Livro Terceiro Flávio Josefo
Capítulo 5 Flávio Josefo
,
"DESCRIÇÃO DO TABERNÁCULO.",
"116. Estando assim preparadas todas as coisas, os vasos de ouro e de
cobre, os diversos ornamentos e as vestes sacerdotais, Moisés, depois de
anunciar que aquele seria um dia de festa e que cada qual, segundo as suas
posses, ofereceria um sacrifício a Deus, começou a fazer o Tabernáculo, deste
modo:
Ordenou primeiro que se fizesse um cercado, no meio do qual o
Tabernáculo devia ser construído, medindo cem côvados de comprimento e
cinqüenta de largura. Havia de cada lado, no sentido do comprimento, vinte
colunas de bronze e dez no fundo, no sentido da largura, cada uma com cinco
côvados de altura. As suas cornijas eram de prata, com anéis também de prata.
As suas bases, que eram de bronze dourado, tinham longas pontas por baixo,
para serem fincadas na terra, semelhantes às que se põem na extremidade das
lanças. Havia na extremidade inferior de cada coluna um prego de cobre, sendo
que a parte que sobressaía da terra tinha um côvado de alto e aí amarravam-se
cabos, os quais passavam pelos anéis para se fixarem no teto do Tabernáculo e
assim firmá-lo contra a violência dos ventos. Um grande véu de linho estendido
em redor, desde as cornijas até a base, cercava como um muro todo o recinto.
Assim eram os dois lados e o fundo.
A frente desse recinto tinha também cinqüenta côvados, e havia nessa
extensão uma abertura de vinte côvados, para servir de entrada. De cada lado
da abertura, existia uma coluna dupla de bronze revestida de prata, exceto a
base. Essa dupla coluna era seguida, para dentro do recinto, por três outras
colunas, dispostas de cada lado em linha reta, em distância proporcionada para
formar um vestíbulo de cinco côvados de extensão, que também era cercado,
como o resto do recinto, por um véu de linho. Um outro véu, de vinte côvados
de comprimento e cinco de altura, pendia à entrada e à saída. Era tecido de
linho, púr-pura e jacinto e reproduzia diversas figuras, nenhuma, porém, de
animal. Havia dentro do vestíbulo um grande vaso de cobre sobre uma base do
mesmo metal, de onde os sacerdotes tomavam a água para lavar as mãos e
borrifar os pés.
Moisés mandou colocar o Tabernáculo no meio, mas voltou-lhe a entrada
para o oriente, a fim de que o Sol, ao nascer, o alumiasse com os primeiros
raios. O Tabernáculo media trinta côvados de comprimento e doze de largura.
Um de seus lados estava voltado para o sul, o outro para o norte e o fundo para
o ocidente. Cada lado era composto de vinte pranchas de madeira cortadas em
ângulo reto, cada uma com um côvado e meio de largura e quatro dedos de
espessura. Eram todas revestidas com lâminas de ouro, e havia por fora de
cada prancha dois ferrolhos, um no alto e o outro embaixo, que passavam
através de dois anéis, os quais prendiam as pranchas uma à outra. O lado do
ocidente, que era o fundo do Tabernaculo, era composto de seis peças de
madeira dourada de todos os lados e tão bem unidas que pareciam uma só.
Vê-se, pela descrição das peças que compunham cada um dos lados, que
elas chegavam todas juntas ao comprimento de trinta côvados, pois havia vinte
delas e cada uma tinha um côvado e meio de largura. Quanto ao que se refere
ao fundo do Tabernaculo, as seis peças de que falamos atingiam apenas nove
côvados, e aí se unia uma de cada lado, de mesma largura e altura que as
outras, porém muito mais grossas, porque deviam ser postas nos ângulos desse
edifício. No meio de cada uma dessas peças, havia um prego dourado, e todos
os pregos estavam colocados numa mesma linha, de tal modo que se
defrontavam todos. Grandes bastões dourados, medindo cinco côvados cada
um, entravam nesses pregos e uniam todas as pontas, porque os bastões
encaixavam-se uns nos outros.
Quanto à parte posterior do edifício, além dos ferrolhos de que falei, que
prendiam as pranchas, ela era firmada por meio de um bastão dourado que
passava, como os outros, pelos anéis das peças de madeira. As extremidades
dos que firmavam os dois lados, vindo todas a cruzar-se nos ângulos da
construção, encaixavam-se umas às outras e uniam de tal modo os lados do
Tabernaculo que ele não podia ser derrubado pela violência do vento.
Quanto à parte interna do Tabernaculo, a sua extensão era dividida em
três partes, de dez côvados cada uma, medindo dez côvados de fundo. Na parte
dianteira, havia quatro colunas de mesma matéria e forma, cujas bases eram
todas semelhantes às que mencionamos há pouco e estavam colocadas a igual
distância entre si. Os sacerdotes podiam transitar por todo o resto do
Tabernaculo, mas o espaço contido entre as quatro colunas era inacessível, e ali
não lhes era permitido entrar. A exata divisão do Tabernaculo em três partes
era a figura do mundo. A do meio era como o céu, onde Deus habita, e as
outras, que estavam abertas para os sacerdotes, representavam o mar e a terra.
Puseram à entrada cinco colunas de ouro sobre bases de bronze e por
cima do Tabernaculo estenderam véus de linho cor de púrpura, jacinto e
escarlate. O primeiro desses véus tinha dez côvados quadrados e cobria as
colunas que separavam esse lugar tão santo de todo o resto, a fim de impedir a
vista dos homens. Tudo isso era chamado santo, mas o espaço contido entre
essas quatro colunas era chamado o SANTO DOS SANTOS. Sobre esse véu de
que acabo de falar estavam representadas todas as espécies de flores e outros
ornamentos que embelezam a terra, com exceção dos animais. O segundo véu
era semelhante ao primeiro, tanto na matéria quanto no tamanho, no tecido e
nas cores. Estava fixado no alto por presilhas e descia cobrindo até a metade as
cinco colunas. Era o lugar por onde entravam os sacerdotes. Havia sobre esse
véu um outro, com anéis, pelos quais passava um cordão, para o arriamento,
principalmente nos dias de festa, a fim de que o povo pudesse ver o primeiro
véu, que estava cheio de figuras. Nos outros dias, principalmente quando o
tempo não era bom, o segundo véu, feito de um pano apropriado, resistente à
chuva, era estendido por cima do outro, para resguardá-lo. Observou-se ainda,
após a construção do Templo, de se pôr um pano semelhante à entrada.
Havia, além disso, dez panos de arras, cada um medindo vinte e oito
côvados de comprimento e quatro de largura. Estavam tão bem presos, com
presilhas de ouro, que pareciam formar uma única peça. Serviam para cobrir
toda a parte superior e todos os lados do Tabernáculo, faltando apenas um pé
para tocarem a terra. Havia também outras onze peças de mesma largura —
mais longas, porém, medindo cada uma trinta côvados de comprimento. Eram
tecidas em pêlo, com tanta arte como as de lã, e estavam estendidas por fora,
sobre as outras peças de panos, que ornavam o interior. Elas se uniam todas
no alto, pendiam até quase a terra e formavam como que uma espécie de
pavilhão. A undécima dessas peças servia para cobrir a porta. Todo o pavilhão
estava coberto de peles de cabra, para preservá-lo da chuva e dos ardores do
sol. Quando era descoberto, não podia ser visto de longe sem admiração,
porque o brilho de tantas e tão diversas cores fazia que se julgasse ver o céu.",