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Livro Decimo Quarto Flávio Josefo

Capítulo 22 Flávio Josefo

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"DEPOIS DA DERROTA DE CÁSSIO, PERTO DE FILIPOS, ANTÔNIO VEM À ÁSIA.
HERODES GANHA A SUA AMIZADE POR MEIO DE GRANDES PRESENTES.
DETERMINAÇÕES FEITAS POR ANTÔNIO EM FAVOR DE HIRCANO E DA
NAÇÃO JUDAICA.",
"604. Cássio foi vencido em Filipos por Antônio e por Augusto. Este último
passou para as Cálias, e Antônio veio para a Ásia. Quando chegou a Bitínia,
embaixadores de diversas nações foram procurá-lo, e alguns dos mais influen-
tes judeus acusaram Fazael e Herodes, dizendo que Hircano era rei apenas na
aparência e que eles é que reinavam de verdade. Herodes veio justificar-se e por
uma grande soma de dinheiro conseguiu ganhar Antônio, de tal modo que este,
não se contentando em tratá-lo com muita distinção, nem mesmo quis ouvir os
seus acusadores.
Quando Antônio estava em Éfeso, Hircano, sumo sacerdote, e o povo
judeu enviaram-lhe embaixadores, que levaram para ele uma coroa de ouro e
rogaram que escrevesse às províncias, mandando pôr em liberdade os de sua
nação levados como escravos por Cássio, contra o direito da guerra, como
também ordenando que devolvessem as terras que injustamente lhes haviam
tirado. Ele achou o pedido razoável, concedeu-lhes o que pediam e escreveu a
Hircano e aos tírios as seguintes cartas:
Marco Antônio, imperador, a Hircano, sumo sacerdote dos judeus,
saudação. Lisímaco, filho de Pausânias, José, filho de Meneu, e Alexandre, filho
de Teodoro, vossos embaixadores, vieram procurar-nos em Éfeso para
confirmar as promessas já feitas em Roma acerca do afeto que vós e toda a
vossa nação tendes por nós, e nós os recebemos com grande alegria, porque as
vossas ações, a vossa virtude e a vossa piedade nos persuadem ainda mais que
as vossas palavras. Como os inimigos nossos e do povo romano devastaram
toda a Ásia sem poupar as cidades e os lugares santos e não tiveram
escrúpulos em faltar à palavra e violar os seus juramentos, não foi tanto o
nosso interesse particular quanto o bem geral de todos que nos levou a vingar
tanta crueldade para com os homens e tanta impiedade ofensiva aos deuses,
pois o próprio sol parece ter escondido os seus raios para não ver esse horrível
crime cometido na pessoa de César. A Macedônia recebeu esses celerados em
seu seio, e, como eles agiam furiosos, praticaram ali todo o mal possível e
imaginável, particularmente em Filipos. Apoderaram-se em seguida de todos os
lugares vantajosos, acobertaram-se nas muitas defesas dos montes, que se
estendem até o mar, e julgaram-se em segurança por haver uma única estrada
pela qual se podia ir a eles. Mas os deuses, horrorizados pelos seus detestáveis
desígnios, concederam-nos a graça de vencê-los. Bruto fugiu para Filipos, onde
o cercamos. Cássio pereceu com ele. Depois de termos castigado esses pérfidos
como eles mereciam, esperamos desfrutar no futuro uma paz feliz, e a Ásia será
libertada de tantas misérias que a guerra a fez sofrer. Parece que a nossa vitória
começa já a fazê-la respirar, como um doente que convalesce de grave
enfermidade. Tenhais vós e a vossa nação a certeza de ter parte nessa
felicidade, porque eu vos estimo muito para deixar de nesta ocasião procurar o
vosso benefício. Para vos dar prova disso, enviamos a todas as cidades ordem
para que ponham em liberdade todos os judeus, tanto livres quanto escravos,
que Cássio e os de seu partido venderam em leilão. Desejamos que todos os
favores que nós e Dolabela vos concedemos tenham a sua validade. Proibimos
também aos tírios empreender qualquer coisa contra vós e ordenamos que vos
entreguem tudo o que ocuparam no vosso país. Recebemos a coroa de ouro que
nos enviastes.
Marco Antônio, imperador, aos magistrados, ao senado e o povo de Tiro,
saudação. Hircano, sumo sacerdote e príncipe dos judeus, nos fez saber, por
meio de embaixadores, que ocupastes terras em seu país quando os nossos
inimigos se apoderaram daquela província. Mas, como empreendemos esta
guerra apenas para o bem do império, para proteger a justiça e a piedade, e
para punir os ingratos e os maus, queremos que vivais em paz com os nossos
amigos e aliados e que lhes restituais o que os nossos inimigos vos deram e que
lhes pertence. Pois nenhum daqueles que vos deram tal posse recebeu esse
encargo ou o comando do exército por autoridade do senado, e sim por
usurpação, concedendo parte disso aos ministros de suas violências. E agora
que eles receberam o castigo de que eram dignos, é justo e razoável que os
nossos aliados entrem na posse pacífica de seus bens. Assim, se ainda ocupais
alguma das terras pertencentes a Hircano, príncipe dos judeus, da qual vos
apoderastes quando Cássio veio fazer uma guerra injusta no nosso governo,
certamente as restituireis sem dificuldade. E, se pretendeis ter nelas algum
direito, podereis dizer-nos as vossas razões quando passarmos por essa pro-
víncia, e os nossos aliados, por sua vez, apresentarão também as suas.
Marco Antônio, imperador, aos magistrados, ao senado e ao povo de Tiro,
saudação. Nós vos enviamos a nossa ordem e desejamos que ela seja escrita em
grego e em romano e posta nos vossos arquivos, em lugar de destaque, a fim de
que todos as possam ler.
Numa assembléia em que os tírios travavam de seus negócios, Marco An-
tônio, imperador, disse: Depois de termos reprimido pelas armas o orgulho e a
insolência de Cássio, que por mercê de agitações apoderou-se de um governo
que não lhe pertencia absolutamente e se serviu de soldados que não estavam
sob seu comando, devastando a judéia, embora essa nação seja amiga do povo
romano, queremos reparar por justas sentenças e determinações eqüitativas as
injustiças e violências que ele cometeu. Para isso, determinamos que todos os
bens tomados ao judeus lhes sejam restituídos e que os que dentre eles foram
feitos escravos sejam postos em liberdade. E, se alguém ousar desobedecer à
presente determinação, seja castigado segundo a sua falta o merece.
Antônio escreveu a mesma coisa aos de Sidom, de Antioquia e de Arade.
Julguei dever referir aqui tudo isso para mostrar o interesse que o povo
romano sempre teve pela nossa nação.",