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Livro Quinto Flávio Josefo

Capítulo 6 Flávio Josefo

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,
JABIM, REI DOS CANANEUS, SUBJUGA OS ISRAELITAS. DÉBORA E BARAQUE
LIBERTAM-NOS.",
"202. juizes 4. Os males que caíram sobre os israelitas não os tornaram
melhores, e eles voltaram à impiedade para com Deus e ao desprezo de suas
leis. Assim, depois de libertos do jugo dos moabitas, foram vencidos e
dominados por Jabim, rei dos cananeus. Ele tinha a sua corte na cidade de
Hazor, situada sobre o lago de Samachom, e mantinha ordinariamente
trezentos mil homens de infantaria, dez mil cavaleiros e três mil carros. Sísera,
general do exército, desfrutava grande favor junto dele porque vencera os
israelitas em vários combates, e o rei devia principalmente à liderança e ao
valor desse homem o fato de tê-los como tributários.
Vinte anos passaram os israelitas em tão dura servidão que não houve
mal que não tivessem sofrido. Deus o permitiu para castigar o orgulho e a
ingratidão deles. Mas ao fim desse tempo eles reconheceram que o desprezo às
santas leis era a causa de toda aquela infelicidade. Dirigiram-se a uma profetisa
de nome Débora, que em hebreu significa abelha, e pediram-lhe que dissesse
a Deus para ter compaixão deles e de seus sofrimentos. Ela rogou-lhe em seu
favor, e a sua oração foi ouvida. Ele prometeu libertá-los sob o comando de
Baraque — relâmpago, em nossa língua —, que era da tribo de Naftali.
Débora, depois desse oráculo, ordenou a Baraque que reunisse dez mil
homens e atacasse os inimigos, sendo suficiente esse pequeno número, pois
Deus prometia-lhes a vitória. Baraque respondeu-lhe que não podia aceitar o
cargo se ela não tomasse, com ele, o comando do exército. Ela, porém,
respondeu-lhe encolerizada: Não tendes vergonha de ceder a uma mulher a
honra que Deus se digna fazer-vos? Eu, porém, não recuso recebê-la.
Reuniram assim dez mil homens e foram acampar no monte Tabor. Sísera, por
ordem do rei seu senhor, marchou para combatê-los e acampou próximo deles.
Baraque e o resto dos israelitas, espantados com a multidão dos inimigos,
intentaram retirar-se e afastar-se quanto possível. Mas Débora os deteve e or-
denou-lhes que combatessem naquele mesmo dia sem temer aquele grande
exército, porque a vitória dependia de Deus, e deviam confiar no seu auxílio.
Travou-se o combate. Nesse momento, viu-se cair uma forte chuva com granizo.
O vento impelia-a com tanta violência contra o rosto dos cananeus que os
arqueiros e fundibulários não se podiam servir nem dos arcos nem das fundas,
e os que estavam armados mais pesadamente tampouco podiam usar as suas
espadas, tão enregelados estavam pelo frio. Os israelitas, ao contrário, tendo a
tempestade pelas costas, não eram incomodados por ela e ainda sentiam redo-
brada a coragem, vendo nela um sinal visível do auxílio divino.
Assim, eles venceram e mataram um grande número de inimigos,
restando apenas um pequeno número, que pereceu sob as patas dos cavalos e
as rodas dos carros de seu próprio exército, o qual fugia em desordem. Sísera,
vendo tudo perdido, desceu do carro e entrou na casa de uma mulher ciniana,
de nome jael, rogando-lhe que o escondesse e pedindo-lhe de beber. Ela deu-lhe
leite azedo, de que ele bebeu bastante, porque sentia muita sede. E|e
adormeceu, e a mulher, vendo-o em tal estado, fincou-lhe com um martelo um
grande prego na fronte. Os soldados de Baraque chegaram, e ela apontou-lhes o
morto. Assim, segundo a predição de Débora, a honra dessa grande vitória
coube a uma mulher. Baraque marchou em seguida para a cidade de Hazor e
derrotou e matou o rei Jabim, que vinha com um exército ao seu encontro. Ele
arrasou a cidade e governou o povo de Deus durante quarenta anos.",