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Livro Terceiro Flávio Josefo

Capítulo 10 Flávio Josefo

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,
"LEI QUE SE REFERE AOS SACRIFÍCIOS, AOS SACERDOTES, ÀS FESTAS E OUTRAS
SOLENIDADES, TANTO CIVIS QUANTO POLÍTICAS.",
"131. Narrarei, aqui, somente algumas das leis que se referem às
purificações e aos sacrifícios, pois estamos tratando dessa matéria. Há duas
espécies de sacrifícios: particulares e públicos. Estes são ainda de duas
maneiras, pois ou a vítima é totalmente consumida pelo fogo, o que lhe fez
merecer o nome de holocausto, ou é oferecida em ação de graças e comida com
essa mesma disposição por aqueles que a oferecem. Começarei por falar da
primeira.
Levítico 1. Quando um homem particular oferece um sacrifício, apresenta
um boi, um cordeiro e um cabrito. Os dois últimos não devem ter mais de um
ano e o boi pode ter mais, porém devem ser machos e consumidos totalmente.
Quando são imolados, os sacerdotes borrifam o altar com o sangue e, depois de
os lavarem bem, cortam-nos em pedaços, põem sal e os colocam sobre o altar,
onde o fogo já está aceso. Lavam depois os pés e as entranhas dos animais e as
lançam ao fogo com o resto. As peles, porém, pertencem aos sacerdotes. Assim
é que se faz, para os holocaustos.
Levítico 3. Nos sacrifícios que se fazem em ação de graças, matam-se
animais da mesma espécie, mas é preciso que sejam sem mancha e tenham
mais de um ano, não importando se forem fêmeas ou machos. Depois de
imolados os animais, os sacerdotes borrifam o altar com o sangue e em seguida
lá atiram os rins, parte do fígado e toda a gordura com a cauda do cordeiro. O
peito e a coxa direita pertencem aos sacerdotes, e os que oferecem o sacrifício
podem comer o que sobrar, durante dois dias, depois dos quais devem queimar
o que restou. A mesma coisa se deve observar nos sacrifícios oferecidos pelos
pecados. Os que não têm meios de sacrificar, porém, oferecem dos animais
somente duas pombas ou duas rolas, uma das quais é oferecida em holocausto,
sendo que a outra pertence aos sacerdotes, como explicarei mais
detalhadamente no tratado que escreverei sobre os sacrifícios.
Aquele que pecou por ignorância oferece um cordeiro e um cabrito, ambos
fêmeas e da idade que já dissemos. Mas os sacerdotes borrifam com o sangue
somente os ângulos do altar, em vez de borrifá-lo por inteiro, e colocam sobre o
altar os rins com uma parte do fígado e toda a gordura. Conservam para si a
pele e toda a carne, que comem durante aquele dia, no Tabernáculo. A Lei
proíbe que se guarde alguma coisa para o dia seguinte.
Aquele que pecou voluntariamente, mas em segredo, oferece um carneiro,
como a Lei o determina, e os sacerdotes comem-lhe também a carne, naquele
mesmo dia, no Tabernáculo.
Quando os chefes das tribos oferecem sacrifício pelos pecados, fazem-no
como o povo em geral, com esta única diferença: é preciso que o touro e o
cabrito sejam machos.
Levítico 2. A Lei determina também que nos sacrifícios, tanto particulares
quanto públicos, se leve com o cordeiro a medida de um gômer de farinha de
trigo, com um carneiro, dois gômeres e com um touro, três gômeres. Prescreve
ainda que se ofereça com o touro a metade de um him de óleo — antiga medida
dos hebreus que continha dois coros áticos —, com um carneiro, a terça parte
dessa medida e com um cordeiro, a quarta parte. Além disso, era obrigatório
oferecer a mesma quantidade de vinho, que se derramava em redor do altar. E,
se alguém, para cumprir um voto, oferece em sacrifício farinha de trigo, lança-
se um punhado sobre o altar e os sacerdotes tomam o resto para comer ou fazê-
la cozer, misturan-do-a com óleo ou fazendo bolos. Mas é preciso queimar tudo
o que o sacerdote oferece. A Lei proíbe oferecer em sacrifício um filhote de
qualquer animal sem oferecer também a mãe, caso aquele não tenha pelo
menos oito dias.
