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Livro Setimo Flávio Josefo

Capítulo 2 Flávio Josefo

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,
"BAANÁ E RECABE ASSASSINAM O REI ISBOSETE E LEVAM A SUA CABEÇA A
DAVI, QUE, EM VEZ DE RECOMPENSÁ-LOS, OS MANDA MATAR. TODAS AS
TRIBOS RECONHECEM DAVI COMO REI. ELE REÚNE AS SUAS FORÇAS E TOMA
JERUSALÉM. JOABE SOBE POR PRIMEIRO À MURALHA ABERTA.",
"262. 2 Samuel 4. Isbosete ficou extremamente aflito com a morte de Abner
porque, além de ser um parente muito próximo, devia a ele o fato de ter sucedi-
do ao pai no governo. Mas ele também não viveu muito tempo depois de sua
morte. Baaná e Recabe, filhos de Rimom, dois dos principais da tribo de
Benjamim, assassinaram-no no leito, julgando que estavam prestando um
grande serviço a Davi e que assim conquistariam um cargo elevado.
Aproveitaram o momento em que ele dormia a sesta, pelo meio-dia, por causa
do calor, estando os guardas também adormecidos. Então cortaram-lhe a
cabeça e partiram apressadamente, como se fossem perseguidos, para levá-la a
Davi.
Relataram a Davi o que haviam feito, enaltecendo a importância do
serviço que a ele prestavam, pois haviam eliminado aquele que lhe disputava o
reino. Em vez da recompensa que esperavam, porém, receberam esta terrível
resposta, proferida com cólera: Celerados que sois, sereis imediatamente
castigados segundo a gravidade de vosso crime. Ignorais, talvez, o modo como
tratei aquele que disse ter matado Saul e me trouxe a sua coroa? Ou julgais que
mudei tanto de caráter que agora estime os maus e considere um favor que vos
deva agradecer o crime que acabais de cometer contra o vosso senhor?
Covardes e ingratos! Não tendes horror em matar no próprio leito um príncipe
que jamais fez mal a alguém e que ainda vos agraciou com tantos benefícios?
Mas eu vos castigarei como merece a vossa perfídia e pela ofensa que me
fizestes, julgando-me capaz de aprovar e mesmo de me regozijar com tão
detestável ação. Davi, depois de assim falar, mandou que os matassem de
modo cruel e ordenou magníficos funerais a Isbosete, colocando a cabeça dele
no sepulcro de Abner.
263. 2 Samuel 5. Logo depois, todos os chefes dos israelitas e os oficiais
do exército vieram procurar esse generoso príncipe em Hebrom para prometer-
lhe fidelidade como rei. Lembraram-lhe os serviços que lhes havia prestado,
mesmo durante a vida de Saul, e o respeito com o qual o obedeciam quando
comandava parte das tropas desse príncipe. Acrescentaram que havia muito
tempo sabiam que Deus declarara pelo profeta Samuel que ele e seus filhos
depois dele reinariam sobre o povo e que ele subjugaria os filisteus. Davi
demonstrou muita satisfação pela boa vontade deles, exortou-os a continuar e
garantiu que não lhes daria jamais motivo para se arrependerem. Deu-lhes
depois um grande banquete e, após externar todo o afeto que poderiam desejar,
despediu-os com ordem de trazerem a Hebrom, de cada tribo, todos os que
estavam armados e em condições de servir.
264. 7 Crônicas 12. Em cumprimento a essa ordem, vieram a Hebrom
seis mil e oitocentos homens da tribo de Judá, armados com lanças e escudos.
Eles pertenciam ao partido de Isbosete e não contavam entre os da mesma tribo
que haviam escolhido Davi como rei.
Da tribo de Simeão, vieram sete mil e cem homens, comandados por Jodã,
com os quais estava Zadoque, o sumo sacerdote, e vinte e dois de seus
parentes. Da tribo de Benjamim, três mil homens somente, porque ela sempre
esperava que alguém da família de Saul viesse a reinar. Da tribo de Efraim,
vinte mil e oitocentos homens, muito robustos e valentes. Da metade da tribo
de Manasses, dezoito mil homens. Da tribo de Issacar, vinte mil homens e com
eles duzentos homens que adivinhavam as coisas futuras. Da tribo de Zebulom,
cinqüenta mil homens, todos escolhidos dentre a elite, pois essa tribo foi a
única que passou completa para o lado de Davi, e estavam armados como os da
tribo de Gade. Da tribo de Naftali, mil homens escolhidos, todos armados com
escudos e dardos, seguidos por uma multidão enorme de soldados menos
importantes. Da tribo de Dã, vinte e oito mil e seiscentos homens, todos
escolhidos. Da tribo de Aser, quarenta mil homens. E das tribos de Rúben e de
Gade e da outra metade da tribo de Manasses, que estavam do outro lado do
Jordão, cento e vinte mil homens, todos armados com dardos, escudos,
capacetes e espadas.
265. Essas foram as tropas que vieram encontrar-se com Davi em
Hebrom, trazendo consigo grande quantidade de munições de guerra e de boca.
Todos, de comum acordo, declararam Davi como rei. Depois de passarem três
dias em festas e banquetes públicos, marcharam todos para Jerusalém. Os
jebuseus, que a habitavam e eram descendentes dos cananeus, vendo-os
aproximar-se, fecharam as portas e, para mostrar o seu desprezo, colocaram
sobre os muros da cidade somente os cegos, os coxos e outros aleijados,
dizendo que eram suficientes para defendê-la, de tanto que confiavam nas suas
fortificações.
Davi, irritado com tanta insolência, resolveu atacá-los com a máxima
energia, a fim de pela tomada dessa cidade incutir o terror em todas as outras
que lhe quisessem fazer resistência. Ele apoderou-se da cidade baixa, mas era
muito difícil tomar a fortaleza. Para animar os seus homens a empregar o
máximo de esforço, prometeu recompensas e honras aos que mais se
distinguissem pela coragem e o cargo de general ao comandante que por
primeiro subisse as muralhas. O desejo de conquistar tão grande honra levou-
os a fazer de tudo para merecê-la. Mas Joabe a todos sobrepujou e pediu então
ao rei em alta voz que cumprisse a promessa.",