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Livro 6 Flávio Josefo

Capítulo 10 Flávio Josefo

1234567891011121314151617181920212223242526272829303132333435363738394041424344454647
,
"TITO NÃO PODENDO SE DECIDIR A INCENDIAR O TEMPLO, DE QUE JOÃO E
OS DO SEU PARTIDO SE SERVIAM COMO DE UMA FORTALEZA E LÁ COMETIAM MIL
SACRILÉGIOS, FALA-LHES PARA EXORTÁ-LOS A NÃO OBRIGÁ-LO A ISSO, MAS INUTILMENTE.",
"445. Tito veio a saber disso que acabo de relatar e mandou regressar de
Gofna aqueles judeus que para lá havia mandado e os fez dar volta à cidade
com Josefo, para que o povo pudesse vê-los. Assim, sabendo que tinham sido
enganados, muitos outros conseguiram fugir para ele, e todos juntos pediram
aos revoltosos com suspiros e lágrimas que salvassem sua pátria, recebendo os
romanos na cidade ou pelo menos que saíssem do Templo, para impedir que
eles o incendiassem, o que eles fariam obrigados pela força. Mas aqueles
celerados, mais furiosos que nunca, só lhes responderam com injúrias e
puseram nas portas sagradas do Templo todas as máquinas de que se serviam
para atirar dardos e pedras. Assim tomar-se-ia aquele lugar santo por uma
fortaleza que não por um Templo e a praça que estava diante dele podia passar
por um cemitério, tantos eram os mortos que ali jaziam. Eles não somente
entravam com armas naquele lugar sagrado, que lhes deveria ser inacessível,
mas entravam mesmo quando tinham as mãos manchadas de sangue de seus
concidadãos e chegaram a tal excesso de furor e de impiedade que os romanos
não sentiam menos horror em vê-los cometer tais sacrilégios, contra o que sua
religião os obrigava a respeitar ainda mais, tanto que eles deveriam sentir o
coração partido de dor, se os romanos tivessem agido do mesmo modo, pois não
havia um só no exército de Tito que não contemplasse o Templo com respeito,
que não adorasse o Deus ao qual ele era consagrado e que não desejasse que
aqueles malvados que o profanavam de tão horrível maneira, se arrependessem
antes que a ruína, de que estava ameaçado, fosse irremediável. Tito ficou
possuído de tão viva dor que, dirigindo ele mesmo sua palavra a João e aos
seus companheiros, disse-lhes: ímpios que sois, não foram os vossos
antepassados que rodearam esse lugar sagrado de balaustradas, a fim de
impedir que dele nos aproximássemos? Não foram eles que mandaram gravar
em colunas, em caracteres gregos e romanos, proibições de passar além desse
limite? Não vos permiti eu que fizésseis morrer aqueles que tinham a ousadia
de violar essas ordens, mesmo que fossem romanos? Que raiva vos leva pois a
profanar esse Templo, não somente com o sangue dos estrangeiros, mas dos de
vossa mesma nação e a vos vangloriardes de calcar aos pés os corpos daqueles
que massacrais? Tomo aos deuses como testemunhas, aos deuses aos quais
adoro e aquele que ou-trora conTemplou este Templo com vistas favoráveis,
digo outrora, pois não creio que haja atualmente uma só divindade que dele
não afaste os olhos. Tomo como testemunha todo meu exército, todos os judeus
que se refugiaram junto de mim e tomo-vos a vós mesmos como testemunhas,
de que não tenho parte alguma nessa profanação, e que se quereis sair desse
lugar sagrado, nenhum romano se há de aproximar do santuário nem cometerá
a menor insolência, mesmo contra vossa vontade, eu conservarei esse célebre
Templo.",