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Livro Decimo Setimo Flávio Josefo

Capítulo 12 Flávio Josefo

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,
"GRANDE REVOLTA NA JUDÉIA, ENQUANTO ARQUEIAU ESTAVA EM ROMA.
VARO, GOVERNADOR DA SÍRIA, REPRIME-A. FILIPE, IRMÃO DE ARQUEIAU,
VAI TAMBÉM A ROMA, NA ESPERANÇA DE OBTER UMA PARTE DO REINO.
OS JUDEUS MANDAM EMBAIXADORES A AUGUSTO PARA PEDIR-LHE QUE OS
DISPENSE DE OBEDECER AOS REIS E QUE OS REÚNA À SÍRIA. FALAM-LHE
CONTRA ARQUELAU E CONTRA A MEMÓRIA DE HERODES.",
"749. Antes de Augusto dar por terminado este assunto, Maltacé, mãe de
Arqueiau, caiu doente e morreu. Augusto soube por cartas de Varo, governador
da Síria, que depois da partida de Arqueiau haviam surgido grandes
perturbações na judéia; que ele para lá tinha ido logo, com suas tropas, que
tinha feito castigar todos usar autores, e depois de ter dominado quase
totalmente a sedição, tinha voltado a Antioquia. Essas cartas acrescentaram
que ele tinha deixado uma legião em Jerusalém, para impedir que ainda se
pudessem revoltar.
750. Assim, parecia que nada mais havia a temer, mas aconteceu
justamente o contrário. Sabino, vendo-se fortalecido com tropas enviadas por
Varo, procurou tornar-se senhor das fortalezas; não houve que sua incrível
avareza o não fizesse empreender, para encontrar o dinheiro deixado por
Herodes. Os judeus ficaram muito irritados; a festa de Pentecostes aproximava-
se e eles vieram em grande número, de todos os lugares, não somente da
Judéia, mas da Galiléia, da Iduméia, de Jerico e de além do Jordão, pelo desejo
de se vingar Sabino, bem como por seu sentimento de piedade. Dividiram-se em
três corpos, um dos quais ocupou o hipódromo, outro sitiou o Templo, dos
lados do norte e do oriente; e o terceiro sitiou-o, do lado do ocidente, onde
estava o palácio real. Rodearam assim os romanos de todos os lados e se
preparavam para atacá-los. Sabino, atônito por vê-los tão animados e resolvidos
a morrer ou a executar o seu empreendimento, escreveu a Varo pedido-lhe que
viesse com urgência, para socorrer a legião que ele lá havia deixado, que, de
outro modo, corria risco de ser inteiramente dizimada. Ele subiu depois à torre
mais alta do castelo que Herodes tinha construído e à qual tinha dado o nome
de Fazaela, em nome de Fazael, seu irmão, morto pelos partos, de onde fez sinal
com a mão aos romanos, que dessem um ataque contra os judeus, querendo
assim que, ao mesmo tempo em que ele não ousava confiar nos amigos, os
outros se expusessem ao perigo em que sua avareza os havia lançado. Os
romanos atacaram; o combate foi acirrado e vários judeus foram mortos. Mas
essa perda não enfraqueceu o seu ardor. Uma parte subiu sobre os pórticos da
última muralha do Templo, de onde lançaram uma grande quantidade de
pedras sobre os romanos, uns com a mão, outros com fundas, outros atiraram
também contra eles uma chuva de flechas e dardos; os que os romanos lhes
lançavam de baixo, não chegavam a atingi-los. O combate durou assim, por
muito tempo; por fim os romanos, não podendo mais tolerar que seus inimigos
tivessem tal vantagem sobre eles, puseram fogo ao pórtico, sem que eles o
percebessem e lançaram-lhe ainda grande quantidade de madeira. As chamas
subiram logo até o telhado e como lá havia grande quantidade de piche, e de
cera, com que se haviam fixado os ornamentos e as douraduras, ele incendiou-
se facilmente. Aquelas soberbas cornijas ficaram logo reduzidas a cinzas e os
que estavam em cima, surpreendidos pelo fogo, pereceram todos. Uns caíram
de cima do teto, outros foram mortos pelos dardos que os romanos lhes
lançavam, alguns, assustados pelo perigo e levados pelo desespero mataram-se
