Livro 4 - Capítulo 26 - Evágrio Escolástico, História Eclesiástica

EXPOSIÇÃO DA MADEIRA DA CRUZ EM APAMEIA.

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Agora que cheguei a este ponto da minha narrativa, relatarei um prodígio que ocorreu em Apameia e que merece um lugar na história atual.

Quando os filhos dos apameus foram informados de que Antioquia havia sido incendiada, suplicaram ao já mencionado Tomé que trouxesse e exibisse a madeira salvadora e vivificante da cruz, em desacordo com a regra estabelecida; para que pudessem contemplar e beijar pela última vez a única salvação do homem e obter a provisão para a passagem para outra vida, tendo a preciosa cruz como meio de transporte para uma sorte melhor. Em atendimento a esse pedido, Tomé trouxe a madeira vivificante, anunciando dias específicos para sua exibição, para que todo o povo vizinho pudesse ter a oportunidade de se reunir e desfrutar da salvação que dela provinha.

Assim, meus pais visitaram o local junto com os demais, acompanhados por mim, então estudante. Quando, portanto, pedimos permissão para adorar e beijar a preciosa cruz, Tomé, erguendo ambas as mãos, mostrou a madeira que apagou a antiga maldição, dando uma volta completa pelo santuário, como era costume nos dias comuns de adoração. Enquanto Tomé se movia de um lugar para outro, uma grande chama o seguia, ardendo, mas não se consumindo; de modo que todo o local onde ele estava para mostrar a preciosa cruz parecia estar em chamas: e isso aconteceu não uma ou duas vezes, mas várias vezes, enquanto o sacerdote dava a volta no local e o povo reunido lhe suplicava que assim fosse feito. Essa circunstância prenunciou a preservação que foi concedida aos Apameus. Assim, uma representação dela foi suspensa no teto do santuário, explicando-a por meio de sua representação àqueles que não a conheciam; essa representação foi preservada até a irrupção de Adaarmanes e dos persas, quando foi incendiada juntamente com a igreja sagrada na conflagração de toda a cidade. Tais foram os eventos. Mas Cosroes, em sua retirada, agiu em violação direta das condições — pois mesmo nessa ocasião os termos haviam sido estabelecidos — de uma maneira condizente com seu temperamento inquieto e inconstante, mas totalmente incompatível com a racionalidade de um homem, muito menos com a de um rei que professava respeito por tratados.

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