Livro 6 Flávio Josefo
Capítulo 45 Flávio Josefo
,
"NÚMERO DE JUDEUS PRISIONEIROS DURANTE ESSA GUERRA E DOS QUE MORRERAM
DURANTE O CERCO DE JERUSALÉM.",
"498. Foram feitos prisioneiros durante esta guerra noventa e sete mil
homens e o assédio de Jerusalém custou a vida a um milhão e cem mil
homens, dos quais a maior parte, embora judeus de nascimento, não eram
nascidos na judéia, mas lá se encontravam de todas as províncias para festejar
a Páscoa e haviam ficado presos na cidade por causa da guerra. Como não
havia lugar para acomodá-los a todos, sobreveio a peste e logo em seguida a
carestia. Pode-se julgar que era difícil que aquela cidade, sendo tão grande,
estivesse de tal modo povoada, que não havia lugar para tanta gente,
principalmente esses judeus vindos de fora, mas não há melhor prova para
isso, do que o recenseamento feito no tempo de Céstio. Pois esse governador,
querendo dar a conhecer a Nero, que tinha tanto desprezo pelos judeus, a força
de Jerusalém, rogou aos sacerdotes que contassem o povo. Eles escolheram
para isso o tempo da festa da Páscoa no qual desde as nove horas até às onze,
sem cessar, imolaram-se vítimas, cuja carne era consumida pelas famílias, que
não tinham menos de dez pessoas, algumas até vinte. Concluiu-se que haviam
sido imolados duzentos e cinqüenta e cinco mil e seiscentos animais, de onde,
contando-se apenas dez pessoas para cada animal, teríamos dois milhões,
quinhentos e cinqüenta e seis mil pessoas, purificadas e santificadas. Não eram
admitidos a oferecer sacrifícios nem os leprosos, nem os que sofriam de
gonorréia, nem as mulheres que estavam no tempo do incômodo que lhes é
ordinário, nem os estrangeiros que, não sendo judeus de raça, não deixavam de
sê-lo, por devoção a essa solenidade. Assim, aquela grande multidão que se
tinha dirigido a Jerusalém, de tantos e tão diversos lugares, antes do cerco, lá
se encontrou encerrada como numa prisão, quando a guerra começou.",