1. Naquele tempo a escola dos fiéis dali era dirigida por um varão celebérrimo por sua instrução, cujo
nome era Panteno. Existia entre eles, por costume antigo, uma escola das sagradas letras. Esta
escola continua prolongando-se até nós e, pelo que ficamos sabendo, é formada por homens
eloqüentes e estudiosos das coisas divinas. Mas uma tradição afirma que entre os daquela época
brilhava sobremaneira o mencionado Panteno. E procedia da escola filosófica dos chamados
estóicos!
2. Conta-se pois, que demonstrou um zelo tão grande pela doutrina divina com sua ardente disposição
de ânimo, que inclusive foi proclamado arauto do Evangelho de Cristo para os pagãos do Oriente e
enviado até as terras Índias353. Porque havia, sim, havia até aquele tempo ainda numerosos
evangelistas da doutrina, cuja preocupação era colocar à disposição seu inspirado zelo de
imitação dos apóstolos para crescimento e edificação da doutrina divina.
3. Destes foi também Panteno, e diz-se que foi à Índia, onde é tradição que descobriu que o
Evangelho de Mateus havia-se adiantado à sua chegada entre alguns habitantes do país que
conheciam Cristo: Bartolomeu, um dos apóstolos, teria pregado para eles e havia-lhes deixado o
352 Os Setenta traduzem "partenas" (virgem), enquanto os outros traduzem "neanis" (jovem).
353 Não se sabe exatamente de que terras se trata, se da própria Índia ou do sudeste da Arábia.
escrito de Mateus nos próprios caracteres hebreus, escritos que conservavam até o tempo
mencionado.
4. Certo é, ao menos, que Panteno, por seus muitos merecimentos, terminou dirigindo a escola de
Alexandria, comentando de viva voz e por escrito os tesouros dos dogmas divinos.