Oferecem-se também outros sacrifícios, tanto para se recuperar a saúde
quanto por qualquer outro motivo, e comem-se bolos com a carne dos animais,
dos quais os sacerdotes têm a sua parte, não lhes sendo permitido reservar
qualquer porção para o dia seguinte.
Números 22 e 29. A Lei manda ainda sacrificar todos os dias, à custa do
povo, ao nascer do dia e à tarde, um cordeiro de um ano e dois no dia de
sábado, que se oferecem do mesmo modo. Na lua nova, oferecem-se, além das
vítimas ordinárias, dois bois, sete cordeiros de um ano e um carneiro. E, se
alguma coisa fosse esquecida, oferecia-se um bode pelos pecados, e no sétimo
mês, ao qual os macedônios chamam hiperbereteom, ofereciam-se ainda um
touro, um carneiro, sete cordeiros e um bode, pelos pecados.
No décimo dia da lua do mesmo mês, jejua-se até a tarde. Sacrificam-se,
pelos pecados, um touro, um carneiro, sete cordeiros e um bode. E mais dois
bodes, um dos quais é levado vivo para fora do acampamento, para o deserto, a
fim de que o castigo merecido pelo povo por causa seus pecados caia sobre a
cabeça desse animal. O outro bode é levado a uma arrabalde, isto é, um lugar
próximo do acampamento e muito limpo, onde é queimado inteiro, com a pele, e
dele nada se reserva.
Queima-se também um touro, que não é dado pelo povo, mas pelo
sacerdote. Este, depois que levam ao Tabernáculo o sangue desse touro e o do
bode, mergulha o dedo nele e borrifa sete vezes a coberta e o pavimento e
outras tantas vezes a parte interna e as proximidades do altar de ouro e do
grande altar que está descoberto à entrada do Tabernáculo. Levam-se depois,
desses animais, as extremidades, os rins, parte do fígado e toda a gordura ao
altar, e o sumo sacerdote acrescenta, de seu, um carneiro, que é oferecido a
Deus em holocausto.
132. Levítico 23. No décimo quinto dia desse mesmo mês, aproximando-se
o inverno, foi dada ao povo ordem de firmar bem as suas tendas e os seus
pavilhões, cada um segundo as suas famílias, para que pudessem resistir ao
vento, ao frio e às outras vicissitudes dessa triste estação. E, quando
chegassem à terra que Deus lhes prometera, deveriam dirigir-se à cidade que
lhes seria a capital, porque nela o Templo seria construído, e ali celebrar uma
festa durante oito dias, oferecendo vítimas a Deus, umas para serem
queimadas em holocausto e outras em ação de graças, e levando em suas mãos
ramos de mirto, de salgueiro e de palmas, aos quais se prenderiam limões.
0 sacrifício que se faz no primeiro desses oito dias é de holocausto, no
qual se oferecem treze bois, catorze cordeiros, dois carneiros e um bode, para a
expia-ção dos pecados. Continua-se nos dias seguintes a fazer a mesma coisa,
exceto que se diminui um boi cada dia, até que o número seja reduzido a sete.
O oitavo dia é de descanso e se comemora não se fazendo obra alguma.
Sacrificam-se nesse dia, como já dissemos, um novilho, um carneiro, sete
cordeiros e um bode, para o pecado [Êx 12,13 e 23]. Eis a seguir as cerimônias
do Tabernáculo, que sempre foram observadas entre os homens de nossa
nação.
