Naquele tempo, Justiniano, abandonando o caminho reto da doutrina e seguindo uma vereda não trilhada pelos apóstolos e padres, enredou-se em espinhos e sarças; com as quais, desejando também encher a Igreja, fracassou em seu propósito e, assim, cumpriu a predição da profecia; o Senhor tendo assegurado o caminho real com uma cerca infalível, para que os assassinos não pudessem saltar, por assim dizer, sobre um muro instável ou uma cerca quebrada. Assim, na época em que João, também chamado Catelino, era bispo da Roma antiga, depois de Vigílio; João de Seremis, da Roma Nova; Apolinário, de Alexandria; Anastácio, de Teópolis, depois de Domnino; e Macário, de Jerusalém, havia sido restaurado à sua sé; Justiniano, após ter anatematizado Orígenes, Dídimo e Evágrio, promulgou o que os latinos chamam de Édito, após a deposição de Eustóquio, no qual declarou o corpo do Senhor incorruptível e incapaz das paixões naturais e irrepreensíveis; afirmando que o Senhor comeu antes de sua paixão da mesma maneira que depois de sua ressurreição, pois seu santo corpo não sofreu nenhuma conversão ou mudança desde o momento de sua formação no ventre materno, nem mesmo em relação às paixões voluntárias e naturais, nem mesmo após a ressurreição. A isso, ele compeliu os bispos de todas as partes a darem seu assentimento. Contudo, todos eles alegaram consultar Anastácio, bispo de Antioquia, e assim evitaram o primeiro ataque.