ou se precipitaram nas chamas, e os que para se salvar queriam descer por
onde haviam subido caíram nas mãos dos romanos que os mataram com
grande facilidade, porque, não estando armados, sua coragem, por maior que
fosse, tornava-lhe a resistência de todo inútil. Assim, nem um só conseguiu
escapar, de todos quantos haviam subido ao teto do Templo. Os romanos então,
apertando-se, passaram pelas chamas, para ir até onde o dinheiro consagrado
por Deus estava guardado. Os soldados levaram-lhe uma parte e sabino parece
ter recebido apenas quatrocentos talentos. Esse roubo do tesouro sagrado e a
morte de vários dos mais ilustres judeus que pereceram naquele combate,
deixaram os outros muito aflitos, mas não os fizeram perder a coragem. Um
corpo dos mais valentes cercou o palácio real, ameaçou incendiá-lo e matar
todos os que lá estavam, se não saíssem imediatamente; prometeu-lhes, se se
retirassem, não lhes fazer mal algum, nem a Sabino, nem aos que estavam com
ele, entre os quais, a maior parte dos gentis-homens da corte e Rufo e Grato
que comandavam três mil homens dos mais valorosos soldados do exército de
Herodes, cuja cavalaria obedecia a Rufo, que tinha também abraçado e
fortificado de muito, o partido dos romanos. Os judeus prosseguindo sua
empresa com grande ardor solaparam os muros e exortaram ao mesmo tempo
os romanos a não se expor mais em seu intento de recobrar a liberdade. Sabino
ter-se-ia retirado de boa vontade com os soldados que tinha consigo, mas, o
mal que ele tinha feito aos judeus, impedia-lhe confiar em sua palavra;
condições tão vantajosas eram-lhe suspeitas e ele esperava o socorro de Varo.
751. Estando as coisas neste pé, em Jerusalém, houve ainda diversos
movimentos de agitação, em vários outros lugares da Judéia; uns a isso eram
levados pela esperança do lucro, outros, pelo desejo de vingança.
Dois mil dos melhores homens que Herodes tivera, e que foram
licenciados, reuniram-se e foram atacar as tropas do rei, comandadas por
Aquiabe, sobrinho de Herodes; mas como eram todos velhos soldados e muito
experimentados Aquiabe não ousou enfrentá-los no campo e retirou-se com os
seus a dois lugares fortes e de difícil acesso.
Por outro lado judas, filho de Ezequias, chefe dos ladrões que Herodes
outro-ra tinha trucidado com grande dificuldade, reuniu perto da cidade de
Séforis, na Caliléia, um numeroso grupo de homens e entrou nas terras do rei,
apoderou-se do arsenal, armou os seus, apanhou todo o dinheiro desse
príncipe, que encontrou nos lugares vizinhos, saqueou tudo o que encontrou,
tornou-se temível a todo o país; sua audácia o levava mesmo a aspirar à coroa,
não que ele julgasse ter as qualidades que o poderiam elevar ao supremo cargo
de honra, mas porque a licença de fazer o mal, dava-lhe a liberdade de tudo
empreender.
Um certo Simão, de que Herodes outrora tinham usado para assuntos
importantes e cuja força, tamanho e boa aparência faziam sobressair entre os
outros, teve a coragem de pôr a coroa na própria cabeça. Não somente um
grande número de gente seguiu-o, mas a loucura do povo, levou-o a saudá-lo
como rei e ele tinha tão boa opinião de si mesmo, que se persuadiu de que
nenhum outro melhor do que ele merecia mesmo sê-lo. A primeira coisa que fez
foi pôr fogo no palácio real de Jerico. Queimou depois vários outros, cujas
riquezas deu aos seus, e estava para empreender coisas importantes, quando
apareceram os obstáculos. Grato, que comandava as tropas do rei e que, como
vimos, se havia juntado aos romanos, veio contra ele e depois de um grande
combate onde os de Simão mostraram muito mais coragem do que ordem e
ciência na guerra, foram derrotados e ele mesmo, foi aprisionado num lugar
estreito, por onde pensava poder salvar-se e Grato fez cortar-lhe a cabeça.
