Livro 4 - Capítulo 40 - Evágrio Escolástico, História Eclesiástica

ANASTÁSIO, PATRIARCA DE ANTIOQUIA.

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Anastácio era um homem versado em estudos divinos e tão rigoroso em seus modos e estilo de vida que insistia em detalhes mínimos, jamais se desviando de uma postura sóbria e serena, muito menos em assuntos de grande importância e relacionados à própria Divindade. Seu caráter era tão equilibrado que, por ser acessível e afável, não se deixava influenciar por coisas impróprias; nem, por ser austero e pouco indulgente, se tornava inacessível para fins apropriados. Assim, em questões sérias, era ouvido atento e eloquente, resolvendo prontamente as perguntas que lhe eram feitas; mas em assuntos triviais, seus ouvidos se fechavam completamente e sua língua era refreada, de modo que a fala era subjugada pelo pensamento, e o silêncio, resultante, era mais valioso que a palavra. Justiniano o ataca, como uma torre inexpugnável, com todo tipo de artifício, considerando que, se conseguisse abalar esse baluarte, toda dificuldade em capturar a cidade, subjugar a doutrina correta e aprisionar as ovelhas de Cristo seria removida. De tal maneira, Anastácio se elevou acima da força atacante pela grandeza celestial de espírito, pois se firmou na rocha inabalável da fé, que contradisse Justiniano sem reservas por meio de uma declaração formal, na qual demonstrou de forma clara e contundente que o corpo do Senhor era corruptível em relação às paixões naturais e irrepreensíveis, e que tanto os apóstolos divinos quanto os pais inspirados sustentavam e transmitiam essa opinião. Nos mesmos termos, respondeu a uma pergunta do corpo monástico da Síria Prima e Secunda, confirmando as convicções de todos, preparando-os para a luta e lendo diariamente na Igreja aquelas palavras do "vaso escolhido": "Se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes, ainda que seja um anjo do céu, seja anátema." A todos eles, com poucas exceções, dedicou atenção constante e zelosa adesão. Dirigiu também aos antioquenos um discurso de despedida, ao saber que Justiniano pretendia bani-lo; um discurso que merece admiração pela sua elegância, fluidez de pensamento, abundância de textos sagrados e pertinência dos temas históricos abordados.

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