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Livro Decimo Flávio Josefo

Capítulo 3 Flávio Josefo

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,
"EZEQUIAS, REI DEJUDÁ, ESTANDO NOS EXTREMOS, PEDE A DEUS QUE
PROLONGUE A SUA VIDA E LHE DÊ UM FILHO. DEUS O CONCEDE, E O PROFETA
ISAÍAS DÁ-LHE UM SINAL, FAZENDO ATRASAR DEZ GRAUS A SOMBRA DO SOL.
BALADA, REI DOS BABILÔNIOS, ENVIA EMBAIXADORES A EZEQUIAS PARA
FAZER ALIANÇA COM ELE. EZEQUIAS MOSTRA-LHE TUDO O QUE TEM DE MAIS
PRECIOSO. DEUS ACHA ISSO RUIM E LHE DIZ, POR MEIO DO PROFETA, QUE
TODOS OS SEUS TESOUROS E ATÉ OS SEUS FILHOS SERIAM UM DIA
TRANSPORTADOS PARA A BABILÔNIA. MORTE DE EZEQUIAS.",
"413. 2 Reis 20. Eis como Ezequias, rei de Judá, contra toda esperança,
ficou livre da ruína completa que o ameaçava. Ele só pôde atribuir tão mila-
groso êxito a Deus, que expulsou os inimigos, em parte por meio da peste com
que os feriu, em parte pelo medo que teve o rei de ver perecer do mesmo modo o
resto do exército. O príncipe, seguido por todo o povo, deu à divina Majestade
infinitas ações de graças, por ter obrigado os assírios a levantar o cerco.
Algum tempo depois, Ezequias ficou tão doente que os médicos e todos os
seus familiares perderam as esperanças de que se salvasse. Mas não era isso o
que lhe causava maior sofrimento. Sua grande dor era que, não tendo filhos, a
sua descendência terminaria com ele, e o trono passaria a outra família. Nessa
aflição, ele rogou a Deus que prolongasse os seus dias, até que gerasse um
filho. Deus, vendo em seu coração que era verdadeiramente por esse motivo que
ele fazia tal pedido e não para gozar por mais tempo das delícias inerentes à
vida dos reis, mandou o profeta Isaías dizer-lhe que ele ficaria curado dentro de
três dias: viveria ainda quinze anos e teria filhos.
A gravidade da doença pareceu-lhe ter tão pouca relação com tão grande
felicidade que ele teve dificuldade em prestar-lhe inteiro crédito. Por isso rogou
ao profeta que lhe manifestasse um sinal de que falava da parte de Deus, a fim
de fortificar a fé, pois só assim se prova a veracidade das coisas quando elas
são tão extraordinárias e inimagináveis. O profeta perguntou-lhe que sinal ele
desejava que lhe desse. Ele respondeu que desejaria ver a sombra do sol
retroceder dez graus no seu quadrante. O profeta fez o pedido a Deus, e Ele o
atendeu. Ezequias, depois desse grande prodígio, ficou curado no mesmo
instante. Foi ao Templo adorar a Deus e fazer orações.
414. Por essa mesma época, os medos tornaram-se senhores do império
dos assírios, como diremos a seu tempo. Balada, rei dos babilônios, enviou
embaixadores a Ezequias para propor uma aliança. Ele os recebeu e tratou
magnificamente, mostrou-lhes os seus tesouros, as suas pedras preciosas, os
seus arsenais e tudo o que possuía de mais rico e despediu-os com presentes
para o rei. Isaías veio vê-lo em seguida e perguntou-lhe de onde eram aqueles
homens que tinham vindo visitá-lo. Ele respondeu que eram embaixadores
enviados pelo rei da Babilônia e que lhes havia mostrado tudo o que tinha de
mais precioso, a fim de que pudessem referir ao seu senhor as suas riquezas e
o seu poder.
Disse-lhe o profeta: Eu vos declaro, da parte de Deus, que em pouco tem-
po as vossas riquezas serão levadas para Babilônia e os vossos descendentes
serão feitos eunucos, indo servir como tais ao rei da Babilônia. Ezequias,
amargurado pela dor de ver o seu reino e a sua posteridade ameaçados com
tanta desgraça, respondeu ao profeta que, visto nada poder impedir o que Deus
já havia determinado, ao menos lhe fizesse a graça de deixá-lo viver em paz o
resto de seus dias.
O historiador Berose faz menção desse Balada, rei da Babilônia. Quanto a
Isaías, admirável profeta de Deus que jamais deixou de dizer a verdade, a con-
fiança em tudo o que predizia fez com que ele não temesse escrevê-lo, a fim de
que os pósteros não pudessem duvidar. E ele não foi o único que assim proce-
deu, pois doze outros profetas fizeram o mesmo. Quanto a nós, vemos que todo
bem ou todo mal que nos acontece concorda perfeitamente com essas profecias,
como há de mostrar a continuação desta história. O rei Ezequias, segundo a
promessa que Deus lhe fez, viveu quinze anos em paz após ser curado de sua
enfermidade e morreu com cinqüenta e quatro anos, dos quais reinou vinte e
nove.",