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Livro Decimo Terceiro Flávio Josefo

Capítulo 11 Flávio Josefo

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"OS JUDEUS ESCOLHEM SIMÃO MACABEU PARA SEU GENERAL, NO LUGAR DE JÔNATAS,
SEU IRMÃO, PRISIONEIRO DE TRÍFON, O QUAL, APÓS RECEBER CEM
TALENTOS E DOIS DE SEUS FILHOS COMO REFÉNS PARA LIBERTÁ-LO, FALTA À
PALAVRA E O MANDA MATAR. SIMÃO ERGUE-LHE UM SOBERBO TÚMULO E É
CONSTITUÍDO PRÍNCIPE E SUMO SACERDOTE DOS JUDEUS. SEU ADMIRÁVEL
PROCEDER. ELE LIBERTA A NAÇÃO DA ESCRAVIDÃO DOS MACEDÔNIOS.
TOMA DE ASSALTO A FORTALEZA DE FERUSALÉM, ARRASANDO-A,
BEM COMO AO MONTE SOBRE O QUAL ESTAVA CONSTRUÍDA.",
"526. A notícia do que havia acontecido a Jônatas encheu de dor os
habitantes de Jerusalém, tanto pelo afeto que lhe dedicavam quanto pelo temor
de que as nações vizinhas, as quais eram contidas apenas pelo medo que
tinham dele, vendo-os privados de seu auxílio e de tão sábio e generoso chefe,
lhes viessem mover guerra no futuro e os reduzissem aos extremos. Ao que
parece, eles não se enganavam, pois esses povos, mal souberam da notícia da
morte de Jônatas, que se espalhara, declararam-lhes guerra. Trífon, por sua
vez, reuniu um grande exército para também entrar na Judéia.
Simão, para dar coragem aos judeus, que via tão assustados, mandou
reunir o povo no Templo e falou: Não ignorais, meus irmãos, a quantos e terrí-
veis momentos meu pai, meus irmãos e eu nos vimos expostos para recon-
quistar e conservar a nossa liberdade. Assim, tendo na minha família exemplos
que me obrigam a desprezar a morte para manter as leis e a religião de meus
antepassados, perigo algum me impedirá de preferir a minha honra e o meu
dever à minha vida. E agora, que já não vos falta um chefe zeloso de vosso bem
e que nada há de difícil que ele não esteja pronto a empreender para consegui-
lo, segui-me corajosamente aonde eu vos levar. Como não tenho maiores
méritos que meus irmãos, não devo poupar a minha vida, assim como eles não
pouparam a sua. Eu não poderia, sem faltar à coragem, deixar de seguir-lhes
as pegadas, mas teria a glória de imitá-los, morrendo feliz pela defesa de nossa
pátria, de nossas leis e de nossa religião. Espero que se conheça, pelos meus
atos, que não sou um indigno irmão daqueles ilustres e generosos chefes, cuja
feliz e sábia orientação nos levou a tantas e tão grandes vitórias. Vingar-vos-ei,
com o auxílio de Deus, de vossos inimigos, defender-vos-ei, bem como às vossas
mulheres e filhos, dos ultrajes que vos quiserem fazer e impedirei que a sua
insolência venha a nos profanar o Templo, pois esses idolatras vos desprezam e
vos atacam com tanta ousadia apenas porque imaginam que não tendes mais
um chefe.
O povo, animado por essas palavras, retomou o ânimo e alimentou
melhores esperanças. Clamaram todos a uma voz que o escolhiam para ocupar
o lugar de judas e de Jônatas e que lhe obedeceriam com prazer. O novo
general reuniu imediatamente todos os que ele julgava aptos para a guerra e
não tardou em rodear Jerusalém com muralhas e com altas e fortes torres. Ele
enviou o seu grande amigo Jônatas, filho de Absalão, a Jope, com muitas
tropas e com ordem de expulsar de lá todos os seus habitantes, para que não
entregassem a cidade a Trífon, e ficou em Jerusalém.
527. Trífon partiu de Ptolemaida com um grande exército, para entrar na
Judéia, e levou consigo Jônatas, seu prisioneiro. Simão, com as forças de que
dispunha, foi contra ele, até a aldeia de Adida, situada sobre um monte, abaixo
do qual estão os campos da Judéia. Logo que Trífon soube que Simão coman-
dava o exército dos judeus, enviou alguns homens a ele, para enganá-lo tam-
bém. Propôs-lhe que, se quisesse libertar o irmão, mandasse cem talentos de
prata e também dois dos filhos de Jônatas, como reféns e como prova da pala-
vra, que o pai deles lhe daria, de não afastar os judeus da sujeição ao rei.