133. Levítico 23, Números 9 e Deuteronômio 16. No mês de xântico, a que
chamaram nisã e com o qual começa o ano, no décimo quarto dia da lua,
quando o Sol está na linha de Áries, que é o tempo em que os nossos pais
saíram do Egito e do cativeiro juntamente, a Lei nos obriga a renovar o sacri-
fício que então fizeram e ao qual se dá o nome de Páscoa. E celebramos essa
festa segundo as nossas tribos, sem nada reservar para o dia seguinte das
coisas sacrificadas, que é o décimo quinto dia do mês e o primeiro da festa dos
Asmos, que se segue imediatamente à da Páscoa e dura sete dias, durante os
quais não se come outro pão a não ser desse, sem fermento, e matam-se cada
dia dois touros, um carneiro e sete cordeiros, que são oferecidos em holocausto,
aos quais se acrescenta, pelos pecados, um cabrito, do qual os sacerdotes se
alimentam.
No décimo sexto dia do mês, que é o segundo dos Asmos, começa-se a
comer os grãos que foram recolhidos e nos quais ainda não se tocou. Como é
justo testemunhar a Deus gratidão pelos bens de que lhe somos devedores,
oferecem-se as primícias da cevada, deste modo: faz-se secar no fogo um feixe
de espigas e delas se tira o grão, que é limpo. Depois é oferecida sobre o altar a
medida de um gômer, da qual lá se deixa um punhado — o resto é para os
sacerdotes. Em seguida, é permitido a todo o povo fazer a ceifa, quer em geral,
quer em particular. E, nesse tempo de primícias, oferece-se a Deus um cordeiro
em holocausto.
134. Levítico 23. Sete semanas depois da festa da Páscoa, que são
quarenta e nove dias, oferece-se a Deus, no qüinquagésimo dia, que os hebreus
chamam Asarta, isto é, plenitude de graças, e os gregos, Pentecostes, um pão
de farinha de trigo, de dois gômeres, feito com fermento, e matam-se dois
cordeiros, que servem para a ceia dos sacerdotes, sem que se possa reservar
coisa alguma para o dia seguinte. Quanto aos holocaustos, oferecem-se três
novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros e dois bodes pelos pecados.
135. Não há festa na qual não se ofereça holocausto e não se deixe de
trabalhar, pois são duas coisas que a Lei obriga indispensavelmente a observar.
Depois dos sacrifícios, come-se o que foi oferecido. Dão-se também, para esse
fim, às custas do povo, vinte e quatro medidas de farinha de trigo, das quais se
faz pão sem fermento. Destes, cozem-se dois a dois, na vigília do sábado. E, na
manhã desse sábado, colocam-se doze sobre a mesa sagrada, seis de um lado e
seis de outro, em frente uns dos outros, e lá ficam, com os pratos cheios de
incenso, até o sábado seguinte, quando, depois de se terem colocado outros em
seu lugar, são entregues aos sacerdotes, para que os comam.
O incenso é queimado no fogo, para que consuma os holocaustos, e põe-
se outro com os pães. O sumo sacerdote oferece, de seu, duas vezes por dia,
uma medida de farinha pura, misturada com óleo e um pouco cozida, da qual
lança pela manhã a metade no fogo, e à tarde, a outra metade. Mas basta de
falar dessas coisas, que explicarei melhor em outro lugar.
136. Números 3. Depois que Moisés separou a tribo de Levi das outras,
para consagrá-la a Deus, purificou-a com água da fonte e ofereceu sacrifício.
Entregou-lhes em seguida a guarda do Tabernáculo e dos vasos sagrados e
ordenou-lhes que se ocupassem com grande cuidado desse mister, segundo os
sacerdotes o ordenassem. Assim, os dessa tribo começaram desde então a ser
considerados como consagrados a Deus.
Levítico 7 e 17. Moisés declarou nessa mesma ocasião que animais eram
considerados puros, dos quais era permitido comer, e de quais não era
permitido comer, por serem impuros. Diremos disso a razão quando se
apresentar oportunidade. Quanto ao sangue, foi absolutamente proibido
alguém alimentar-se dele, porque julgavam que a alma e o espírito dos animais
estavam encerrados no sangue. Proibiu-se também comer a carne dos que
morriam por si mesmos, bem como gordura de cabra, de ovelha e de boi.