Um grupo de outros homens, semelhante a este, que tinha seguido a
Simão, queimou também nesse mesmo tempo o palácio real de Amata, situado
nas margens do Jordão e via-se reinar então tal furor em toda a Judéia, quer
pela falta do rei, cuja virtude mantivesse o povo dentro do seu dever, quer
porque os romanos, em vez de apaziguar e acalmar o mal, reprimindo os
sediciosos, os irritavam ainda mais, com sua maneira insolente de agir e por
sua insaciável ambição e avareza.
Um certo Atronjo, cuja origem era tão baixa, que ele tinha sido antes um
simples pastor e tinha por único mérito ser muito forte e muito grande de
corpo, chegou ao cúmulo do atrevimento, de querer também fazer-se rei e
comprar com preço da própria vida, o poder de fazer mal a todos. Ele tinha
quatro irmãos, grandes e valentes como ele, que comandavam também um
grupo de soldados e se persuadiam de que, para se chegar ao poder, era
suficiente ter a coragem de tudo empreender. Uma grande multidão de gente se
uniu a esses cinco irmãos e Atronjo servia-se de seus irmãos como de seus
lugar-tenentes para fazer incursões de todos os lados enquanto ele com a coroa
na cabeça orientava os negócios e dava as ordens com soberana autoridade.
Assim, ficou por muito tempo nessa condição e podia-se dizer de algum modo
que ele não tinha em vão o nome de rei, pois tudo o que ele ordenava era feito e
executado. Seus maiores esforços foram contra os romanos e contra as tropas
do rei, que igualmente ele odiava, uns por causa dos males que faziam, outros
por causa do que haviam feito, sob o reinado de Herodes. Matou a muitos e
fazia-lhes dia a dia uma guerra mais cruel, quer pela esperança de enriquecer,
quer porque as vantagens que obtinha sobre eles inflamava-lhe a coragem. Um
grupo de romanos que levavam trigos e armas ao campo, tendo caído numa
emboscada que ele lhes armara perto de Emaús, aquele que os comandava e
quarenta dos mais valentes, foram mortos a flechadas e o resto, julgava-se
perdido, quando Grato sobreveio com tropas do rei e os salvou; mas os mortos
ficaram em poder dos revoltosos. Os cinco irmãos continuaram por muito
tempo a incomodar, desse modo, aos romanos, em diversos combates e a
aumentar os males de sua própria nação. Mas, por fim, um deles foi vencido e
preso por Grato e um outro foi preso por Ptolomeu. Atronjo caiu também depois
em poder de Arquelau e algum tempo depois, o último de todos, assustado com
a desgraça de seus irmãos, não tendo mais esperança de salvação porque o
cansaço e as doenças tinham arruinado seus soldados, entregou-se, sob
palavra, ao tio de Arquelau.
Em tão estranha confusão, que enchia toda a Judéia de latrocínio, apenas
alguém podia ajuntar um grupo de sediciosos, tomava logo o nome de rei. O
país estava estraçalhado, e a menor parte do mal caiu sobre os romanos,
porque os judeus, em vez de se reunir, para juntos voltarem contra eles suas
armas, dividiam-se entre esses sediciosos e matavam-se uns aos outros.
