🏠 Home ← Anterior Próximo →

Livro Nono Flávio Josefo

Capítulo 8 Flávio Josefo

2345678910121314
,
"MORTE DEJEÚ, REI DE ISRAEL. JEOACAZ, SEU FILHO, SUCEDE-O. JOÁS, REI DE JUDÁ,
RESTAURA O TEMPLO EM JERUSALÉM. MORTE DE JOIADA, SUMO SACERDOTE. JOÁS
ESQUECE-SE DE DEUS E ENTREGA-SE A TODA ESPÉCIE DE
IMPIEDADE. MANDA APEDREJAR ZACARIAS, SUMO SACERDOTE E FILHO DE
JOIADA, QUE O REPREENDIA. HAZAEL, REI DA SÍRIA, CERCA JERUSALÉM.
JOÁS ENTREGA-LHE TODOS OS SEUS TESOUROS PARA FAZÊ-LO LEVANTAR O
CERCO. É MORTO PELOS AMIGOS DE ZACARIAS.",
"390. Hazael, rei da Síria, fez guerra a Jeú, rei de Israel, e devastou todo o
país que as tribos de Rúben, Gade e metade da de Manasses ocupavam, além
do Jordão. Sem que jeú pensasse em impedi-lo, saqueou também as cidades de
Gileade e de Basã, incendiou tudo e não poupou nenhum dos que lhe caíram
nas mãos. Esse infeliz rei de Israel, cujo zelo aparente havia sido mera
hipocrisia, desprezou as leis de Deus por um orgulho sacrílego. Reinou vinte e
oito anos e jeoacaz, seu filho, sucedeu-o.
391. 2 Reis 12; 2 Crônicas 24. Como a conservação do Templo fora
inteiramente negligenciada sob o reinado de Jeorão, de Acazias e de Atalia,
Joás, rei de judá, resolveu restaurá-lo e ordenou a joiada que enviasse levitas a
todo o reino para obrigar os súditos a contribuir cada qual com meio sido de
prata. Joiada julgou que o povo não daria de boa mente essa contribuição e
assim não cumpriu a ordem. Joás, no vigésimo terceiro ano de seu reinado,
declarou-lhe que o considerava malvado e ordenou-lhe que fosse mais
cuidadoso no futuro e provesse a restauração do Templo.
O sumo sacerdote então imaginou um meio de obrigar o povo a contribuir
de boa vontade. Mandou fazer um cofre de madeira, bem fechado, com uma
abertura por cima, como uma fenda, que foi posto no Templo, junto do altar.
Cada um, segundo a sua devoção, deveria depositar ali uma contribuição para
a restauração do Templo. Essa maneira de pedir a restauração foi agradável ao
povo, que se acotovelava, à porfia, para nele depositar ouro e prata. O sacerdote
e o secretário encarregado da guarda do tesouro do Templo esvaziavam todos os
dias o cofre na presença do rei e, depois de contar e anotar a soma que lá havia,
tornavam a colocá-lo no lugar. Quando já havia dinheiro suficiente, o sumo
sacerdote e o rei mandaram vir os operários e o material necessário. Terminada
a obra, empregaram o restante do ouro e da prata, que era em grande
quantidade, para fazer as taças, os copos e outros vasos próprios para o serviço
divino. Não se passava um dia em que não se oferecesse a Deus um grande
número de sacrifícios.
Observou-se essa praxe com rigor durante todo o tempo em que o sumo
sacerdote viveu. Ele morreu na idade de cento e trinta anos, e o sepultaram no
túmulo dos reis, tanto por causa de sua rara probidade quanto por haver ele
conservado a coroa na família de Davi. Logo o rei Joás e, à sua imitação, os
principais do país se esqueceram de Deus. Entregaram-se a toda sorte de
impiedade e pareciam ter prazer em calcar aos pés a religião e a justiça. Deus
repreendeu-os severamente, por meio dos profetas, que lhes mostraram o
quanto Ele estava irritado contra eles. Mas eles estavam tão empedernidos no
pecado que nem as ameaças nem o exemplo dos horríveis castigos que seus
antepassados haviam sofrido por caírem nos mesmos crimes os trouxeram de
volta ao cumprimento do dever.
Tanto cresceu o seu frenesi que Joás, esquecendo os favores que devia a
Joiada, mandou apedrejar Zacarias no próprio Templo pelo fato de este, por
inspiração divina, havê-lo exortado na presença de todo o povo a agir com
justiça no futuro e por ameaçá-lo com grandes castigos, caso continuasse no
pecado. Zacarias era filho de joiada e lhe sucedera no cargo de sumo sacerdote.
Esse santo homem, ao morrer, tomou a Deus por testemunha de como o
príncipe, em recompensa ao salutar serviço que lhe prestava e também pelo
trabalho de seu pai, fora injusto e cruel a ponto de fazê-lo morrer daquele
modo.
392. Deus não tardou muito tempo em castigar esse tão grande crime.
Hazael, rei da Síria, entrou com um grande exército no reino de Joás. Ele to-
mou, saqueou e destruiu a cidade de Gate e sitiou Jerusalém. Joás foi tomado
de tal medo que, para se ver livre desse grande perigo, lhe entregou todos os
tesouros do Templo, bem como os dos reis seus predecessores, e todos os pre-
sentes oferecidos a Deus pelo povo. Isso contentou a ambição daquele sobera-
no, que levantou o cerco e retirou-se. Mas Joás não pôde evitar o castigo que
merecia. Foi vítima de uma grave enfermidade, e os amigos de Zacarias o ma-
taram no leito, para vingar a morte do amigo e do filho de um homem cuja
memória era tida em tão grande veneração. O mau príncipe tinha então qua-
renta e sete anos. Enterraram-no em Jerusalém, porém não no sepulcro dos
reis, porque não foi julgado digno disso.",