Acrescentou que conservaria Jônatas prisioneiro até que ele pagasse também
ao príncipe uma soma que lhe devia.
Simão facilmente percebeu que a proposta era um ardil e que, ainda que
lhe desse o que pedia e entregasse os filhos de seu irmão, ele não o libertaria.
No entanto, temendo que o acusassem de sua morte, caso recusasse pagar,
reuniu todo o exército e contou-lhes as exigências de Trífon, dizendo que não
duvidava de que ele os queria enganar mais uma vez. Todavia era de opinião
que se mandasse o dinheiro e esses dois filhos, antes de ser considerado
suspeito de não ter querido salvar a vida de seu irmão. E assim, mandaram o
dinheiro e os dois filhos. E Trífon faltou à palavra: não libertou Jônatas e ainda
devastou os campos com o seu exército. Dirigiu-se depois para a Iduméia e
chegou em Adora, que é uma cidade desse país, com intenção de avançar até
Jerusalém. Simão seguiu-o de perto com as suas tropas e acampou diante dele.
528. A guarnição da fortaleza de Jerusalém, nesse meio tempo, rogava
com insistência a Trífon que viesse em seu auxílio e enviasse víveres
imediatamente.
Ele mandou a cavalaria, que deveria chegar naquela mesma noite, mas
isso não foi possível por causa da neve que caiu e cobriu as estradas, de modo
que os homens e os animais não puderam passar.
529. Trífon foi à Baixa Síria e, atravessando o país de Galaade, mandou
matar e enterrar Jônatas. Logo depois, voltou a Antioquia. Simão transportou
os despo-jos do irmão da cidade de Basca a Modim, onde o sepultou. O povo
sofreu imensamente a sua perda, e Simão mandou construir, tanto para seu
pai quanto para sua mãe e seus irmãos, um soberbo túmulo de mármore
branco e polido, tão alto que podia ser visto de longe. Ao redor dele, havia arcos
em forma de pórtico, e cada uma das suas colunas era feita de um único bloco
de pedra. Para indicar as sete pessoas da família, ele colocou sete pirâmides de
grande altura e de maravilhosa beleza. Essa obra tão magnífica pode ser vista
ainda hoje.
530. Com isso, pode-se imaginar o amor e a ternura que Simão nutria
pelos parentes, particularmente por seu irmão Jônatas, que morreu quatro
anos depois de ter sido elevado à honra e à dignidade de príncipe de sua nação
e sumo sacerdote. O povo escolheu Simão de comum acordo para substituí-lo.
Desde o primeiro ano, quando foi constituído nesses dois elevados cargos, ele
libertou os judeus da escravidão dos macedônios, aos quais não pagavam mais
os tributos, o que aconteceu cento e setenta anos depois que Seleuco,
cognominado Nicanor, se apoderou da Síria.
Toda a nossa nação apreciou e admirou tanto a virtude de Simão, que não
somente nos atos particulares, mas também nos públicos, se dizia: Feito no
ano tal do governo de Simão, príncipe dos judeus, ao qual toda a sua nação
tanto deve. Pois eles desfrutaram durante o seu governo toda espécie de
prosperidade e obtiveram diversas vitórias sobre os povos vizinhos, que lhes
eram contrários.
Essa grande personagem saqueou as cidades de Cazara, Jope e de
Jamnia, tomou de assalto a fortaleza de Jerusalém, que arrasou até os
alicerces, para impedir que os inimigos se pudessem servir dela para fazer
ainda algum mal ao povo judeu. Mandou também arrasar o monte sobre o qual
estava situada, a fim de que somente o Templo estivesse em lugar elevado. Para
realizar tão grande obra, mandou reunir todo o povo e falou-lhe com tanta
energia dos males que eles haviam sofrido das guarnições daquelas fortalezas e
dos que poderiam ainda sofrer, se algum príncipe estrangeiro a reconstruísse,
que todos resolveram iniciar esse tão grande trabalho. Empregaram nessa obra
três anos, sem parar, nem de dia nem de noite, aplainaram todo o monte, e
nada mais ficou de elevado ao redor do Templo.",