Livro 5 – Capítulo XX História Eclesiástica

O que Irineu discute por escrito com os cismáticos de Roma

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1. Contrariamente aos que em Roma falsificavam o são estatuto da Igreja, Irineu compôs várias

cartas: uma que intitulou A Blasto, sobre o cisma; outra, A Florino, sobre a monarquia ou que

Deus não é o autor dos males, já que, ao que parece, Florino defendia esta opinião, e como também

estivesse seduzido pelo erro de Valentim, Irineu compôs outro trabalho, Sobre a Ogdoada, na

qual dá a entender que ele mesmo recebeu a primeira sucessão dos apóstolos.

2. Perto do final da obra encontramos uma grata indicação sua que necessariamente temos que

registrar no presente escrito, e que diz desta maneira: "Conjuro-te que copies este livro, por

nosso Senhor Jesus Cristo e por sua vinda gloriosa, quando vier julgar os vivos e os mortos, que

compares o que transcreves e o corrijas cuidadosamente conforme este exemplar de onde o

copiaste. E copiarás igualmente este conjuro e o porás na cópia."

3. Advertência útil para quem a fez e para nós, que a referimos, para que tenhamos aqueles antigos

e realmente sagrados varões como o melhor exemplo de solicitude diligentíssima.

4. Na Carta a Florino de que falamos acima, Irineu novamente menciona sua convivência familiar

com Policarpo, dizendo:

"Estas opiniões, Florino, falando com moderação, não são próprias de um pensamento são. Estas

opiniões destoam das da Igreja e lançam na maior impiedade aos que as obedecem; estas

opiniões nem sequer os hereges que estão fora da Igreja atreveram-se alguma vez a proclamar;

estas opiniões não te foram transmitidas pelos presbíteros que nos precederam, os que juntos

freqüentaram a companhia dos apóstolos.

5. Porque sendo eu ainda criança, te vi na casa de Policarpo na Ásia inferior382, quando tinhas uma

brilhante atuação no palácio imperial383 e te esforçavas para ter crédito perante ele. E recordo-me

mais dos fatos de então do que dos recentes.

6. (o que se aprende em criança vai crescendo com a alma e vai se tornando um com ela), tanto que

posso inclusive dizer o local em que o bem-aventurado Policarpo dialogava sentado, assim como

suas saídas e entradas, seu modo de vida e o aspecto de seu corpo, os discursos que fazia ao

povo, como descrevia suas relações com João e com os demais que haviam visto o Senhor e

como recordava as palavras de uns e de outros; e o que tinha ouvido deles sobre o Senhor, seus

milagres e seu ensinamento; e como Policarpo, depois de tê-lo recebido destas testemunhas

oculares da vida do Verbo, relata tudo em consonância com as Escrituras.

7. E estas coisas, pela misericórdia que Deus teve para comigo, também eu escutava então

diligentemente e as anotava, mas não em papel, mas em meu coração, e pela graça de Deus, sempre

as estou ruminando fielmente e posso testemunhar diante de Deus que, se aquele bem-aventurado

e apostólico presbítero tivesse escutado algo semelhante, teria lançado um grito, teria tampado

os ouvidos e, dizendo como era seu costume: "Deus bondoso! Até que tempos me conservaste,

para ter que suportar estas coisas!", teria até fugido do local em que estava sentado ou de pé

quando escutou tais palavras.

8. Isto pode-se também comprovar claramente pelas cartas que escreveu, seja às igrejas vizinhas,

confortando-as, seja a alguns irmãos admoestando-os e exortando-os"

isto diz Irineu.

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