Livro 4 - Capítulo 32 - Evágrio Escolástico, História Eclesiástica

PARCIALIDADE DE JUSTINIANO PELA FACÇÃO AZUL.

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Justiniano possuía outra propensão, de ferocidade inigualável; se atribuível a um defeito inato de sua disposição, ou à covardia e ao medo, não sei dizer. Ela teve origem na existência da facção entre a população, distinguida pelo nome de "Nica". Ele parecia favorecer um partido, os Azuis, em tal excesso, que eles massacravam seus oponentes ao meio-dia e no centro da cidade e, longe de temerem a punição, eram até recompensados; de modo que muitas pessoas se tornaram assassinas por essa causa. Era permitido a eles invadir casas, saquear os objetos de valor que continham e obrigar as pessoas a comprar suas próprias vidas; e se alguma das autoridades tentasse detê-los, corria risco de vida: e aconteceu de fato que uma pessoa que governava o Leste, depois de castigar alguns dos revoltosos com chicotadas, foi açoitada no próprio centro da cidade e carregada em triunfo. Calínico, governador da Cilícia, tendo submetido à punição legal dois assassinos cilícios, Paulo e Faustino, que o haviam agredido e tentado matá-lo, sofreu empalamento como pena por defenderem o direito e a lei. Os membros da outra facção, tendo, em consequência, fugido de suas casas e não sendo bem recebidos em lugar nenhum, mas vistos universalmente como uma praga, dedicaram-se a emboscar viajantes e cometeram roubos e assassinatos a tal ponto que todos os lugares se enchiam de mortes prematuras, roubos e todo tipo de crime. Às vezes, também, aliando-se à outra facção, Justiniano executava seus oponentes, entregando à vingança da lei aqueles a quem permitira cometer nas cidades atrocidades comparáveis ​​às dos bárbaros. Nem palavras nem tempo seriam suficientes para descrever minuciosamente esses acontecimentos. Contudo, o que foi apresentado aqui serve para dar uma ideia do restante.

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