Livro 9 – Capítulo V História Eclesiástica

Das "Memórias" fingidas

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1. Depois de se inventar - como parece - umas Memórias de Pilatos610 e de Nosso Salvador,

abarrotadas de todo gênero de blasfêmia contra Cristo, com a anuência do soberano são

distribuídas por todo o país sujeito a seu comando, com instruções escritas para que em todo

lugar, assim no campo como nas cidades, fossem expostas publicamente a todos, e que os

professores nas escolas cuidassem de ensiná-las às crianças em vez das ciências, e fazer com

que as decorassem.

2. Enquanto isto se cumpria desta maneira, outro, um comandante militar, que os romanos chamam

dux, ordenou que tirassem à força da praça pública de Damasco da Fenícia umas mulheres

desprezíveis e as ameaçava com a aplicação de torturas, forçando-as a declarar por escrito que

durante algum tempo haviam sido cristãs e que entre os cristãos tinham visto ações criminosas, e

que estes cometiam ações licenciosas nas próprias casas do Senhor, e tudo quanto queriam que

elas dissessem para calúnia de nossa doutrina. Em seguida inseriu estas declarações em umas

memórias611 e as comunicou ao imperador, que ordenou que também este documento fosse

tornado público em todo lugar e em cada cidade.

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