Existem cartas de Severo para Justiniano e Teodora, das quais podemos inferir que, a princípio, ele adiou sua viagem à cidade imperial ao deixar sua sé de Antioquia. Contudo, ele acabou chegando lá e escreveu relatando que, ao conversar com Antimo e constatar que este compartilhava dos mesmos sentimentos e opiniões a respeito da Divindade, persuadiu-o a renunciar à sua sé. Ele escreveu sobre esses assuntos a Teodósio, bispo de Alexandria, e se vangloriou muito de ter convencido Antimo, como já mencionado, a preferir tais doutrinas à glória terrena e à posse de sua sé. Também existem cartas sobre esse assunto de Antimo para Teodósio, e de Teodósio para Severo e Antimo; as quais deixo de lado, para aqueles que desejarem consultá-las, a fim de não incluir nesta obra uma quantidade excessiva de material. Não obstante, ambos foram expulsos de suas sés por se oporem aos mandatos imperiais e aos decretos de Calcedônia. Zoilo sucedeu a Alexandria, e Epifânio à cidade imperial; de modo que, a partir de então, o sínodo de Calcedônia foi proclamado abertamente em todas as igrejas, e ninguém ousou anatematizá-lo; enquanto aqueles que discordavam eram instados, por inúmeros meios, a concordar com ele. Consequentemente, Justiniano elaborou uma constituição na qual anatematizou Severo, Antimo e outros, e sujeitou aqueles que defendiam suas doutrinas às penas mais severas. O efeito disso foi que, dali em diante, nenhum cisma permaneceu em nenhuma das igrejas, mas os patriarcas das diversas dioceses concordaram entre si, e os bispos das cidades seguiram seus respectivos primazes. Quatro sínodos foram, portanto, proclamados em todas as igrejas: primeiro, o realizado em Niceia; segundo, o de Constantinopla; terceiro, o anterior, em Éfeso; e quarto, o de Calcedônia. Uma quinta também ocorreu por ordem de Justiniano, sobre a qual falarei o que for apropriado no momento oportuno, enquanto incorporo à minha narrativa atual os diversos eventos do mesmo período que merecem ser mencionados.