Livro Decimo Quarto Flávio Josefo
Capítulo 19 Flávio Josefo
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"CÁSSIO E MARCOS, PARTINDO DA SÍRIA, DÃO A HERODES O COMANDO DO
EXÉRCITO QUE HAVIAM REUNIDO E PROMETEM FAZÊ-LO REI. MALICO MANDA
ENVENENAR ANTIPATRO. HERODES DISSIMULA, FINGINDO NÃO O SABER.",
"600. Cássio e Marcos, após terem reunido um exército, deram o comando
a Herodes, bem como o de seus navios, e o fizeram governador da Baixa Síria,
prometendo fazê-lo rei depois que terminasse a guerra empreendida contra
Antônio e o jovem César (depois cognominado Augusto). Tão grande autoridade,
unida a esperanças ainda maiores, aumentou o temor que Malico tinha de
Antipatro. Resolveu por isso matá-lo. Para executar o seu projeto, subornou um
camareiro de Hircano, que o envenenou um dia, quando ambos jantavam em
casa desse príncipe dos judeus. Então Malico, seguido por soldados, foi à
cidade para impedir que essa morte causasse alguma agitação. Herodes e
Fazael, filhos de Antípatro, sentiram imenso a perda do pai e, tendo descoberto
a maldade daquele camareiro, não tiveram dificuldade em deduzir que fora
Malico o autor do crime, mas ele o negou terminantemente.
Esse foi o fim de Antípatro. Ele era um homem de bem e afeiçoadíssimo à
sua pátria. Herodes quis partir imediatamente com um exército contra Malico,
mas Fazael julgou mais conveniente dissimular, para surpreendê-lo, a fim de
que não os pudessem acusar de suscitar uma guerra civil. Assim, Herodes
fingiu prestar fé aos protestos que Malico fazia de não ter tido parte em tão
negra ação e ocupou-se em enriquecer o túmulo que fizera edificar para o pai.
Nesse meio tempo, ele veio a Samaria e a encontrou em grande desordem.
Então procurou acomodar as coisas e remediar as dificuldades entre os
habitantes.
Pouco tempo depois, próximo da celebração de uma grande festa em
Jerusalém, ele para lá se dirigiu com os seus soldados. Malico, espantado por
vê-lo chegar em tal companhia, convenceu Hircano a impedi-lo de entrar
daquela maneira, dizendo que não era permitido a profanos, como os que
estavam com Herodes, assistir às santas cerimônias. Herodes, porém, sem se
deter ante tal proibição, entrou de noite na cidade e assim tornou-se ainda mais
temível a Malico. O traidor recorreu aos seus embustes ordinários: chorava em
público a morte de Antípatro, que dizia ter sido seu amigo íntimo, enquanto
reunia soldados em segredo, para garantir a própria segurança. Herodes,
vendo-o desconfiado, julgou melhor não dar a conhecer que sabia de sua
hipocrisia. Preferiu fingir viver em paz com ele, para tranqüilizá-lo.",