Livro 1 - Capítulo 2 - Evágrio Escolástico, História Eclesiástica

A heresia de Nestório foi descoberta e condenada.

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Visto que Nestório, essa língua que atenta contra Deus, esse segundo conclave de Caifás, essa oficina de blasfêmia, em cujo caso Cristo é novamente transformado em objeto de barganha e venda, tendo Sua natureza dividida e dilacerada — Ele de quem nenhum osso foi quebrado, mesmo na cruz, segundo as Escrituras, e cuja túnica sem costura não sofreu nenhum rasgo pelas mãos de homens assassinos de Deus — visto que ele descartou e rejeitou o termo "Mãe de Deus", que já havia sido criado pelo Espírito Santo por meio de muitos pais escolhidos, e o substituiu por um espúrio de sua própria criação: "Mãe de Cristo"; e ainda encheu a Igreja de inúmeras guerras, inundando-a com sangue de parentes, creio que não me faltará uma narrativa bem fundamentada da minha história, nem perderei o seu fim, se, com a ajuda de Cristo, que é Deus sobre todos, eu a prefaciar com a ímpia blasfêmia de Nestório. A guerra das igrejas teve origem nas seguintes circunstâncias. Certo presbítero chamado Anastácio, homem de opiniões corruptas e fervoroso admirador de Nestório e de seus sentimentos judaicos, acompanhou-o em sua partida de seu país para tomar posse de seu bispado; ocasião em que Nestório, tendo se encontrado com Teodoro em Mopsuéstia, foi desviado da doutrina piedosa por seus ensinamentos, como Teódulo escreve em uma epístola sobre o assunto. Esse Anastácio, discursando para o povo cristão da igreja de Constantinopla, ousou dizer, sem qualquer reserva: "Que ninguém chame Maria de Mãe de Deus, pois Maria era humana, e é impossível que Deus tenha nascido de um ser humano." Quando o povo amante de Cristo se mostrou enojado e, com razão, considerou seu discurso blasfemo, Nestório, o verdadeiro mestre da blasfêmia, longe de o conter e defender a verdadeira doutrina, ao contrário, impulsionou o ensinamento de Anastácio, insistindo na questão com uma agressividade incomum. Além disso, misturando-lhe suas próprias ideias e vomitando assim o veneno de sua alma, procurou inculcar opiniões ainda mais blasfemas, chegando ao ponto de afirmar, sob pena de ser punido: "Jamais me deixaria induzir a chamar de Deus aquele que admitia ter dois ou três meses de idade". Essas circunstâncias se baseiam na autoridade inequívoca de Sócrates e no antigo sínodo de Éfeso.

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