Livro 5 - Capítulo 1 - Evágrio Escolástico, História Eclesiástica

A ASCENSÃO DE JUSTIN II.

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Dessa forma, Justiniano partiu para a mais baixa região da retribuição, após ter semeado confusão e tumultos por todos os lados, e ter recebido, ao final da vida, a recompensa por seus atos. Seu sobrinho Justino sucedeu-o na coroa, tendo anteriormente ocupado o cargo de guardião do palácio, chamado em latim de Curopalata. Ninguém, exceto aqueles que o cercavam, soube da morte de Justiniano ou da declaração de Justino, até que este fez sua aparição no hipódromo, assumindo formalmente as funções reais. Limitando-se a esse simples procedimento, retornou ao palácio.

Seu primeiro édito foi o de dispensar os bispos para suas respectivas dioceses, onde quer que estivessem reunidos, com a condição de que mantivessem o que já estava estabelecido na religião e se abstivessem de novidades em matéria de fé. Esse procedimento foi honroso para ele. Em seu modo de vida, porém, era dissoluto , totalmente entregue ao luxo e aos prazeres desmedidos; e a tal ponto era inflamado pelo desejo de possuir os bens alheios, que transformava tudo em meio de ganho ilícito; não temia a Divindade nem mesmo no caso dos bispados, mas os tornava objeto de venda pública a qualquer comprador que se apresentasse. Possuído, como estava, pelos vícios da audácia e da covardia, ele, em primeiro lugar, convocou seu parente Justino, um homem universalmente famoso por sua habilidade militar e outras distinções, que na época estava estacionado no Danúbio, empenhado em impedir que os ávaros cruzassem o rio.

Esses eram de uma das tribos citas que viviam em carroças e habitavam as planícies além do Cáucaso. Tendo sido derrotados por seus vizinhos, os turcos, migraram em massa para o Bósforo; e, tendo posteriormente deixado as margens do Mar Negro — onde havia muitas tribos bárbaras, e onde também cidades, castelos e alguns portos haviam sido construídos pelos romanos, sendo assentamentos de veteranos ou colônias enviadas pelos imperadores — prosseguiram sua marcha, em constante conflito com os bárbaros que encontravam, até chegarem à margem do Danúbio; e de lá enviaram uma embaixada a Justiniano.

Desta região Justino foi convocado, por ter direito ao cumprimento dos termos do acordo entre ele e o imperador. Pois, como ambos possuíam igual dignidade e a sucessão ao império estava em suspenso entre os dois, eles concordaram, após muita disputa, que aquele que viesse a deter a soberania conferiria o segundo lugar ao outro; de modo que, embora estivesse abaixo do imperador, ainda assim teria precedência sobre todos os outros.

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