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Livro Terceiro Flávio Josefo

Capítulo 3 Flávio Josefo

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,
"REUEL, SOGRO DE MOISÉS, VEM ENCONTRÁ-LO E DÁ-LHE EXCELENTES
CONSELHOS.",
"111. Êxodo 18. Reuel, sogro de Moisés, tendo sabido desses felizes
resultados, veio encontrá-lo, para também louvar a Deus com ele, e trouxe
Zipora, sua filha, e os netos. Moisés sentiu tanta alegria que ofereceu um
banquete a todo o povo, próximo da sarça que ele vira arder e que não se
consumia. Arão, Reuel e toda aquela grande multidão cantaram em comum,
nesse banquete, hinos em honra de Deus, a quem bendiziam como o Autor de
sua liberdade e de sua salvação. Dirigiram também louvores a Moisés, a quem
reconheciam dever, depois de Deus, tão gloriosos e felizes acontecimentos.
Reuel celebrou com cânticos a glória que o exército merecia e particularmente
Moisés, a cuja sábia orientação muito o povo devia.
No dia seguinte, Reuel notou que Moisés estava sobrecarregado pela
multidão de negócios, porque todos se dirigiam a ele para resolver as suas
dúvidas e litígios, persuadidos de que nenhum outro, senão ele, seria capaz de
o fazer. O povo estava tão convencido do interesse dele e de seu amor pela
justiça que mesmo os que perdiam a causa acolhiam a sentença sem
murmurar. Ele não quis então falar-lhe, para não perturbar o prazer que o povo
sentia em ser julgado pelo seu admirável guia. Quando ele se retirou, porém,
aconselhou-o, a sós, que escolhesse pessoas competentes e de confiança para
resolver os assuntos menos importantes e que reservasse para si apenas o que
se referia ao bem e à salvação do povo, assuntos cujo peso somente ele poderia
suportar.
Disse-lhe mais Reuel: Assim, não ignorais quais são as graças que Deus
vos concedeu nem que Ele se serviu de vós para livrar este povo de tantos
perigos. Deixai, pois, que outros decidam as questões que surgem entre eles,
em particular, e entregai-vos inteiramente ao serviço de Deus, para vos
tornardes ainda mais capaz de assistir-lhes em suas necessidades mais
prementes, julgaria também apropriado que, depois de terdes feito a revista de
todas as vossas tropas, vós as distribuísseis em diversos corpos de dez mil
homens, a cada um dos quais nomearíeis chefes, e que esses corpos fossem
divididos em regimentos de mil e de quinhentos homens, e os regimentos, em
companhias de cem e de cinqüenta homens, e essas companhias, ainda, em
esquadras de trinta, de vinte e de dez homens, comandados por oficiais que
teriam nomes conforme o número de soldados sob seu comando. Quanto aos
juizes, seria necessário escolhê-los entre os homens de bem e de reconhecida
virtude para decidir as divergências e as questões ordinárias. Quando houver
negócios mais importantes, poderão ser encaminhados aos príncipes do povo.
E, se ainda houver algum outro mais difícil, que eles não possam resolver,
reservareis então para vós o encargo de solucioná-lo. Por esse meio, a justiça
será feita a todos, nada vos impedirá de implorar continuamente o auxílio de
Deus e o tomareis cada vez mais favorável ao vosso exército.
Moisés não somente aprovou as advertências de Reuel, mas revelou em
plena assembléia quem as idealizara, dando assim ao sogro toda a glória. O
próprio Moisés o referiu nos Livros Santos, demonstrando o quanto estava
longe de arrebatar aos outros a honra que lhes era devida e que tinha virtude
bastante para elevar-se acima desses defeitos, tão comuns aos homens, como
veremos em outro lugar, por diversos exemplos. Reuniu depois todo o povo,
para avisar que iria tratar com Deus no monte e que esperava trazer-lhes novos
testemunhos da extrema bondade dEle para com o seu povo. Ordenou-lhes que
transferissem o acampamento para o mais próximo possível do monte, a fim de
ficarem mais perto da suprema Majestade, a quem eram devedores «de todas as
venturas.",