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Livro Decimo Terceiro Flávio Josefo

Capítulo 20 Flávio Josefo

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"SALOMÉ, ANTES CHAMADA ALEXANDRA, VIÚVA DO REI ARISTÓBULO, TIRA JANEU,
COGNOMINADO ALEXANDRE E IRMÃO DESSE PRÍNCIPE, DA PRISÃO E O CONSTITUI REI.
ELE MANDA MATAR UM DE SEUS IRMÃOS E CERCA PTOLEMAIDA.
O REI PTOLOMEU LATUR, QUE HAVIA SIDO EXPULSO DO EGITO PELA RAINHA
CLEÓPATRA, SUA MÃE, VEM DE CHIPRE PARA SOCORRER PTOLEMAIDA, QUE SE
RECUSA A RECEBÊ-LO. ALEXANDRE LEVANTA O CERCO E TRATA PUBLICAMENTE
COM PTOLOMEU E SECRETAMENTE COM A RAINHA CLEÓPATRA.",
"548. Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que
os gregos chamam Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que
ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei Janeu, antes chamado Alexandre,
que era o mais velho e o mais moderado de todos. Ele havia sido tão infeliz que
Hircano, seu pai, sentiu aversão por ele já logo após o nascimento. Esse senti-
mento era tão forte que até morrer Hircano jamais consentiu que ele compare-
cesse à sua presença. Penso dever dizer a causa disso.
Hircano, que amava muito Aristóbulo e Antígono, os dois mais velhos de
seus filhos, perguntou a Deus, que lhe havia aparecido em sonhos, qual deles
deveria sucedê-lo no trono, e Deus revelou-lhe, mostrando Alexandre, que este
deveria reinar. O desprazer que ele então concebeu levou-o a mandar educá-lo
na Galiléia. Mas o que Deus havia predito não deixou de acontecer, pois ele foi
elevado ao trono depois da morte de Aristóbulo. Mandou em seguida matar um
de seus irmãos, que quis fazer-se rei, e tratou muito bem ao outro, que se
contentou em levar vida privada.
549. Depois de colocar em ordem os negócios do Estado, Alexandre
marchou com um exército contra os de Ptolemaida e, depois de vencê-los num
grande combate, obrigou-os a se encerrar na sua cidade, onde os sitiou. De
todas as cidades marítimas, Gaza era a única que ele ainda não havia tomado,
e para isso era necessário subjugar Zoilo, que se apoderara de Adora e da torre
de Estratão. Os habitantes de Ptolemaida não podiam esperar auxílio do rei
Antíoco nem de Antíoco Cízico, seu irmão, pois eles tinham empenhadas todas
as suas forças em outra guerra.
Zoilo, porém, que esperava aproveitar-se da divisão entre esses príncipes
para ocupar Ptolemaida, para lá enviou algum auxílio enquanto os dois reis tão
pouco se importavam em ajudá-la, pois estavam tão irritados um contra o outro
que não se incomodavam com mais nada, semelhante aos atletas que, embora
cansados de combater, têm vergonha de se confessar vencidos e não cedem ao
competidor, mas depois de recobrarem um pouco de alento recomeçam o com-
bate. Assim, o único recurso que restava aos sitiados era pedir socorro ao Egito,
principalmente a Ptolomeu Latur, que havia sido expulso do reino pela rainha
Cleopatra, sua mãe, e se retirado para a ilha de Chipre. Mandaram então pedir-
lhe que os livrasse do perigo em que se encontravam, dando-lhe a entender que
logo que viesse para a Síria, os de Gaza, Zoilo, os sidônios e vários outros
passariam imediatamente para o seu lado.
O príncipe, com essa esperança, cuidou em equipar imediatamente uma
grande frota. Mas nesse ínterim, Demeneto, que desfrutava grande prestígio em
Ptolemaida, persuadiu os habitantes a mudar de opinião, mostrando-lhes que
era muito mais vantajoso permanecer na incerteza do êxito na guerra em que
estavam empenhados contra os judeus que cair na servidão, a qual lhes seria
inevitável se, chamando o rei Ptolomeu, o recebessem por senhor. E assim, não
teriam somente de sustentar aquela guerra, mas também uma outra, maior
ainda e mais perigosa, com o Egito, porque a rainha Cleopatra, mão de
Ptolomeu, que tinha a intenção de expulsá-lo da ilha de Chipre, vendo que ele
procurava fortalecer-se à custa das províncias vizinhas, viria contra eles com
um poderoso exército. E se então Ptolomeu, enganado em suas esperanças, os
abandonasse a fim de fugir para a ilha de Chipre, eles ficariam expostos a um
perigo maior do que poderiam imaginar.
550. Ptolomeu soube a caminho que os de Ptolemaida haviam mudado de
idéia, mas continuou a viagem. Desembarcou em Sicamim com o seu exército,
que era de trinta mil homens, tanto de infantaria quanto de cavalaria, e
avançou para Ptolemaida. Viu-se, porém, em graves dificuldades quando os
embaixadores não puderam falar aos habitantes da cidade, que se recusaram a
recebê-los e nem quiseram ouvir as suas propostas. Então Zoilo e os de Gaza
foram ter com ele para pedir-lhe socorro contra os judeus e contra o seu rei,
que lhes devastava o país.
Assim, Alexandre foi obrigado a levantar o cerco de Ptolemaida. Retirou o
exército e, querendo agir com astúcia, enviou secretamente emissários à rainha
Cleopatra para fazer aliança com ela contra Ptolomeu, enquanto tratava
publicamente com ele e prometia dar-lhe quatrocentos talentos de prata se este
lhe entregasse o tirano Zoilo e cedesse aos judeus as praças e as terras que ele
possuía. Ptolomeu, de boa mente, fez aliança com Alexandre e mandou prender
Zoilo. Mas quando soube que o príncipe negociava secretamente com a rainha
sua mãe, rompeu com ele e sitiou Ptolemaida, que, como vimos, se recusara a
recebê-lo. Deixando alguns dos chefes com uma parte das forças, para
continuar o cerco, foi com o resto devastar a Judéia. Alexandre, por sua vez,
para resistir-lhe, reuniu um exército de cinqüenta mil homens ou, segundo
outros, de oitenta mil. Ptolomeu, tendo num sábado atacado de improviso a
cidade de Azoto, na Galiléia, tomou-a de assalto e levou dez mil escravos e
grande quantidade de despojos.",