Livro Terceiro Flávio Josefo
Capítulo 12 Flávio Josefo
,
MURMURAÇÃO DO POVO CONTRA MOISÉS E O CASTIGO QUE DEUS LHES IMPÕE.",
"148. Números 11. O exército havia levantado acampamento perto do
monte Sinai e, tendo marchado durante alguns dias, chegaram a um lugar
chamado Iseremote.* Ali começaram novamente a murmurar e a lançar sobre
Moisés a culpa de todos os seus males, dizendo que fora por sua insistência
que haviam abandonado um dos melhores países do mundo; que, em lugar da
felicidade que os fizera esperar, viviam oprimidos por toda espécie de misérias;
que não tinham água; e que, se o maná lhes viesse a faltar, a morte lhes seria
inevitável.
Acrescentavam várias outras injúrias contra Moisés. Mas um dentre eles
declarou que não deviam esquecer assim os favores que lhe deviam nem
desesperar do socorro de Deus. Tais palavras, em vez de acalmá-los, irritaram-
nos ainda mais, e aumentaram a murmuração. Moisés, sem se admirar de vê-
los tão injustamente revoltados contra ele, disse-lhes que, embora não tivessem
razão alguma para tratá-lo daquele modo, prometia obter de Deus carne em
abundância, não somente para um dia, mas para vários. E, como não
quisessem acreditar nele e alguém lhe perguntasse como poderia dar de comer
a tão grande multidão, respondeu-lhe: Vereis logo que nem Deus nem eu, que
somos tão pouco considerados por vós, deixaremos de vos ajudar.
Apenas acabara de dizer essas palavras, todo o acampamento ficou
coberto de codomizes, de que cada qual tomou quanto quis. Mas Deus não
deixou de castigá-los imediatamente, pela insolência e pela maneira injuriosa
com que haviam tratado o seu servo. Isso custou a vida a vários deles, o que fez
com que se desse a esse lugar o nome que tem ainda hoje: Chibrotaba,** isto é,
sepulcros da concupiscência.
* Ou Hazerote.
** Ou Quibrote-Hataavá.",