Livro 5 - Capítulo 7 - História Eclesiástica do Povo Inglês - Beda

Capítulo 7

123456789101112131415161718192021222324
← Anterior Próximo →

No terceiro ano do reinado de Alfredo, Cædual, rei dos saxões ocidentais, tendo governado sua nação com vigor por dois anos, deixou o império por amor ao Senhor e ao seu reino perpétuo, e veio para Roma; desejando obter para si esta glória singular, que era ser lavado no limiar dos bem-aventurados apóstolos na pia batismal, na qual somente aprendera que a entrada para a vida celestial estava aberta à raça humana; ao mesmo tempo, também esperava que, logo após ser batizado, passaria da carne para as alegrias eternas; ambas as coisas, como ele havia planejado, foram realizadas com a ajuda do Senhor. Pois, chegando lá, quando Sérgio estava pontificando, foi batizado no santo dia do Sábado de Páscoa do ano 683, pela encarnação do Senhor; e, ainda vestido de branco, acometido de enfermidade, no décimo segundo dia das Calendas de Maio, foi libertado da carne e unido ao reino dos bem-aventurados no céu. A quem também, por ocasião do seu batismo, o já mencionado Papa deu o nome de Pedro, para que pudesse ser unido na comunhão do seu nome ao santíssimo príncipe dos apóstolos, ao cujo santíssimo corpo viera dos confins da terra, guiado por piedoso amor; que também foi sepultado na sua igreja; e o Pontífice ordenou que fosse escrito um epitáfio no seu monumento, no qual tanto a memória da sua devoção permaneceria fixa por séculos, como também aqueles que lessem ou ouvissem o seu exemplo seriam inspirados ao estudo da religião. Assim se escreve, portanto:

O cume, a riqueza, a descendência, os reinos poderosos, os triunfos, as Exúvias, os nobres, as muralhas, os acampamentos, os lares; e todas as virtudes dos pais, e o que o próprio Caedual, poderoso em armas, havia acumulado, ele deixou por amor a Deus; para que o hóspede pudesse ver Pedro e o trono de Pedro, de cuja fonte pudesse beber as águas puras da esmola, e com um gole radiante pudesse colher a alegria resplandecente, da qual em toda parte flui o brilho vivificante. E percebendo as recompensas ansiosas de uma vida renovada, ele voltou sua fúria bárbara, e seu nome e, a partir daí, o seu próprio, delirando; e o bispo Sérgio ordenou que Pedro fosse chamado, como o pai da Fonte renascida, a quem, purificando pela graça de Cristo, ele imediatamente levou alvejado para a cidadela do céu. Maravilhosa é a fé do rei, a maior clemência de Cristo, cujo conselho ninguém pode alcançar! Pois ele, vindo do mais alto mundo da Grã-Bretanha, através de várias nações, por estreitos e por estradas, viu a cidade de Rômulo e viu o temível templo de Pedro, portador de dons místicos. Ele sairá, branco e sociável, entre as ovelhas de Cristo; pois com o corpo ele sustenta o túmulo, com a mente no alto. Creiam antes que ele trocou as insígnias de seus cetros, pois aquele a quem vocês veem conquistou o reino de Cristo.

Aqui Caedual, que também era Pedro, rei dos saxões, foi deposto no dia 12 das Calendas de Maio, segundo a Segunda Indição; ele viveu mais ou menos trinta anos, durante o reinado do piedosíssimo Justiniano Augusto, no quarto ano de seu consulado e no segundo ano do pontificado do apostólico Papa Sérgio.

Mas quando Cædualla partiu para Roma, foi sucedido no reino por Ini, da linhagem real; que, tendo governado aquela nação por trinta e sete anos, deixou o reino e o confiou a homens mais jovens, partindo para o limiar dos bem-aventurados apóstolos, quando Gregório detinha o pontificado, desejando permanecer por um tempo na Terra, nas proximidades dos lugares santos, para merecer uma recepção mais familiar pelos santos no céu; o que, naquela época, muitos ingleses, nobres, plebeus, leigos, clérigos, homens e mulheres, costumavam fazer em competição.

← Voltar ao índice