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Livro Oitavo Flávio Josefo

Capítulo 7 Flávio Josefo

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"O EXÉRCITO DE ELÁ, REI DE ISRAEL, ASSASSINADO POR ZINRI, ESCOLHE ONRI
PARA REI, E ZINRI ATIRA-SE NAS CHAMAS. ACABE SUCEDE A ONRI, SEU PAI,
NO REINO DE ISRAEL. SUA ENORME IMPIEDADE. CASTIGO COM QUE DEUS O
AMEAÇA, PELO PROFETA ELIAS, QUE SE RETIRA EM SEGUIDA PARA O
DESERTO, ONDE OS CORVOS O ALIMENTAM, E DEPOIS PARA ZAREFATE, EM
CASA DE UMA VIÚVA, ONDE ELE FAZ GRANDES MILAGRES. ELIAS FAZ OUTRO
IMPORTANTE MILAGRE NA PRESENÇA DE ACABE E DE TODO O POVO E MATA
QUATROCENTOS E CINQÜENTA FALSOS PROFETAS. JEZABEL QUER MATÁ-LO,
MAS ELE FOGE. DEUS ORDENA-LHE QUE CONSAGRE FEÚ REI DE ISRAEL E
HAZAEL REI DA SÍRIA E ESTABELEÇA ELISEU COMO PROFETA. JEZABEL
MANDA APEDREJAR NABOTE, AFIM DE OBTER A SUA VINHA PARA ACABE.
DEUS MANDA ELIAS AMEAÇÁ-LO, E ELE SE ARREPENDE DE SEU PECADO.",
"356. Zinri, como acabamos de ver, tendo mandado assassinar o rei Elá e
usurpado a coroa, exterminou, segundo a predição do profeta Jeú, toda a
família de Baasa, do mesmo modo como havia feito à de Jeroboão, por causa de
sua impi-edade. Mas não ficou muito tempo impune pelo seu crime. O exército,
que sitiava Gibetom, tendo sabido do assassinato cometido por ele e de que se
havia apoderado do reino, levantou o cerco e escolheu para rei o general que os
comandava, de nome Onri. Este partiu imediatamente a fim de sitiar Zinri em
Tirza. Tomou a cidade, e então o usurpador, vendo-se abandonado e sem
auxílio, escondeu-se no lugar mais afastado do palácio, ao qual ateou fogo. Ele
morreu queimado após reinar apenas sete dias. O povo dividiu-se em vários
partidos, uns querendo conservar Onri como rei, outros manifestando-se a
favor de Tibni. Mas o partido de Onri era mais forte, e ele tomou pacificamente
posse do reino de Israel, após morte de Tibni, que foi assassinado.
Ele começou a reinar no trigésimo ano do rei Asa, de Judá, e reinou doze
anos, seis na cidade Tirza e seis em Semer, que os gregos chamam Samaria. Ele
então a chamou Semer por causa do nome daquele de quem ele comprara o
monte, sobre o qual a construiu. Em nada se diferenciou dos reis seus
predecessores, a não ser em tê-los sobrepujado na impiedade. Porque nada
houve que ele não fizesse para afastar o povo da religião de seus pais. Mas
Deus, com um justo castigo, exterminou-o, bem como a toda a sua família. Ele
morreu em Samaria, e Acabe, seu filho, sucedeu-o.
357. Esses exemplos dos favores com que Deus recompensa os bons e
dos castigos que inflige aos maus mostram como Ele observa as ações dos
homens. Vimos esses reis de Israel destruírem-se uns aos outros em pouco
tempo e todas as suas descendências serem exterminadas por causa da
impiedade deles. Deus, ao contrário, para recompensar a piedade do rei Asa, de
judá, deixou-o reinar com inteira prosperidade durante quarenta e um anos.
Morreu em ditosa velhice, e Josafá, seu filho, que ele tivera de Abida, sucedeu-o
na virtude bem como no reino, e deu a conhecer, por suas ações, que era um
verdadeiro imitador da piedade e da coragem de Davi, do qual era descendente,
como veremos mais particularmente na continuação desta história.
358. Acabe, rei de Israel, estabeleceu residência em Samaria e reinou
vinte e dois anos. Em vez de mudar as abomináveis instituições feitas pelos reis
seus predecessores, inventou ainda outras, tanto se comprazia em superá-los
na impi-edade, particularmente a Jeroboão, porque adorou, como ele, bezerros
de ouro que havia mandado fazer e acrescentou outros crimes a esse. Desposou
Jezabel, filha de Etbaal, rei dos tírios e dos sidônios, e tornou-se idolatra,
adorando falsos deuses. Jamais mulher alguma foi mais ousada e insolente.
