Livro 5 – Capítulo XXIII História Eclesiástica

Da questão então movida sobre a Páscoa

IIIIIIIVVVIVIIVIIIIXXXIXIIXIIIXIVXVXVIXVIIXVIIIXIXXXXXIXXIIXXIIIXXIVXXVXXVIXXVIIXXVIII
← Anterior Próximo →

1. Por este tempo levantou-se uma questão bastante grave, por certo, porque as igrejas de toda a

Ásia, apoiando-se em uma tradição muito antiga, pensavam que era preciso guardar o décimo

quarto dia da lua para a festa da Páscoa do Salvador, dia em que os judeus deviam sacrificar o

cordeiro e no qual era necessário a todo custo, caindo no dia que fosse na semana, pôr fim aos

jejuns, sendo que as igrejas de todo o resto do mundo não tinham por costume realizá-lo deste

modo, mas por tradição apostólica, guardavam o costume que prevaleceu até hoje: que não é

correto terminar os jejuns em outro dia que não o da ressurreição de nosso Salvador.

2. Para tratar deste ponto houve sínodos e reuniões de bispos, e todos unânimes, por meio de cartas,

formularam para os fiéis de todas as partes um decreto eclesiástico: que nunca se celebre o

mistério da ressurreição do Senhor de entre os mortos em outro dia que não no domingo, e que

somente nesse dia guardemos o fim dos jejuns pascais.

3. Ainda se conserva até hoje um escrito dos que se reuniram naquela ocasião na Palestina;

presidiram-nos Teófilo, bispo da igreja de Cesaréia, e Narciso, da de Jerusalém. Também sobre o

mesmo assunto conserva-se outro escrito dos reunidos em Roma, que mostra Victor como bispo; e

também outro dos bispos do Ponto presididos por Palmas, que era o mais antigo, e outro das

igrejas da Gálía, das quais era bispo Irineu.

4. Assim como também das de Osroene e demais cidades da região, e em particular de Baquilo,

bispo da igreja de Corinto, e de muitos outros, todos os quais, emitindo um único e idêntico juízo,

estabelecem a mesma decisão. Estes pois, tinham como regra única de conduta a já exposta.

← Voltar ao índice