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Livro Nono Flávio Josefo

Capítulo 6 Flávio Josefo

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,
"JEÚ, REI DE ISRAEL, FAZ MORRER JEZABEL, OS SETENTA FILHOS DE ACABE,
TODOS OS PARENTES DESSE SOBERANO, QUARENTA E DOIS PARENTES DE
ACAZIAS, REI DE JUDÁ, E EM GERAL TODOS OS SACERDOTES DE BAAL, O FALSO
DEUS DOS TÍRIOS, AO QUAL ACABE MANDARA CONSTRUIR UM TEMPLO.",
"385. Quando jeú fez a sua entrada em Jezreel, a rainha Jezabel veio a
uma janela, para vê-lo chegar. Estava adornada e bem vestida e disse ao vê-lo
aproximar-se: Eis o fiel servidor, que assassinou o seu senhor! A essas
palavras, Jeú ergueu os olhos, perguntou quem ela era e mandou que descesse.
Ela não quis fazê-lo, e ele então ordenou aos eunucos que estavam com ela que
a atirassem para baixo. Os homens obedeceram, e a miserável princesa, caindo,
espatifou-se de tal modo sobre as pedras do calçamento que elas ficaram
manchadas com o seu sangue. Ela morreu depois, sob as patas dos cavalos que
lhe passaram por cima. Jeú ordenou que ela fosse sepultada com a honra
devida à grandeza de seu nascimento, sendo de família real, mas apenas foram
encontradas as extremidades de seu corpo, pois os cães haviam comido o resto.
Isso fez o novo rei lembrar a profecia de Elias, o qual predissera que ela
morreria daquele modo, em Jezreel.
386. Acabe deixara setenta filhos, e estavam todos em Samaria. Jeú, para
experimentar a disposição dos samaritanos para com ele, escreveu aos
precepto-res dos jovens príncipes e aos principais magistrados da cidade,
dizendo que escolhessem para rei um dos filhos de Acabe que julgassem digno
de reinar e que se vingasse de quem lhe matara o pai, pois eles possuíam
armas, cavalos, carros, soldados e praças-fortes. Os magistrados e os
habitantes, não se julgando em condições de resistir a um homem que matara
dois reis tão poderosos, responderam-lhe que não conheciam outro soberano
senão ele e que estavam prontos a fazer tudo o que ele lhes mandasse.
Diante de tal resposta, ele escreveu aos magistrados que, se deveras
estavam assim dispostos, lhe mandassem as cabeças de todos os filhos de
Acabe. Ao receber essa carta, mandaram eles chamar os preceptores dos
príncipes e ordenaram-lhes que fizessem o que Jeú lhes mandara. Homens
cruéis obedeceram no mesmo instante, puseram as cabeças num saco e
enviaram-nas a )eú. Ele estava à mesa com alguns de seus familiares quando
as trouxeram, e ordenou que as colocassem em dois montes de ambos os lados
da porta do palácio. No dia seguinte, de manhã, foi vê-las e disse ao povo: É
verdade que matei o rei meu senhor. Mas quem matou estes? Queria assim
dar-lhes a entender que tudo acontecera por vontade de Deus e por ordem dEle,
pois, como fora predito pelo profeta Elias, Ele exterminaria Acabe e toda a sua
descendência.
Mandou em seguida matar todos os parentes de Acabe que ainda estavam
vivos e depois partiu para Samaria. Encontrou pelo caminho quarenta e dois
parentes de Acazias, rei de Judá, e perguntou-lhes para onde iam. Responde-
ram que iam saudar Jorão, rei de Israel, e Acazias, o rei que estava com ele,
pois não sabiam que ele havia matado ambos. Jeú mandou prendê-los e os fez
morrer também. Logo depois, Jonadabe, que era um homem de bem e seu velho
amigo, veio procurá-lo e louvou-o por haver fielmente cumprido as ordens de
Deus, exterminado toda a descendência de Acabe. Jeú disse-lhe que subisse ao
seu carro para acompanhá-lo a Samaria e ter a satisfação de constatar que ele
não perdoaria a um só dentre os maus, mas faria passar a fio de espada todos
os falsos profetas e sedutores do povo, que o levavam a abandonar a Deus para
adorar falsas divindades, pois nada poderia ser mais agradável a um homem de
bem como ele que ver sofrerem os ímpios o castigo que merecem.
Jonadabe obedeceu, subiu ao carro e foi com ele a Samaria. Jeú
continuou a procurar e a matar todos os parentes de Acabe e, para impedir que
algum dos profetas dos deuses falsos daquele príncipe pudesse escapar, serviu-
se de um ardil. Mandou reunir todo o povo e declarou que, tendo resolvido
intensificar o culto que se prestava aos deuses de Acabe, nada queriam fazer
acerca daquele assunto sem o parecer dos sacerdotes e dos profetas. Assim,
queria que todos, sem exceção, viessem ter com ele, a fim de oferecerem um
grande número de sacrifícios a Baal, deus deles, no dia de sua festa, e quem
faltasse seria castigado com a pena de morte. Marcou depois um dia para a
cerimônia e mandou publicar a sua ordem em todas as partes do reino.
Depois que chegaram os sacerdotes e os profetas, mandou entregar-lhes
as vestes e, acompanhado por Jonadabe, seu amigo, foi encontrá-los no templo,
cuidando para que ninguém se misturasse a eles, pois, dizia ele, não queria que
os profanos tomassem parte naquelas santas cerimônias. Quando os profetas e
os sacerdotes estavam se preparando para oferecer os sacrifícios, ele ordenou a
oitenta de seus guardas, de toda confiança, que os matassem a todos, a fim de
vingar com a morte deles o desprezo que por tanto tempo manifestaram para
com a religião de seus antepassados. E ameaçou-os de morte também, caso
poupassem um só deles. Os guardas executaram rigorosamente a ordem
recebida e, também por ordem do rei, atearam fogo ao palácio real, a fim de
purificar Samaria das muitas abominações e sacrilégios ali cometidos.
Baal era o deus dos tírios, ao qual Acabe, para agradar a Etbaal, rei de
Tiro e de Sidom, seu sogro, mandara construir e consagrar um templo em
Samaria, ordenando profetas e todas as outras coisas necessárias para prestar
honra a esse deus. Jeú permitiu, no entanto, que os israelitas continuassem a
adorar os bezerros de ouro. Embora Deus tivesse isso como coisa muito
desagradável, não deixou de prometer, por meio de seu profeta, que a
posteridade de Jeú, por ter este castigado a impiedade, reinaria sobre Israel até
a quarta geração.",