam ficado, encheram as
ruas, à sua passagem, com suas mulheres e filhos, atraídos pela afabilidade
que lhe transparecia no semblante, no transporte de sua alegria, chamavam-no
de benfeitor, libertador, o único digno do trono do império. Caminhava-se sobre
flores; impregnadas de tantos perfumes, as ruas pareciam um Templo e a
multidão era tão compacta que aquele feliz imperador, que todos consideravam
como o pai da pátria, com dificuldade pôde chegar ao palácio. Ofereceu então
sacrifícios aos deuses domésticos, para lhes dar graças de sua feliz ascensão ao
poder, e em todas as famílias na cidade houve banquetes, em que se
misturavam os amigos, os vizinhos, e geralmente todas as classes de pessoas
que no seu regozijo pediam ardentemente a Deus que conservasse para o
império, por longos anos, um tão excelente príncipe, que fizesse reinar seus
filhos, depois dele, com a mesma felicidade e conservasse o cetro nas mãos de
toda sua posteridade. Tal a entrada de Vespasiano em Roma, e não se pode
imaginar a prosperidade que se lhe seguiu.",