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Livro 6 Flávio Josefo

Capítulo 26 Flávio Josefo

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,
"OS REVOLTOSOS DÃO UM OUTRO ATAQUE. OS ROMANOS REPELEM-NOS ATÉ O
TEMPLO, AO QUAL UM SOLDADO PÕE FOGO. TITO FAZ TODO O POSSÍVEL PARA
EXTINGUI-LO, MAS INUTILMENTE. HORRÍVEL CARNIFICINA. TITO ENTRA NO
SANTUÁRIO E ADMIRA-LHE A MAGNIFICÊNCIA.",
"465. Quando Tito se retirou para a torre Antônia, resolveu atacar no dia
seguinte pela manhã, dez de agosto, o Templo, com todo seu exército; e assim
estava-se na véspera desse dia fatal, em que Deus tinha, há tanto tempo,
condenado aquele lugar santo a ser incendiado e destruído depois de uma longa
série de anos, como ele tinha outrora, no mesmo dia, sido destruído por
Nabucodonosor, rei de Babilônia. Mas não foram estrangeiros, foram os
mesmos judeus a causa única de tão funesto incêndio.
Entretanto, os revoltosos não descansaram; deram outro ataque contra os
romanos e travaram uma luta com os que apagavam o fogo por ordem de Tito.
Os romanos puseram-nos em fuga e os perseguiram até o Templo.
466. Um soldado, então, sem para isso ter recebido ordem alguma, e sem
temer cometer um horrível sacrilégio, mas, como levado por inspiração divina,
fez-se levantar por um companheiro e atirou pela janela de ouro um pedaço de
madeira aceso no lugar pelo qual se ia aos edifícios, ao redor do Templo do lado
do norte. O fogo ateou-se imediatamente; em tão grande desgraça, os judeus
lançavam gritos espantosos. Corriam procurando apagá-lo e nada mais os obri-
gava a poupar suas vidas, quando viam desaparecer diante de seus olhos
aquele Templo que os levava a poupá-las pelo desejo de conservá-lo.
467. Imediatamente avisaram a Tito, que à volta do combate, descansava
um pouco em sua tenda. Ele partiu no mesmo instante, para mandar apagar o
fogo. Todos os chefes seguiram-no e as legiões depois dele, com grande
confusão e tumulto, clamores tais, que se pode imaginar, quando em tal
contingência um grande exército marcha, sem ordem e sem disciplina. Tito
gritava com todas as forças, fazia sinais com a mão para obrigar os seus a
apagar o fogo, mas tão grande barulho impedia que ele fosse ouvido; o ardor e a
cólera de que os soldados estavam cheios, naquela guerra, não lhes permitia
notar os sinais que lhe fazia. Assim, aquelas legiões que entravam em massa,
não podiam em sua impetuosidade ser contidas nem por suas ordens, nem por
suas ameaças; o furor as conduzia; elas apertavam-se de tal modo que muitos
caíam e eram pisados, outros, caindo sobre as ruínas do pórtico e das galerias,
ainda acesas e fumegantes, não eram, embora vencedores, menos infelizes que
os vencidos. Quando todos aqueles soldados chegaram ao Templo fingiram não
entender as ordens que o imperador lhes dava. Os que estavam atrás
exortavam os mais adiantados a pôr fogo e não restava então aos revoltosos
nem uma esperança de poderem impedi-lo.
468. De qualquer lado que se lançassem os olhos, só se viam fuga e
mortandade. Matou-se um grande número de pessoas do baixo povo, gente
desarmada e incapaz de se defender. Em volta do altar havia montes de
cadáveres, que eram atirados, depois de assassinados, àquele lugar santo, o
qual não era destinado a sacrificar tais vítimas; rios de sangue corriam por
todos os degraus.
469. Tito, vendo que lhe era impossível deter o furor dos soldados e o fogo
começava a incendiar tudo em toda parte, entrou com os seus principais chefes
no Santuário e achou, depois de tê-lo observado, que sua magnificência e rique-
za sobrepujavam ainda de muito o que a fama havia espalhado entre as nações
estrangeiras e que tudo o que os judeus diziam a esse respeito, ainda que pare-
cesse incrível, nada acrescentava à verdade.
Quando viu que o fogo não tinha ainda chegado ali, mas consumia então
somente o que estava nas vizinhanças do Templo, julgou, como era verdade,
que ainda poderia ser conservado; rogou, ele mesmo, aos soldados que
apagassem o fogo e mandou um oficial de nome Liberal, um de seus guardas,
que desse mesmo pauladas, nos que se recusassem a obedecer. Mas nem o
temor do castigo nem o respeito pelo general puderam impedir-lhes o efeito do
furor, da cólera e do ódio pelos judeus; alguns mesmos eram impelidos pela
esperança de encontrar aqueles lugares santos cheios de riquezas, porque viam
que as portas estavam recobertas de lâminas de ouro e quando Tito avançava
para impedir o incêndio, um dos soldados que havia entrado, já tinha posto
fogo na porta. Dentro acendeu-se então uma grande labareda que obrigou Tito e
os que o acompanhavam a se retirar sem que nenhum dos que estavam fora
procurasse apagá-la. Assim, esse santo e soberbo Templo foi incendiado, não
obstante todos os esforços de Tito para impedi-lo.",