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Livro Decimo Setimo Flávio Josefo

Capítulo 10 Flávio Josefo

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,
"HERODES MUDA SEU TESTAMENTO E DECLARA ARQUELAU SEU SUCESSOR.
MORRE CINCO DIAS DEPOIS DE ANTÍPATRO. SOBERBOS FUNERAIS FEITO POR
ARQUELAU A HERODES. GRANDES ACLAMAÇÕES DO POVO
EM FAVOR DE ARQUELAU.",
"741. Herodes mudou imediatamente o seu testamento. Em lugar do
precedente, em que tinha nomeado Antipas, seu sucessor, contentou-se neste
em nomeá-lo, tetrarca da Galiléia e da Peréia; deu o reino a Arquelau; a Filipe
seu irmão, a Traconítida, a Gaulanita e a Batanéia, que erigiu em tetrarquia; a
Salomé, sua irmã, jamnia, Azoto e Fazaelite, com cinqüenta mil peças de prata.
Deu ainda grandes presentes a todos os outros parentes, quer em dinheiro quer
em rendimentos anuais: deu a Augusto, além de sua baixela de ouro e de prata,
grande quantidade de móveis e objetos preciosos, dez milhões de peças de prata
e cinco milhões idênticas, à imperatriz e a alguns de seus amigos. Ele
sobreviveu a Antipatro, apenas cinco dias, e morreu trinta e quatro anos depois
de ter expulso Antígono do reino e trinta e sete, depois de ter sido declarado rei,
em Roma. Não houve jamais príncipe mais colérico, mais injusto, mais cruel e
mais favorecido pela sorte. Pois, tendo nascido em condição humilde, chegou a
subir ao trono, venceu perigos sem conta e viveu muitos anos. Quanto aos seus
dissabores domésticos, embora as tentativas de seus filhos contra ele o
tivessem tornado muito infeliz, segundo meu parecer, ele foi mesmo feliz nisso,
segundo o juízo que disso ele fazia, porque não os considerando mais como
seus filhos, mas como inimigos, ele os castigou e vingou-se deles.
742. Antes que a notícia de sua morte fosse divulgada, Salomé e Alexas
puseram em liberdade todos aqueles judeus ilustres que estavam encerrados no
hipódromo e disseram que o faziam por ordem do rei e nisto merecem os
agradecimentos de nossa nação; quando a morte de Herodes se tornou conhe-
cida, eles fizeram reunir no anfiteatro de jerico todos os soldados, para entre-
gar-lhes uma carta que o príncipe lhes havia escrito. Ela foi lida publicamente e
dizia que lhes agradecia o afeto e a fidelidade que sempre lhe haviam demons-
trado e rogava que continuassem a servir a Arquelau, que ele tinha nomeado
seu sucessor no reino. Ptolomeu, a quem ele tinha confiado o seu selo, leu
também seu testamento que dizia expressamente que isso só se poderia fazer,
depois de Augusto o tivesse confirmado. Ouviu-se então um clamor, enchendo
os ares: Viva o rei Arquelau! Os soldados e os chefes prometeram servi-lo com
a mesma fidelidade com que tinham servido ao rei, seu pai, e desejavam-lhe um
longo e feliz reinado.
743. O novo príncipe pensou então em organizar soberbos funerais para
o rei, seu pai, e quis mesmo estar presente à cerimônia. O corpo adornado com
as insígnias reais tinha uma coroa de ouro na cabeça e um cetro na mão, era
levado numa liteira de ouro, enriquecida com pedras preciosas. Os filhos do
falecido e seus parentes próximos seguiam a liteira, todos os soldados
marchavam perto, separados por nações. Os trácios, os alemães e os gauleses
vinham na frente; os outros, seguiam-nos; todos com seus comandantes,
armados como para um combate. Quinhentos oficiais domésticos do falecido rei
traziam perfumes e encerravam o magnífico cortejo. Marcharam nessa ordem,
por oito estádios, desde jerico até o castelo de Herodiom, onde o enterraram,
como ele tinha determinado.
744. Depois que o novo rei celebrou, segundo o costume do país, o luto de
seu pai, deu um banquete ao povo e subiu ao Templo. Clamava-se viva o rei,
por toda parte por onde ele passava e depois que ele se sentou sobre o trono de
ouro, os clamores aumentaram, com votos pela prosperidade do seu reinado.
Ele a todos recebeu com muita bondade e testemunhou-lhes sua gratidão, por
nada ter diminuído de seu afeto por ele, com a recordação da severidade com
que seu pai os havia tratado; afirmou-lhes que lhes daria provas do seu
reconhecimento, disse-lhes que não tomaria ainda o nome de rei, até que
Augusto tivesse confirmado o testamento de seu pai e que ele tinha recusado,
por essa mesma razão, receber o diadema que todo o exército lhe havia
oferecido em jerico. Mas logo que o tivesse recebido de Augusto, que somente
tinha o poder de dar-lho, ele mostraria por suas ações, que tinham razão de
amá-lo e esforçar-se-ia para torná-los mais felizes do que haviam sido durante o
reinado de seu pai. Como é costume do povo, persuadir-se de que os príncipes,
ao seu advento ao trono agem com muita sinceridade, estas palavras de
Arquelau que lhe eram tão favoráveis, fez redobrar as aclamações:
acrescentaram ainda outros louvores, maiores e mais entusiastas e tomaram a
liberdade de lhe pedir diversas graças: uns, a diminuição dos tributos, outros, a
libertação de vários prisioneiros, que o rei, seu pai, havia feito meter na prisão,
muitos das quais já lá estavam há muito tempo; outros ainda, a abolição do
direito de peagem e dos impostos sobre mercadorias. O novo soberano que
pensava em firmar cada vez mais o seu poder, julgou nada lhes poder recusar;
depois de terminados os sacrifícios, ele deu um banquete aos seus amigos.",