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Livro Decimo Terceiro Flávio Josefo

Capítulo 5 Flávio Josefo

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"O REI ALEXANDRE BALAS PROCURA JÔNATAS AMIGAVELMENTE E DÁ-LHE O
CARGO DE SUMO SACERDOTE, VACANTE PELA MORTE DE JUDAS MACABEU,
SEU IRMÃO. O REI DEMÉTRIO FAZ-LHE AINDA MAIORES PROMESSAS. OS
DOIS REIS TRAVAM UMA BATALHA, E DEMÉTRIO É MORTO.",
"502. Como o rei Alexandre Balas conhecia os grandes feitos de Jônatas na
guerra contra os macedônios e sabia, além disso, o quanto ele fora afligido por
Demétrio e por Bacida, general do exército, disse aos seus servidores, logo que
soube do oferecimento que esse príncipe lhe fizera, que julgava não poder, em
tal conjuntura, contrair uma aliança cujo auxílio lhe fosse mais vantajoso do
que com jônatas, porque este, além de seu grande valor e experiência na
guerra, tinha motivos particulares para odiar Demétrio, pelo mal que dele havia
recebido e pelas angústias suportadas. Se eles julgassem conveniente, faria
aliança com ele, contra Demétrio, pois nada haveria de mais útil para eles.
Todos aprovaram esse projeto.
Ele escreveu imediatamente a Jônatas a seguinte carta: O rei Alexandre a
Jônatas, seu irmão, saudação. A estima que temos há muito pelo vosso valor e
fidelidade nas promessas nos leva a desejar unirmo-nos a vós com uma aliança
de amizade, e estamos vos enviando emissários para esse fim. Para dar provas
disso, vos constituímos, com a presente, sumo sacerdote, vos recebemos no
número de nossos amigos e vos fazemos presente de um traje de púrpura e de
uma coroa de ouro, porque não duvidamos que tantos sinais de honra
recebidos de nós e unidos ao pedido que fazemos não vos obriguem a desejar
reconhecê-los.
Jônatas, depois de receber essa carta, revestiu-se de ornamentos de sumo
sacerdote, no dia da festa dos Tabernáculos, quatro anos depois da morte de
Judas Macabeu, seu irmão. Durante esse tempo, o cargo esteve vago. Ele então
reuniu um grande número de pessoas e mandou forjar uma grande quantidade
de armas.
503. Demétrio soube disso com sensível desprazer, mas culpou a sua
própria demora, que dera ocasião a Alexandre de atrair ao seu partido com
tantas demonstrações de estima um homem de tanto mérito. Não deixou,
porém, de escrever a Jônatas e ao povo, nestes termos: O rei Demétrio a
Jônatas e à nação dos judeus, saudação. Sabendo de que modo resististes às
solicitações que os nossos inimigos vos fizeram de violar a nossa aliança, não
podemos louvar o bastante a vossa fidelidade nem exortar-vos em demasia a
agir sempre desse modo. Podeis contar com a nossa palavra: não há favores que
não possais esperar de nós, como recompensa. E, para vos provar o que
dissemos, dispensamo-vos da maior parte dos tributos e vos desobrigamos,
desde já, do que estáveis acostumados a pagar a nós e aos nossos
predecessores, como também do sal, das coroas de ouro de que nos fazeis
presentes e do terço das sementes, da metade das frutas das árvores e do
imposto por cabeça devido pelos que moram na Judéia e nas três províncias
vizinhas, isto é, Samaria, Galiléia e Peréia, e isso para sempre. Queremos ainda
que a cidade de Jerusalém, sendo sagrada, desfrute o direito de asilo e seja
isenta, com o seu território, das décimas e de toda espécie de imposto.
Permitimos a jônatas, vosso sumo sacerdote, que constitua para a guarda da
fortaleza de Jerusalém os que mais merecerem a sua confiança, a fim de vô-la
conservar. Colocamos em liberdade os judeus aprisionados na guerra e ainda
escravizados entre nós. Isentamo-vos de fornecer cavalos para os correios. E
nosso desejo que todos os sábados, as festas solenes e os três dias que as
precedem sejam dias de liberdade e de franquia, e que os judeus que moram em
nossos territórios sejam livres e possam usar armas a nosso serviço, até trinta
mil, recebendo o mesmo soldo que os nossos soldados. Eles podem ser postos
nas guarnições de nossas praças e recebidos em nossas guardas pessoais, e os
seus chefes serão tratados favoravelmente em nossa corte. Permitimos a todos
os das três províncias vizinhas de que acabamos de falar que vivam segundo as
leis de vossos antepassados e encarregamos o vosso sumo sacerdote de cuidar
para que nenhum judeu vá adorar a Deus em outro templo que não o de
Jerusalém. Ordenamos que seja tomada de nossas rendas, todos os anos, a
soma de cento e cinqüenta mil dracmas de prata, para as despesas dos
sacrifícios, e que o que sobrar seja empregado em vosso proveito. Quanto às dez
mil dracmas que os reis estavam acostumados a receber do Templo cada ano,
nós as deixamos aos sacerdotes e aos outros ministros desse lugar sagrado,
porque sabemos que elas lhes pertencem. Proibimos que se atente contra
qualquer pessoa que se retirar ao Templo em Jerusalém ou ao oratório que lhe
está próximo, ou contra os seus bens, seja pelo que nos deve, seja por qualquer
outro motivo. E permitimos que, à nossa custa, repareis o Templo e as
muralhas da cidade e que eleveis altas torres. E ainda, se houver na Judéia
lugar próprio para se construírem cidadelas, queremos que tal se faça também
à nossa custa.
O rei Alexandre, após reunir grandes forças, tanto as tropas tomadas sob
pagamento quanto as que na Síria se haviam revoltado contra Demétrio,
marchou contra este, e travou-se a batalha. A ala esquerda do exército de
Demétrio rompeu a ala direita do de Alexandre, obrigando-o a fugir. Perseguiu-o
por muito tempo, com grande mortandade, e saqueou o seu acampamento.
Porém, a ala direita de Demétrio, na qual ele combatia, não pôde resistir à ala
esquerda de Alexandre, que a atacava. O príncipe fez, nessa ocasião, atos
extraordinários de valor. Matou com as próprias mãos muitos inimigos e,
enquanto perseguia outros, o seu cavalo caiu num pântano, do qual não pôde
mais sair. Assim, a pé, abandonado, rodeado por inimigos e acossado pelas
flechas, caiu crivado de feridas, depois de se defender com invencível coragem.
Ele reinou onze anos, como já dissemos.",