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Livro Quinto Flávio Josefo

Capítulo 5 Flávio Josefo

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,
"EGLOM, REI DOS MOABITAS, SUBJUGA OS ISRAELITAS. EÚDE LIBERTA-OS.",
"201. juizes 3. Depois da morte desse sábio e generoso governador, os
hebreus acharam-se num estado muito pior que o anterior, e sem chefe, porque
não prestavam mais a Deus a devida honra nem a obediência que deviam às
leis. Eglom, rei dos moabitas, declarou-lhes guerra. Venceu-os em diversos
combates e tornou o povo tributário. Estabeleceu em Jerico a sede dejseju
governo e oprimiu-os com toda espécie de males. Eles passaram assim dezoito
anos. Mas depois Deus, compadecido pelo sofrimento do povo e vencido pelas
suas orações, resolveu libertá-los.
Eúde, filho de Gera, da tribo de Benjamim, jovem vigoroso e ousado, tão
hábil que lutava ao mesmo tempo com as duas mãos e era capaz de tudo
empreender, estava então em jerico. Encontrou meios de se insinuar nas boas
graças de Eglom, por meio de presentes que lhe mandava, e teve assim grande
facilidade para entrar no palácio. Num dia de verão, pelo meio-dia, tomou um
punhal, escondeu-o sob as vestes, do lado direito, e foi em companhia de dois
de seus servidores levar presentes ao soberano. Os guardas estavam fazendo a
sua refeição, e o calor era grande: essas duas coisas juntamente os tornavam
mais negligentes ainda. Ele ofereceu presentes a Eglom, que estava retirado
num quarto muito fresco, e conversou com ele tão amigavelmente que o rei
ordenou aos seus homens que se retirassem.
Eúde, temendo que o seu golpe falhasse, porque o rei estava sentado no
trono, pediu-lhe que se levantasse para que pudesse narrar um sonho da parte
de Deus. Eglom levantou-se para escutá-lo e então Eúde cravou-lhe o punhal
no coração, deixando-o na ferida. Depois saiu e fechou a porta. Os oficiais
julgaram que ele deixara o rei adormecido, e Eúde, sem perder tempo, contou
em segredo aos israelitas da cidade o que acabava de fazer, exortando-os a
recuperar a liberdade. Eles tomaram imediatamente as armas e mandaram
tocar trompas por todo o país, para reunir os de sua nação.
Os oficiais de Eglom permaneceram muito tempo sem nada desconfiar.
Mas quando viram cair a tarde, o temor de que lhe houvesse acontecido alguma
coisa impeliu-os a entrar no quarto, onde o encontraram morto. Seu espanto foi
tal que, não sabendo qual deliberação tomar, deram aos israelitas tempo para
serem atacados antes que tivessem ocasião de se defender. Os israelitas
mataram uma parte deles, e o resto, num total de mais ou menos dez mil,
salvou-se fugindo para o seu país. Mas os israelitas, que haviam ocupado as
passagens do Jordão, mataram-nos pelo caminho, principalmente no lugar das
sentinelas, de sorte que não se salvou um sequer.
Os hebreus, uma vez livres da servidão dos moabitas, escolheram
unanimemente Eúde para seu chefe e soberano, considerando que deviam a ele
a sua liberdade. Era um homem de grande mérito e digno de muitos elogios.
Desempenhou o cargo durante oitenta anos. Sangar, filho de Anate, sucedeu-o
e morreu antes que terminasse o ano.",