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Livro Nono Flávio Josefo

Capítulo 14 Flávio Josefo

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"SALMANESER, REI DA ASSÍRIA, TOMA SAMARIA, DESTRÓI INTEIRAMENTE O
REINO DE ISRAEL, LEVA ESCRAVOS O REI OSÉIAS E TODO O POVO E MANDA
UMA COLÔNIA DE CHUTEENSES HABITAR O REINO DE ISRAEL.",
"409. 2 Reis 17. Salmaneser, rei da Assíria, tendo sabido que Oséias, rei
de Israel, enviara secretamente embaixadores ao rei do Egito para convidá-lo a
tomar parte numa aliança contra ele, marchou com um grande exército para
Samaria, no sétimo ano do reinado desse soberano. Depois de um cerco de três
anos, apoderou-se da cidade, no nono ano do reinado desse príncipe e no séti-
mo ano do reinado de Ezequias, rei de Judá. Salmaneser aprisionou Oséias,
destruiu inteiramente o reino de Israel e levou todo o povo como escravo para a
Média e para a Pérsia. Mandou a Samaria e a todos os outros lugares do reino
de Israel colônias de chuteenses, que são povos de uma província da Pérsia e
têm esse nome por causa do rio Chute, ao longo do qual habitam.
Foi assim que as dez tribos que compunham o reino de Israel foram
expulsas de seu país, novecentos e quarenta e sete anos depois que os seus
antepassados o haviam conquistado pela força das armas, após a saída do
Egito, oitocentos anos depois da dominação de Josué e duzentos e quarenta
anos, sete meses e sete dias depois que eles se revoltaram contra Roboão, neto
de Davi, para tomar o partido de Jeroboão, seu súdito, reconhecendo-o como
rei. Foi assim que aquele povo infeliz foi castigado por desprezar tanto a lei de
Deus quanto a voz dos profetas, que tantas vezes haviam predito as desgraças
em que eles cairiam se continuassem na impiedade. Jeroboão foi o seu ímpio e
infeliz autor, quando, ao subir ao trono, levou o povo, pelo seu exemplo, à
idolatria e atraiu contra si a cólera de Deus, que o castigou como merecia.
O rei da Assíria fez então sentir o peso de suas armas à Síria e à Fenícia.
Faz-se menção dele nos anais dos tírios porque ele lhes fez guerra durante o
reinado de Eluleu, seu rei, como narra Menandro na história dos tírios, que foi
traduzida para o grego. Eis como ele fala: Eluleu reinou trinta e seis anos. E os
giteenses revoltaram-se, e ele partiu contra eles com uma esquadra e os redu-
ziu à sua obediência. O rei da Assíria enviou também um exército contra eles e
apoderou-se de toda a Fenícia. Tendo feito a paz, voltou ao seu país. Pouco
tempo depois, as cidades de Arcé, da antiga Tiro, e várias outras, quebraram o
jugo dos tírios para se entregar ao rei da Assíria. Como os tírios eram os únicos
que não se queriam submeter a ele, enviou contra eles sessenta navios, que os
fenícios haviam equipado e nos quais havia oitocentos remadores. Os tírios
foram com doze navios ao encontro dessa frota, dispersaram-na, fizeram qui-
nhentos prisioneiros e granjearam reputação de valentes por essa vitória. O rei
da Assíria regressou, mas deixou muitas tropas ao longo do rio e dos aquedu-
tos, para impedir que os tírios pudessem tirar água, o que, havendo-se prolon-
gado por cinco anos, obrigou-os a cavar poços. Encontramos isso nos anais
dos tírios, que é relativo a Salmaneser, rei da Assíria.
410. Esses novos habitantes de Samaria, que se chamavam chuteenses,
por razão que já explicamos, eram de cinco nações diferentes, tendo cada uma
um deus particular, e eles continuaram a adorá-los, como faziam em seu país.
Deus ficou tão irritado que lhes mandou uma terrível peste, para a qual não se
encontrou remédio no país. Eles foram então avisados por um oráculo que
adorassem ao Deus verdadeiro e Todo-poderoso, e Ele os livraria. Mandaram
então pedir logo ao rei da Assíria que lhes mandasse alguns dos sacerdotes
hebreus, que estavam prisioneiros. O soberano concordou, e eles os instruíram
na lei de Deus, prestaram-lhe as honras devidas, e logo a peste cessou.
Esses povos, a que os gregos chamam samaritanos, continuam ainda hoje
na mesma religião. E mudam com relação a nós segundo a diversidade dos
tempos. Pois, quando a nossa situação é boa, eles declaram que nos
consideram irmãos, porque sendo uns e outros descendentes de José, temos a
nossa origem num mesmo ramo. Quando a sorte nos é contrária, eles dizem
que não nos conhecem e que não são obrigados a nos amar, pois, vindo nós de
um país tão afastado para se estabelecer naquele em que eles habitam, nada
têm de comum conosco. Mas é necessário deixarmos esse assunto para um
outro momento, mais conveniente.",
"