Livro Decimo Segundo Flávio Josefo
Capítulo 16 Flávio Josefo
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"DEMETRIO, FILHO DE SELEUCO, FOGE DE ROMA, VEM À SÍRIA, FAZ-SE COROAR REI E
MANDA MATAR O REI ANTIOCO E LÍSIAS. ENVIA BACIDA COM UM EXÉRCITO À JUDÉIA,
PARA EXTERMINAR JUDAS MACABEU E
TODO O SEU PAÍS. CONSTITUI ALCIM COMO SUMO SACERDOTE, QUE
PRATICA ATOS DE GRANDE CRUELDADE. JUDAS, PORÉM, O OBRIGA A IR
PEDIR AUXÍLIO A DEMETRIO.",
"487. 1 Macabeus 7. Nesse mesmo tempo, Demetrio, filho de Seleuco, fugiu
de Roma, apoderou-se da cidade de Trípoli, na Síria, engajou um grande
número de soldados e se fez coroar rei. Os povos vieram de todos os lados para
se juntar a ele e aceitaram o seu domínio com tanta alegria que lhe entregaram
o rei Antioco e Lísias, aos quais ele mandou matar imediatamente. Antioco
havia reinado somente dois anos. Vários judeus, que haviam fugido por causa
de sua impiedade, voltaram para junto desse novo rei, e Alcim, sumo sacerdote,
uniu-se a eles para acusar os seus compatriotas, particularmente Judas
Macabeu e seus irmãos, de haverem matado os de seu partido quando estes
lhes caíram nas mãos, obrigando assim os outros a abandonar o país para viver
em segurança noutros lugares. Isso os impelia a suplicar-lhe que mandasse
alguém de confiança para se informar das acusações que se faziam contra
Judas.
Demetrio, animado por essas palavras contra Judas, enviou para lá
Bacida,* governador da Mesopotâmia, com um exército. Esse homem era um
valente general e fora muito querido do rei Antioco Epifânio. Demetrio deu-lhe
ordem expressa de exterminar todos os que seguiam Judas, e este por primeiro.
Recomendou-lhe particularmente que ajudasse Alcim, que deveria acompanhá-
lo nessa guerra.
O general partiu de Antioquia e, quando chegou à Judéia, mandou dizer a
Judas e a seus irmãos, com o fim de surpreendê-los, que queria fazer a paz e
contrair aliança com eles. Judas, porém, desconfiou de suas palavras, visto que
ele vinha com uma tropa considerável, mais parecendo desejar a guerra que a
paz. Outros, que não eram tão prudentes, prestaram fé às palavras de Bacida,
julgando que nada tinham a temer de Alcim, pois era um compatriota. Foram,
portanto, ter com eles, depois que ambos prometeram com juramento não lhes
fazer mal algum, nem aos de seu partido. Mas Bacida, contra a palavra que
empenhara, mandou matar sessenta deles. Essa perfídia impediu que os
demais lhe dessem fé, e ele afastou-se imediatamente de Jerusalém, chegando a
Bete-Zaíte, onde matou todos os que conseguiu aprisionar e ordenou ao povo
que obedecesse a Alcim, com quem deixou parte das tropas. Depois voltou para
Antioquia, a fim de falar com o rei Demétrio.
* Ou Báquides.
488. Alcim, para conquistar a afeição do povo e firmar sua autoridade,
falava com tanta doçura a todos que muitos, dos quais a maior parte era
composta de ímpios e fugitivos, se alinharam ao lado dele. Começou então a
devastar o país e mandou matar, do partido de Judas, os que lhe caíram nas
mãos. Judas, vendo que ele se fortificava cada dia mais e que tantos homens de
bem pereciam pela sua crueldade, pôs-se em campo e matou, do partido de
Alcim, todos os que pôde apanhar. Então esse inimigo de seu próprio país, não
se julgando forte o bastante para enfrentá-lo, voltou a Antioquia para pedir
socorro ao rei Demétrio, deixando o rei ainda mais irritado contra Judas. Alcim
acusou-o de muitos males e da intenção de causar outros ainda maiores, caso
sua majestade não enviasse poderosas forças para castigá-lo.",