Livro Decimo Terceiro Flávio Josefo
Capítulo 17 Flávio Josefo
,
"HIRCANO, DEPOIS DA MORTE DO REIANTÍOCO, RETOMA VÁRIAS PRAÇAS NA
SÍRIA E RENOVA A ALIANÇA COM OS ROMANOS. O REI DEMÉTRIO É VENCIDO
POR ALEXANDRE ZEBIM, QUE ERA DA FAMÍLIA DO REI SELEUCO. PRESO EM TIRO,
MORRE MISERAVELMENTE. ANTÍOCO DE CÍZICO, FILHO DE ANTÍOCO SÓTER,FAZ
GUERRA A SEU IRMÃO ANTÍOCO GRIPO. HIRCANO DESFRUTA PAZ NA JUDÉIA.",
"537. Logo que Hircano soube da morte do rei Antíoco, marchou com o
seu exército para as cidades da Síria, esperando encontrá-las desarmadas e
sem soldados. Apoderou-se de Medeba, depois de um cerco de seis meses,
tomou Samega, as aldeias vizinhas, Siquém e Gerizim. Subjugou também os
chuteenses que moravam no templo construído à imitação do de Jerusalém
com a permissão que Alexandre, o Grande, dera a Sambalate, governador de
Samaria, em favor de Manasses, seu genro, irmão de Jado, sumo sacerdote,
como dissemos há pouco. A destruição desse templo deu-se duzentos anos após
ele ter sido edificado.
538. Hircano tomou ainda aos idumeus as cidades de Adora e Maressa e,
depois de subjugar toda essa grande província, permitiu-lhes lá ficar, contanto
que se fizessem circuncidar e adotassem a religião e as leis dos judeus. O temor
de serem expulsos de seu país levou-os a aceitar essas condições, e desde então
eles foram para sempre considerados judeus.
539. Hircano enviou em seguida embaixadores a Roma para renovar a
aliança, e o senado, depois de ler as suas cartas, mostrou-se favorável. A ata foi
redigida desta maneira: No dia doze de fevereiro, o pretor Fânio, filho de Marco,
fez reunir o senado no campo, na presença de Lúcio Maneio, filho de Lúcio
Mentina, e de Caio Semprônio, filho de Caio Falerma, para deliberar a respeito
do que Simão, filho de Ofiteu, Apolônio, filho de Alexandre, e Diodoro, filho de
Jasão, embaixadores dos judeus, pessoas de virtude e de mérito, vinham pedir
em nome de sua nação, isto é, a renovação da aliança com o povo romano; que,
em conseqüência desse tratado, lhes sejam entregues as cidades de Jope,
Gazara, as fontes e as outras cidades usurpadas pelo rei Antíoco com desprezo
à determinação do senado; que se proíbam aos soldados dos reis passar às
terras dos judeus e às de seus súditos; que tudo o que foi tentado na última
guerra pelo mesmo Antíoco seja declarado nulo; e que o senado lhe envie
embaixadores para obrigá-lo a entregar o que ele usurpou e a ressarcir os
judeus dos prejuízos que causou ao seu país. Esses embaixadores também
rogam que se lhes dêem cartas de recomendação endereçadas aos reis e aos
povos livres, a fim de poderem voltar com toda segurança. Esse assunto foi
posto à deliberação do senado, e este determinou que se renovasse o tratado de
amizade e de aliança com esses embaixadores, homens de bem, enviados por
um povo tão amigo dos romanos e tão fiel às suas promessas.
Quanto ao que se referia às cartas, o senado respondeu que logo que
tivesse resolvido alguns negócios urgentes procuraria, no futuro, fazer com que
se impedisse qualquer mal aos judeus. Ordenou-se ao pretor Fânio que lhes
entregasse determinada soma do dinheiro público, a fim de que pudessem mais
comodamente regressar ao seu país, e cartas de recomendação para os lugares
por onde deveriam passar, bem como o decreto do senado, para servir-lhes de
garantia.
540. No entanto Demétrio desejava ardentemente fazer guerra a Hircano,
mas não o pôde porque a sua maldade o tornava tão odioso aos sírios e aos
seus próprios soldados que estes, não podendo mais tolerá-lo, mandaram pedir
a Ptolomeu, cognominado Físcon, rei do Egito, que lhes enviasse alguém da
família de Seleuco, para que o fizessem rei. Ele mandou-lhes Alexandre,
cognominado Zebim, com um exército, e travaram batalha. Demétrio foi vencido
e quis fugir para Ptolemaida, onde estava a rainha Cleópatra, sua mulher, mas
ela fechou-lhe as portas. Ele foi para Tiro, onde caiu prisioneiro e morreu
miseravelmente, depois de haver sofrido muito.
541. Alexandre Zebim, ao se tornar senhor do reino da Síria, fez aliança
com o sumo sacerdote Hircano. Mas algum tempo depois foi vencido e morto
numa batalha por Antíoco, cognominado Gripo, filho de Demétrio. Este, vendo-
se de posse do reino da Síria, desejou muito fazer guerra aos judeus. Não
ousou, porém, empreendê-la, por causa da notícia que recebeu de que seu
irmão por parte de mãe, de nome Antíoco, como ele, cognominado Cizicênio,
reunia em Cízico, onde fora educado, grandes forças para atacá-lo.
Esse outro Antíoco era filho de Antíoco Sóter, o Religioso, o qual fora
morto pelos partos. Cleópatra, como vimos, desposara os dois irmãos. Ele
entrou na Síria, e se travaram vários combates. No entanto Hircano, que logo
depois da morte de Antíoco Sóter sacudira o jugo dos macedônios e não lhes
dava mais nenhum auxílio, nem como súdito nem como amigo, viu-se em
franco progresso durante o reinado de Alexandre Zebim e ainda mais durante o
dos dois irmãos, porque, vendo que ambos se enfraqueciam pelas contínuas
guerras e que Antíoco não recebia auxílio do Egito, não lhes dava importância e
usufruía pacificamente todos os tributos da Judéia, economizando assim muito
dinheiro.",