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Livro Decimo Oitavo Flávio Josefo

Capítulo 5 Flávio Josefo

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,
"TIBÉRIO MANDA EXPULSAR TODOS OS JUDEUS DE ROMA. PILATOS CASTIGA
OS SAMARITANOS QUE SE HAVIAM REUNIDO E PEGADO EM ARMAS.
ELES O ACUSAM PERANTE VITÉLIO, GOVERNADOR DA SÍRIA,
QUE O OBRIGA A IR A ROMA PARA SE JUSTIFICAR.",
"774. Um judeu, que era um dos piores homens do mundo e que havia
fugido de seu país para evitar o castigo pelos seus crimes, juntou-se com três
outros que não eram melhores que ele. Em Roma, exerciam a profissão de
intérpretes da Lei de Moisés. Então uma mulher da sociedade, de nome Fúlvia,
que abraçara a nossa religião, tomando-os por homens de bem, pôs-se sob a
sua direção. Eles induziram-na a dar-lhes ouro e púrpura, que seriam enviados
a Jerusalém, mas eles conservaram para si o que ela lhes entregou e gastaram
o dinheiro.
Saturnino, marido de Fúlvia, foi queixar-se disso a Tibério, por quem era
muito estimado. Sabendo disso, ele ordenou que todos os judeus fossem
expulsos de Roma. Os cônsules, depois de uma exata indagação, reuniram
quatro mil homens, que foram enviados para a Sardenha, sendo que um grande
número deles foi severamente castigado, pois se recusaram a pegar em armas,
para não desobedecer às leis de seus antepassados. Assim, a malícia de quatro
celerados foi a causa de que não ficasse em Roma um só judeu.
775. Os samaritanos não foram menos atormentados nem isentos de
amarguras. Um impostor, que com nada se importava, para agradar ao povo e
ganhar-lhe o afeto, ordenou-lhes que se reunissem no monte Gerizim, que
nesse país é considerado um lugar santo, prometendo-lhes fazer ver os vasos
sagrados que Moisés havia enterrado. Com tal promessa, tomaram as armas e,
esperando os que deviam juntar-se a eles de todos os lados para subir o monte,
sitiaram a aldeia de Tirataba; mas Pilatos os precedeu; avançou com sua
cavalaria, ocupou o monte, atacou-os perto daquela aldeia, pô-los em fuga,
prendeu vários, mandou cortar a cabeça aos chefes. Os mais ilustres
samaritanos foram procurar Vitélio, governador da Síria, que tinha sido cônsul,
acusaram Pilatos de ter cometido muitos assassínios, afirmaram que eles não
tinham pensado em se rebelar contra os romanos e disseram que se haviam
reunido perto de Tirataba, somente para resistir às suas violências. Vitério ante
essas queixas, mandou Marcelo, seu amigo, para cuidar do governo da Judéia e
ordenou a Pilatos que fosse justificar-se perante o imperador. Assim, sendo
obrigado a obedecer, ele encaminhou-se para Roma, depois de ter governado a
Judéia por dez anos, mas Tibério morreu antes que ele lá tivesse chegado.",