Livro 5 – Capítulo XIII História Eclesiástica

De Ródon e as dissensões que menciona dos marcionitas

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1. Também por este tempo, Ródon357, oriundo da Ásia e discípulo em Roma, como ele mesmo conta,

de Taciano, a quem já conhecemos por relato anterior358, compôs diversos livros e alinhou-se

também com os outros contra a heresia de Márcion. Conta que em seu tempo esta encontrava-se

dividida em diversas correntes, descreve os causadores da ruptura e refuta com rigor as falsas

doutrinas imaginadas por cada um deles.

2. Ouve pois, o que escreve:

"Por isso discordam também entre si, porque reivindicam doutrinas inconsistentes. Efetivamente,

de seu rebanho é Apeles, venerado por sua conduta e por sua idade, que confessa sim um único

354 Tempos de Cômodo, ainda que se possa entender que sejam os de Panteno.

355 Não se conseguiu identificar estes mestres, exceto o último, que pode ser Panteno.

356 Vide IV:V1:4.

357 Sobre este só se sabe o que aqui diz Eusébio.

358 Vide IV:XVI:7; IV:XXIX.

princípio, mas diz que os profetas procedem do espírito contrário, e obedece aos preceitos de uma

virgem possuída pelo demônio chamada Filomena.

3. Outros ainda, assim como o próprio piloto (Márcion), introduziram dois princípios. De suas

fileiras vêm Potito e Basílico.

4. Também estes seguiram o lobo do Ponto, e não encontrando, como ele também não encontrou, a

divisão das coisas, deram meia volta para o lado fácil e proclamaram dois princípios,

arbitrariamente e sem demonstração. E outros, partindo por sua vez destes, chegaram ao pior e

já supõe não apenas duas, mas três naturezas; seu chefe e patrão é Sineros, segundo dizem os que

estão a cargo de sua escola."

5. Escreve também o mesmo autor que inclusive chegou a ocupar-se de Apeles; diz assim:

"Porque o velho Apeles, quando tratou conosco convenceu-se de que estava dizendo muitas coisas

equivocadamente, e a partir de então costumava repetir que não convinha examinar absolutamente

as razões, mas que cada um ficasse com sua própria crença; declarava mesmo que se salvavam

os que tinham posta sua esperança no Crucificado, contanto que apresentem boas obras. Mas,

como já dissemos, declarava que para ele, de todos, o assunto mais obscuro era o que se refere a

Deus. E dizia, assim como nossa doutrina, que há somente um princípio."

6. Logo, depois de expor toda a opinião deste, segue dizendo:

"Como eu lhe perguntasse: De onde tiras esta prova ou como podes tu dizer que há um princípio?

Explica-nos. Respondeu que as profecias se refutavam a si mesmas porque nada disseram de

inteiramente verdadeiro, já que discrepam, são enganosas e contradizem umas às outras. Quanto

a como há um só princípio, dizia que o ignorava, que assim, apenas isto, sentia-se movido.

7. Então eu o conjurei a que dissesse a verdade, e ele jurou que estava dizendo a verdade: que não

sabia como existe um só Deus incriado, mas que ele o cria. Eu então pus-me a rir e acusei-o de

dizer que é mestre e ainda assim não dominar o que ensina."

8. O mesmo autor, dirigindo-se a Calistion na mesma obra, confessa que ele mesmo foi discípulo

de Taciano em Roma e diz também que Taciano preparou um livro de Problemas; como Taciano

prometera mostrar através deles o obscuro e oculto das divinas Escrituras, o próprio Ródon

anuncia por sua vez que vai expor num livro especial as soluções dos problemas daquele.

Conserva-se também dele um Comentário sobre o Hexameron.

9. Apeles, no entanto, proferiu impiamente inúmeros ultrajes contra a lei de Moisés, blasfemando

contra as divinas palavras com seus numerosos escritos e pondo grande empenho, pelo menos

em aparência, em refutá-las e destruí-las.

Isto é, pois, o que há sobre eles.

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