137. Levítico 14. Ordenou Moisés que os leprosos fossem separados dos
outros, como também os homens que sofressem de fluxo de sêmen; que as
mulheres não teriam relações com os homens senão sete dias depois de
terminadas as suas purgações; que quem tivesse sepultado um cadáver só seria
considerado puro oito dias depois; que o homem que continuasse por mais de
sete dias a ser vítima de fluxo de sêmen ofereceria dois cordeiros fêmeas, um
dos quais seria sacrificado, e o outro, dado aos sacerdotes; que quem tivesse
polução noturna deveria se lavar na água fria, para se purificar, como os
maridos depois de se terem aproximado de suas esposas; que os leprosos
seriam separados para sempre dos demais e considerados corpos mortos; e que,
se Deus respondesse às orações de um deles e alguém recobrasse a saúde e
uma cor viva comprovasse que estava curado da doença, tal pessoa tes-
temunharia a sua gratidão por meio de diversas oblações e sacrifícios, de que
falaremos em outro lugar.
Isso faz ver o quanto é ridícula a fábula inventada por aqueles que dizem
que Moisés fugiu do Egito porque tinha lepra e que nós, hebreus, tendo sido
também atingidos pela doença, fomos levados por ele, pela mesma razão, à
terra de Canaã. Se isso fosse verdade, teria ele desejado, para a sua própria
vergonha, estabelecer semelhante lei? Acaso não se teria oposto a ela se outro a
tivesse apresentado, visto que há nações entre as quais os leprosos não são
desprezados nem separados dos outros e ainda são elevados a honras, a cargos
militares na guerra, a empregos públicos no governo e mesmo admitidos aos
Templos?
Se então Moisés estivesse contaminado por essa doença, quem o teria im-
pedido de dar ao povo leis que seriam antes vantajosas para ele que prejudici-
ais? E assim, não fica claro que isso é coisa inventada, por pura malícia, contra
a nossa nação? Mas a verdade é que, como Moisés estava isento da doença e
vivia com um povo que também o era, ele instituiu essa lei para a glória de
Deus, com relação aos contaminados. Deixo a cada qual, todavia, a liberdade de
julgar como bem lhe aprouver.
138. Levítico 12. Moisés proibiu também às mulheres que haviam dado à
luz recentemente entrar no Tabernáculo e assistir às funções. Só poderiam
entrar quarenta dias depois, se tivessem tido um filho, ou após oitenta dias, se
fosse uma filha, e eram obrigadas, depois desse tempo, a oferecer vítimas,
sendo uma parte destas consagrada a Deus. A outra pertencia aos sacerdotes.
139. Números 5. Se um marido desconfiava da esposa e ela era suspeita
de adultério, oferecia uma medida de farinha de cevada: jogava um punhado
sobre o altar, e o resto era para os sacerdotes. Um dos sacerdotes punha então
a mulher à porta que está em frente do Tabernáculo, tirava-lhe o véu que tinha
sobre a cabeça, escrevia o nome de Deus em um pergaminho e a obrigava a
declarar com juramento se havia profanado a fidelidade conjugai. E ela acres-
centava esta imprecação: se a tivesse violado e o seu juramento fosse falso, que
a sua coxa direita se destrancasse no mesmo instante e o seu ventre se
rasgasse e ela morresse assim miseravelmente. Mas se, ao contrário, o marido,
impelido somente pelo ciúme, por excesso de amor, havia injustamente
suspeitado dela, prouvesse a Deus dar-lhe um filho dentro de dez meses.
Após esse juramento, o sacerdote mergulhava na água o pergaminho
sobre o qual havia escrito o nome de Deus. Depois que esse nome ficava
completamente apagado e diluído pela água, misturava a água com a poeira do
pavimento do Tabernáculo e dava a mistura para a mulher beber. Se fora
acusada injustamente, ela engravidaria e daria à luz em felicidade. Mas se, ao
contrário, era culpada de ter por falso juramento e por sua impudicícia faltado
à fidelidade a Deus e ao marido, morria com infâmia, da maneira que dissemos.
