Livro Decimo Flávio Josefo
Capítulo 4 Flávio Josefo
,
"MANASSES, REI DEJUDÁ, ENTREGA-SE A TODA ESPÉCIE DE IMPIEDADE.
DEUS O AMEAÇA POR SEUS PROFETAS, MAS ELE NÃO SE IMPORTA. UM EXÉRCITO DO REI
DE BABILÔNIA DEVASTA O SEU PAÍS E LEVA-O PRISIONEIRO.
ELE RECORRE A DEUS, ÉPOSTO EM LIBERDADE E CONTINUA A SERVIR A
DEUS FIELMENTE PELO RESTO DE SUA VIDA. SUA MORTE. AMAM, SEU FILHO,
SUCEDE-O. AMOM É ASSASSINADO, FOSIAS, SEU FILHO, SUCEDE-O.",
"415. 2 Reis 21. Manasses, que Ezequias, rei de judá, teve de Hefzibá, que
era de Jerusalém, sucedeu-o no trono. Tomou um caminho contrário ao que
seu pai havia trilhado, entregando-se a toda sorte de vícios e impiedades, e
imitou perfeitamente os reis de Israel que Deus havia exterminado por causa de
suas abominações. Ele ousou mesmo profanar o Templo, toda a cidade de
Jerusalém e o resto do país. Não sendo mais contido pelo temor da justiça de
Deus e desprezando os seus mandamentos, mandou matar muitos homens de
bem, não poupando nem mesmo os profetas. Não se passava um dia sem que
pelo menos um deles pagasse com a vida os caprichos do rei, manchando a
cidade com o seu sangue.
Deus, irritado com tantos crimes, mandou os seus profetas ameaçá-lo,
bem como a todo o povo, com os mais terríveis castigos, os quais os israelitas
seus antepassados haviam experimentado por terem, como ele, atraído a sua
indignação e a sua cólera. Mas nem o desventurado rei nem aquele povo infeliz
prestaram fé a essas palavras, as quais, se eles se tivessem comovido, poderiam
ter impedido as muitas desgraças que lhes sucederam. Mas eles só as
reconheceram verdadeiras depois de lhes sentir os efeitos. Continuaram,
portanto, a ofender a Deus, e Ele suscitou contra eles o rei dos babilônios e dos
caldeus, que os atacou com um grande exército, o qual não somente devastou o
país, mas levou prisioneiro o próprio Manasses.
Então, esse miserável príncipe percebeu que fora o excesso de pecados
que o reduzira àquele estado. E recorreu a Deus, rogando-lhe que tivesse
compaixão dele. A sua oração foi ouvida, e o rei vitorioso mandou-o livre para
Jerusalém. Essa mudança em sua vida mostrou que a sua conversão fora
sincera. Seu único pensamento agora era destruir a memória das ações
passadas, e empregou todos os seus esforços em restaurar o culto a Deus:
consagrou novamente o Templo, mandou reconstruir o altar para os sacrifícios,
segundo a lei de Moisés, e purificou toda a cidade. E, para mostrar como era
grato a Deus por ter sido liberto da escravidão, empregou o resto de sua vida
em tornar-se agradável aos olhos dEle, tanto por virtude quanto por contínuas
ações de graças.
Assim, por um proceder contrário ao anterior, levou os súditos a imitá-lo
no arrependimento tal como o haviam imitado em seus pecados, que tantos ma-
les atraíram sobre eles. E, depois de restaurar as cerimônias da antiga religião,
pensou em fortificar Jerusalém. Não se contentando em restaurar as antigas
muralhas, mandou construir outras, acrescentando-lhes altas torres. Fortificou
os arrabaldes, dando-lhes provisões de trigo e de tudo o que era necessário.
Enfim, a mudança foi tão grande que desde aquele dia em que começou a servir
a Deus até o fim de sua vida não mais se lhe amorteceu o zelo pela piedade.
Morreu na idade de sessenta e sete anos, após reinar cinqüenta e cinco, e foi
enterrado em seus jardins.
Amom, seu filho que ele tivera de Mesulemete, a qual era da cidade de
Jotbá, sucedeu-o. Ele imitou a impiedade em que seu pai caíra na juventude e
não tardou muito em ser castigado. Após reinar somente dois anos e ter vivido
vinte e quatro, foi assassinado pelos próprios servidores. O povo o fez morrer e
enterrou-o no sepulcro de seu pai. Josias, seu filho, que tinha então apenas
oito anos, sucedeu-o.",