752. Varo, apenas soube pelas cartas de Sabino o que se passava e o
perigo que corria a legião sitiada em Jerusalém, tomou as outras que estavam
na Síria, com quatro companhias de cavalaria e as tropas auxiliares que ele
tirou dos reis e tetrarcas, para ir urgentemente em socorro dos seus e marcou o
encontro de todas as suas tropas em Tolemaida. Os de Berita aumentaram-nas
com mil e quinhentos homens, quando passaram pela sua cidade; Aretas, rei de
Petra, que pelo ódio que tinha a Herodes, tinha feito aliança com os romanos,
mandou-lhe também um corpo considerável de cavalaria e de infantaria. Depois
que Varo reuniu assim em Tolemaida, todo o seu exército, deu uma parte dele
ao seu filho, ajudado por um de seus amigos, com ordem de entrar na Galiléia,
que está perto de Tolemaida. Ele cumpriu essa ordem, pôs em fuga todos os
que quiseram oferecer resistência, tomou a cidade de Séforis, vendeu em leilão
todos os seus habitantes, incendiou-a e a reduziu a cinzas. Varo, por outro lado
marchou em pessoa para Samaria com o resto do exército, sem nada
empreender contra aquela cidade, porque ela não tomara parte na revolta e
acampou numa aldeia chamada Aro, que pertencia a Ptolomeu. Os árabes
incendiaram-na, porque seu ódio por Herodes era tão grande que se estendia
até aos seus amigos. O exército avançou depois para Safo e embora a praça
fosse forte, os árabes a tomaram, saquearam-na e a incendiaram como as
outras. Não perdoaram a nada do que encontraram no seu caminho e passaram
tudo a ferro e fogo. Quanto à cidade de Emaús que os habitantes tinham
abandonado, foi por ordem de Varo incendiada, como vingança, porque vários
romanos lá haviam sido mortos. Logo que os judeus que cercavam a legião
romana souberam que Varo se aproximava com seu exército, levantaram o
cerco e então os sitiados, os maiorais da cidade e José, neto do rei Herodes,
compareceram à sua presença; mas Sabino retirou-se secretamente para o mar.
Varo repreendeu severamente os habitantes de Jerusalém e eles desculparam-
se, protestando que de nenhum modo haviam participado do empreendimento,
mas que tudo fora feito pelo povo que tinha vindo de todas as partes para a
solenidade da festa; e muito ao contrário, em vez de terem eles sitiado os
romanos, eles mesmos haviam sido cercados por esse grande número de
estrangeiros.
Varo mandou em seguida uma parte de seu exército para uma cuidadosa
indagação em todo o reino procurando os autores da revolta; dois mil foram
crucificados e aos demais ele deixou livres. Como ele julgava não haver mais
necessidade de tropas e estava desgostoso com os males, que o desejo de
enriquecer tinha levado as suas a proceder contra suas ordens, ele as queria
mandar de volta, quando soube que dez mil judeus se haviam reunido.
Marchou rapidamente para dar-lhes combate, mas eles não ousaram esperar e
se entregaram a Aquiabe. Varo contentou-se de mandar os chefes a Augusto
que perdoou a maior parte deles e mandou castigar somente alguns dos
parentes de Herodes, que ele julgou merecer, porque nem a consideração do
sangue, nem da justiça não os havia podido manter no cumprimento do dever.
Depois que Varo apaziguou todas essas desordens, e restabeleceu a calma na
Judéia, deixou como guarnição na fortaleza de Jerusalém a mesma legião que
já lá estava antes e retirou-se para Antioquia.
753. Enquanto as coisas deste modo se passavam na (udéia, Arquelau
encontrou um novo obstáculo às suas pretensões, pelo motivo que passo a
dizer. Cinqüenta embaixadores dos judeus vieram com permissão de Varo
procurar Augusto, para pedir-lhe que lhes permitisse viver segundo suas leis; e
mais de oito mil judeus, que moravam em Roma, uniram-se a eles nessa
petição. O imperador, para esse fim, reuniu uma grande assembléia de seus
amigos dos mais ilustres romanos no templo de Apoio, que tinha feito construir
com ingentes despesas. Esses embaixadores, seguidos pelos outros judeus, lá
se apresentaram e Arquelau também compareceu com seus amigos; mas seus
parentes não sabiam que partido tomar, porque de um lado eles se odiavam, e
por outro, tinham vergonha de parecer favorecer, na presença do imperador,
aos inimigos de um príncipe de seu sangue. Filipe, irmão de Arquelau, que Varo
muito estimava, veio também da Síria a seu conselho, com o pretexto de ajudar
seu irmão, mas na verdade com a esperança de que se esses embaixadores
obtivessem o que desejavam e o reino fosse dividido entre os filhos de Herodes,
ele lhe pudesse também obter uma parte.