140. Essas foram as leis que Moisés deu ao povo com relação aos
sacrifícios e às purificações. Eis ainda outras que ele também criou: proibiu
absolutamente o adultério, pois julgava que a felicidade do casamento consistia
nessa pureza e naquela fidelidade que o marido deve à mulher e a mulher ao
marido e que importa à República que os filhos sejam legítimos.
141. Levítico 18, 29 e 21. Moisés condenou como crime horrível o incesto
cometido com a própria mãe, ou madrasta, ou tia, tanto do lado paterno como
do materno, ou irmã, ou nora. Proibiu coabitar com a própria mulher enquanto
ela estivesse nas suas purgações. Condenou como crime abominável o coito
com animais ou com rapazes e ordenou para todos esses pecados a pena de
morte.
142. Quanto aos sacerdotes, quis que fossem muito mais castos que os
outros, pois não somente os obrigou a observar essas mesmas leis, mas lhes
proibiu esposar mulher que houvesse sido abandonada, ou escrava, ou alguma
que tivesse sido hospedeira, cabareteira ou repudiada, fosse qual fosse o
motivo.
Acrescentou ainda, com relação ao sumo sacerdote, que ele não podia,
como os outros sacerdotes, desposar viúva, mas seria obrigado a receber uma
virgem e conservá-la. Proibiu-lhe ainda aproximar-se de algum morto, embora
fosse permitido aos outros aproximar-se de pais, mães, irmãos e filhos mortos.
Acrescentou, para todos, que fossem verdadeiros e muito sinceros em todas as
suas palavras e ações. Se entre os sacerdotes houvesse algum defeito corporal,
ser-lhe-ia permitido estar com os demais, mas não poderia subir ao altar ou
entrar no Templo. Eram obrigados a ser puros e castos não somente quando
celebravam o serviço divino, mas em todo o resto de sua vida.
Levítico 10. Quando usavam a veste sagrada,* conveniente ao seu ministé-
rio, eram obrigados, além da pureza na qual deviam sempre viver, a tal sobrie-
dade que lhes era proibido beber vinho, e as vítimas que ofereciam deviam ser
de animais inteiros, sem mancha. Essas foram as leis que Moisés outorgou no
deserto e fez observar durante a sua vida. Instituiu ainda outras para serem
observadas no futuro, quando o povo estivesse de posse da terra de Canaã.
143. Levítico 5. Moisés determinou que de sete em sete anos a terra
descansasse, sem ser cultivada. Não se plantaria nela coisa alguma, do mesmo
modo como havia ordenado que no sétimo dia o povo não trabalhasse. A isso
acrescentou que tudo o que a terra produzisse por si mesma no ano de
descanso seria comum a todos, mesmos aos estrangeiros, e não seria permitido
a ninguém guardar alguma coisa disso.
Quis também que a mesma coisa se observasse depois de sete vezes sete
anos e que no ano seguinte, que é o qüinquagésimo e Jubileu dos hebreus, isto
é, liberdade, os devedores ficassem livres de todas as suas dívidas e os escravos
fossem libertados. Entende-se serem estes todos os que antes eram livres, mas
foram reduzidos à escravidão em vez de serem condenados à morte, como
castigo por terem violado alguma lei. Essa lei determinava também que as
heranças voltariam aos seus antigos possessores, desta maneira: quando o
Jubileu se aproximasse, o vendedor e o comprador da herdade calculavam
juntos o que ela rendera e as despesas que haviam feito. Se a renda superasse
as despesas, o vendedor retomava a herdade, e se, ao contrário, as despesas
superassem a renda, o vendedor restituía o excesso, e a herdade voltava a ele.
No entanto, se a renda fosse igual às despesas, o antigo possessor retomava a
posse de sua herdade.
A mesma coisa se observava quanto às casas que estavam nas cidades e
nas aldeias rodeadas de muros: o vendedor podia voltar à sua casa, dando o
preço da alienação antes de o ano terminar. Mas se deixasse de o entregar, o
comprador estava confirmado na sua posse. Moisés recebeu todas essas leis do
próprio Deus, no monte Sinai, para dá-las ao povo, quando estavam acampados
aos pés do monte, e escreveu-as para serem observadas por aqueles que
viessem depois deles.",