🏠 Home ← Anterior Próximo →

Livro Decimo Quarto Flávio Josefo

Capítulo 12 Flávio Josefo

123456789101112131416171819202122232425262728
,
"CRASSO SAQUEIA O TEMPLO. É DERROTADO PELOS PARTOS COM TODO O SEU
EXÉRCITO. CÁSSIO RETIRA-SE PARA A SÍRIA E A DEFENDE CONTRA OS PARTOS.
GRANDE PRESTÍGIO DE ANTIPATRO, SEU CASAMENTO E SEUS FILHOS.",
"584. Crasso foi fazer guerra aos partos. Passou à Judéia e levou do
Templo não somente os dois mil talentos em que Pompeu não havia tocado,
mas tudo o que lá encontrou, no valor de mais ou menos oito mil talentos.
Tomou também ouro maciço, no peso de trezentas minas. (Cada mina pesa
duas libras e meia.) O sacerdote Eleazar, que tinha a guarda dos tesouros do
Templo, deu-lhe a barra de ouro não com mau fim, pois era homem de bem,
mas por ter ao mesmo tempo a guarda de toda a tapeçaria, de extrema beleza e
de altíssimo valor, que estava dependurada a essa barra. O temor de que
Crasso, possuído de ambição desmedida e cioso de se enriquecer, apanhasse
todos os ornamentos do Templo fê-lo pensar que podia entregar a barra de ouro
quase como para resgatar as outras riquezas, o que ele fez somente após
Crasso haver jurado não tocar em nada do que restava e contentar-se com tão
grande presente. Essa barra de ouro estava encerrada e escondida propo-
sitadamente numa barra de madeira, e somente Eleazar o sabia. Crasso, po-
rém, sem se incomodar em violar o seu juramento, apanhou tudo o que havia
no Templo, e não é de admirar que encontrasse muitas riquezas, pois todos os
judeus da Ásia e da Europa que ainda amavam a Deus as haviam oferecido
durante muitos anos.
Para provar que não exagero e que não é por orgulho de nossa nação que
digo que o que Crasso roubou do Templo alcançava uma enorme soma, eu
poderia citar vários historiadores. Contentar-me-ei, contudo, em relatar o que
diz Estrabão da Capadócia, com estas palavras: Mitridates mandou para a ilha
de Cós, a fim de apanhar o dinheiro que a rainha Cleópatra lá havia depositado
e oitocentos talentos dos judeus. Como não temos dinheiro público, a não ser o
que consagramos a Deus, claramente se deduz dessas palavras que, pelo medo
da guerra que Mitridates fazia aos judeus da Ásia, eles haviam mandado
aqueles oitocentos talentos para a ilha de Cós. Do contrário, que necessidade
tinham os da judéia, que possuíam além do Templo uma cidade tão forte, de
enviar dinheiro para essa ilha? É possível que os de Alexandria tenham sido
levados pelo mesmo temor a fazer a mesma coisa, se não tinham motivo para
temer Mitridates?
O mesmo Estrabão, falando da passagem de Silas pela Grécia para fazer
guerra a Mitridates e das tropas que Lúculo mandou a Cirene para dominar a
revolta de nossa nação, confirma a mesma coisa e mostra que o povo estava
espalhado por toda a terra. Eis as palavras desse autor: Havia na cidade de
Cirene burgueses trabalhadores, estrangeiros e judeus. Estes se acham
disseminados por todas as cidades, e seria difícil encontrar um lugar em toda a
terra que não os tenha recebido ou onde eles não se tenham pacificamente
estabelecido. O Egito e Cirene, quando estavam submetidos a um mesmo
soberano, e várias outras nações tanto apreciaram os judeus que abraçaram os
seus costumes. E, tendo sido criados e educados com eles, observaram as
mesmas leis. Há também no Egito várias colônias de judeus, sem falar de
Alexandria, onde eles ocupam uma grande parte da cidade e onde têm
magistrados para resolver todas as suas questões segundo as suas leis e
confirmar os contratos e outros atos entre eles, como nas repúblicas mais
absolutas. O que fez essa nação se estabelecer de tal sorte no Egito foi que os
egípcios tem a sua origem dos judeus, e esses dois países são tão próximos que
facilmente se pode passar de um ao outro. Assim também Cirene, que não
somente está perto do Egito, mas é parte dele.
585. Depois de fazer o que quis na Judéia, Crasso marchou contra os
partos, mas foi derrotado por eles, com todo o seu exército, como dissemos
alhures. Cás-sio retirou-se para a Síria, de onde resistia aos partos, que,
orgulhosos com a vitória, lá faziam incursões. Depois veio a Tiro e passou à
Judéia, onde tomou Tariquéia, levando escravos cerca de trinta mil homens.
Pitolau, que havia abraçado o partido de Aristóbulo, estava entre os
prisioneiros. Cássio os matou, a conselho de Antipatro, que, além de ter grande
prestígio perante ele e na Iduméia, desposara uma mulher das mais ilustres
famílias da Arábia, de nome Ciprom, da qual teve quatro filhos — Fazael,
Herodes, que depois foi rei, José e Feroras — e uma filha, de nome Salomé.
Antipatro conquistou a amizade de vários príncipes pela maneira respeitosa
como os tratava e particularmente a do rei dos árabes, ao qual ele confiou os
seus filhos quando fazia guerra a Aristóbulo. Cássio, depois de reunir mais
forças, marchou para o Eufrates a fim de combater os partos, como o dizem
outros historiadores.",