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Livro Decimo Terceiro Flávio Josefo

Capítulo 22 Flávio Josefo

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"DEMÉTRIO EUCERO, REI DA SÍRIA, VEM EM AUXÍLIO DOS JUDEUS CONTRA
ALEXANDRE, SEU REI. DERROTA-O NUMA BATALHA E RETIRA-SE. OS JUDEUS
CONTINUAM SOZINHOS A FAZER-LHE GUERRA. ELE OS VENCE EM DIVERSOS
COMBATES E USA DE ESPANTOSA CRUELDADE CONTRA ELES. DEMÉTRIO SITIA
FILIPE, SEU IRMÃO, EM BEROÉ. MITRÍDATES SINACÉS, REI DOS PARTOS,
MANDA CONTRA ELE UM EXÉRCITO QUE O FAZ PRISIONEIRO E O ENVIA A
ESSE REI. MORRE LOGO DEPOIS.",
"559. Demétrio Eucero, fortalecido por aqueles que o convocavam, veio em
seu auxílio com um exército de três mil cavaleiros e quarenta mil soldados de
infantaria. Alexandre marchou contra ele com seis mil e duzentos soldados
estrangeiros contratados e vinte mil judeus que se lhe conservaram fiéis. Os
dois príncipes fizeram todos os esforços. Demétrio, para ganhar esses
estrangeiros, que eram gregos, e Alexandre, para ganhar ao seu partido os
judeus que haviam passado para Demétrio. Mas nem um nem outro conseguiu
o seu intento. E assim, foi necessário travar-se uma batalha.
Demétrio venceu, e os estrangeiros que estavam do lado de Alexandre
mostraram seu valor e fidelidade, pois foram todos mortos, sem exceção de um.
Demétrio, por sua vez, perdeu também muitos soldados. Alexandre fugiu para
os montes e então, por uma estranha mudança, a compaixão pela sua
infelicidade fez com que seis mil judeus fossem procurá-lo. Isso causou tanto
temor a Demétrio que ele se retirou. Os outros judeus continuaram sozinhos a
guerra a Alexandre, mas foram vencidos, e muitos pereceram em diversos
combates. Ele obrigou os chefes a se retirarem a Betom, tomou a cidade e os
mandou prisioneiros a Jerusalém, onde, para vingar-se das ofensas que havia
recebido, usou contra eles de horrível crueldade: enquanto se entregava a um
banquete com suas concubinas num lugar bastante elevado, de onde podia ver
tudo, mesmo ao longe, fez crucificar cerca de oitocentos na sua presença e
estrangular diante deles, enquanto ainda viviam, suas mulheres e filhos.
É verdade que eles o haviam ofendido e, não se contentando em lhe fazer
guerra eles mesmos, tinham ainda chamado estrangeiros em seu auxílio, levan-
do-o muitas vezes a correr o risco de perder a vida e o reino e reduzindo-o a
grande miséria, tanto que ele foi obrigado a entregar ao rei dos árabes as praças
que havia conquistado no país dos moabitas e dos galatidas, a fim de impedir
que se unissem aos seus súditos revoltados, isso sem falar dos muitos ultrajes
que lhe fizeram. Tudo isso, porém, não impede o horror a tão espantosa
desumani-dade, que o fez merecer, com razão, o nome de Trácida, para indicar
a sua extrema barbaridade. Oito mil soldados dos que haviam tomado armas
contra ele retiraram-se na noite seguinte a essa ação mais que desumana e não
apareceram mais durante o seu reinado, que depois foi bastante pacífico.
560. Demétrio, saindo da Judéia, foi com dois mil cavaleiros e dez mil
soldados de infantaria sitiar Filipe, seu irmão, em Beroé. Estratão, que a
governava e que ajudava Filipe, chamou Zizo, general dos árabes, em seu
socorro, e Mitrídates Sinacés, rei dos partos. Eles mandaram-lhe grandes
forças, que sitiaram Demétrio em seu acampamento e obrigaram os seus
soldados a se entregar, tanto pela multidão de dardos e flechas com que os
cobriram quanto pela falta de água que provocaram. Mandaram-nos
prisioneiros a Mitrídates e voltaram carregados de despojos, permitindo aos de
Antioquia, que estavam entre os prisioneiros, retirar-se sem pagar resgate.
Mitrídates tratou Demétrio com grande honra até o fim de sua vida, que não foi
longa, pois ele caiu doente e morreu. Quanto a Filipe, logo depois da prisão de
Demétrio, foi para Antioquia e reinou na Síria.",