Os embaixadores falaram primeiro e disseram que não havia leis que
Herodes não tivesse violado, com sua conduta injusta e criminosa; que ele fora
rei só de nome, pois jamais tirano algum havia sido tão cruel, não se
contentando de empregar todos os meios de que os outros se serviam para a
desgraça de seus súditos, ele tinha inventado outros novos, que seria inútil
falar-se do grande número de judeus que ele tinha feito morrer, pois a condição
daqueles aos quais não tinham tirado à vida, era pior do que a dos mortos, quer
pelo temor contínuo que sua desumanidade lhes causava, quer porque ele os
despojava de todos os seus bens. Que ele tinha construído e embelezado as
cidades fora de seu território, apenas para arruinar as do seu reino com
horríveis impostos e exações. Que tendo encontrado a Judéia florescente e na
abundância, ele a havia reduzido à sua miséria anterior. Que ele tinha feito
morrer sem motivo, várias pessoas de posição, a fim de se apoderar de seus
bens e que os havia arrebatado também àqueles aos quais não tinha tirado a
vida. Que além de todos os impostos comuns, de que ninguém estava isento,
era-se ainda obrigado a dar grandes somas, para satisfazer à ambição de seus
amigos e dos seus cortesãos e para se livrar das injustas vexações de seus
oficiais. Que eles não falavam das moças que ele havia violado e das mulheres
de condição, às quais ele havia feito o mesmo ultraje, porque o único alívio que
elas poderiam ter em sua extrema dor era que tudo cairia logo no
esquecimento. Que enfim, se fora possível que um animal feroz, como ele,
tivesse o governo de um reino, não haveria quem tratasse os homens com mais
crueldade, do que esse príncipe os havia tratado, pois não se via em história
alguma, algo comparável aos males que ele lhes havia causado; e assim, na
suposição que faziam, de que aquele que o substituísse não usasse de um
proceder diferente, não faria dificuldade em reconhecer a Arquelau como rei,
que tinham em consideração a ele honrado a memória de seu pai, com um luto
público e que não havia serviços que não estivessem dispostos a lhe prestar
para ganhar-lhe a afeição; mas que ele, ao contrário, como se temesse que se
duvidasse de que era filho de Herodes, tinha logo manifestado que opinião se
devia ter dele, pois, sem esperar que o imperador o tivesse confirmado no reino
e quando toda sua fortuna dependia ainda de sua vontade, ele tinha dado aos
seus novos súditos uma tão bela prova de sua virtude, de sua moderação e de
sua justiça, começando por fazer degolar no Templo em vez de vítimas, três mil
homens da mesma nação; que se podia julgar por essa ação tão detestável se
eles faziam mal em odiar um homem, que depois de tal crime, os acusava de
sedição e de crimes de lesa-majestade. Os embaixadores terminaram
suplicando a Augusto que mudasse a forma de seu governo, não os sujeitando
mais a reis, mas anexando-os à Síria para dependerem somente daqueles aos
quais ele desse o governo e que então veriam se eles eram mesmo sediciosos e
se não saberiam obedecer aos que tinham o legítimo poder de governar.
Depois que os embaixadores assim falaram, Nicolau tomou a defesa de
Herodes e de Arquelau. Disse que, quanto ao primeiro, era estranho que
ninguém o tivesse acusado durante a vida — quando se podia esperar da
justiça do imperador o castigo de seus crimes, se fossem verdadeiros — e se
tentasse, depois de sua morte, desonrá-lo à sua memória. Quanto a Arquelau,
dever-se-ia considerar que a ação de que o censuravam, era somente devida à
insolência e à revolta dos que o haviam obrigado a castigá-los, quando calcando
aos pés todas as leis e o respeito que lhe deviam, tinham matado a golpes de
espada e a pedradas os que ele havia mandado para impedir que continuassem
a promover a agitação. Nicolau terminou seu discurso acusando-os de serem
facciosos, sempre prontos a se revoltar, porque não se podiam decidir a
obedecer às leis e à justiça, mas queriam ser senhores e dominar.",