Tão horrível era a sua impiedade que ela não se envergonhou de edificar um
templo a Baal, deus dos tírios, de plantar madeiras de todas as espécies e de
estabelecer falsos profetas para prestar um culto sacrílego a essa falsa
divindade. Como Acabe sobrepujava a todos os seus predecessores em maldade,
ele tinha prazer em manter sempre essa espécie de gente junto de si.
359. 1 Reis 17. Um profeta de nome Elias, da cidade de Tisbi, veio falar-
lhe da parte de Deus e afirmou com juramento que depois que tivesse
desempenhado a sua incumbência e se retirasse, Deus não mandaria mais
chuva nem orvalho à terra durante todo o tempo em que ele, Elias, estivesse
ausente. Tendo-lhe assim falado, dirigiu-se para o sul e parou próximo de uma
torrente, a fim de não sentir falta de água. Quanto à comida, alguns corvos
traziam-lhe todos os dias o necessário para o seu sustento. Quando a torrente
secou, ele foi, por ordem de Deus, a Zarefate, cidade situada entre Tiro e Sidom,
à casa de uma viúva, que Deus revelou lhe daria alimento.
Quando estava próximo da porta da cidade, encontrou uma mulher que
cortava lenha, e Deus revelou-lhe que era a que deveria hospedá-lo em casa.
Ele aproximou-se dela, cumprimentou-a e rogou-lhe que lhe desse um pouco de
água para beber. Ela o fez e, quando ela já se afastava, ele pediu também um
pedaço de pão. Afirmou então a mulher, com juramento, que tinha apenas um
pouco de farinha e de óleo e que tinha vindo ajuntar lenha a fim de assar um
pão para ela e seu filho, sendo que depois deveriam resignar-se a morrer de
fome. Disse-lhe o profeta: Tende coragem e não percais a esperança. Começai,
eu vos peço, por me dar o que tiverdes para comer, pois prometo que o vosso
prato jamais ficará sem farinha e nem faltará óleo ao vosso vaso até que Deus
faça cair chuva do céu.
A mulher obedeceu, e nem ele, nem ela, nem o filho dela tiveram falta de
coisa alguma até findar aquela prolongada seca, de que fala o historiador
Menandro quando narra os feitos de Etbaal, rei dos tírios: Houve naquele
tempo uma grande seca, que durou desde o mês de hiperbereteu até o mesmo
mês do ano seguinte. Esse soberano mandou fazer grandes preces e foram elas
seguidas de um grande trovão. Foi ele quem mandou construir as cidades de
Botris, na Fenícia, e a de Ausate, na África. Essas palavras referem-se, sem
dúvida, a essa seca, que aconteceu no reinado do rei Acabe, pois Etbaal reinava
em Tiro nesse mesmo tempo.
360. O filho da viúva de que acabamos de falar morreu pouco depois. O
excesso de dor fez a pobre mãe aflita perder o juízo, de modo que atribuía à
chegada do profeta a morte do menino. Dizia que ele havia descoberto os seus
pecados e que essa fora a causa de Deus lhe haver levado o único filho, para
castigá-la. O profeta, contudo, exortou-a a confiar em Deus e pediu que lhe
trouxesse o corpo do menino, prometendo restituí-lo vivo.
Ela obedeceu, e o profeta levou-o ao seu quarto, onde elevou a voz a Deus,
depois de estender em seu leito o menino, e disse-lhe, na amargura de sua
alma, que a morte da criança seria má recompensa à caridade que aquela mãe
usara para com ele, recebendo-o em sua casa e dando-lhe alimento. Então
rogou ardentemente a Deus que restituísse a vida ao menino. Deus, comovido
por causa da mãe e não querendo que se pudesse acusar o profeta de ter sido o
causador daquela infelicidade, ressuscitou o menino. A pobre mulher, fora de si
de tanta alegria ao rever, contra toda a esperança, o seu filho, disse a Elias,
enquanto segurava o menino nos braços: Agora conheço que falais deveras
com o Espírito de Deus.
361. 1 Reis 18. Algum tempo depois, Deus mandou esse profeta dizer ao
rei Acabe que mandaria chuva. A carestia então era tão grande e a falta de
todas as coisas necessárias à vida tão extraordinária que mesmo os cavalos e os
outros animais não encontravam erva, pois a extrema seca tornara a terra
árida. Para evitar a inteira ruína de seu gado, Acabe mandou Qbadias, chefe de
todos os seus pastores, procurar forragem nos lugares mais úmidos, devendo
ao mesmo tempo procurar por toda parte o profeta Elias. Vendo que não o
podiam encontrar, resolveu ir ele mesmo procurá-lo e disse a Obadias que o
seguisse, porém tomando um outro caminho.
Obadias era um homem de bem e tão temente a Deus que, quando Acabe
e Jezabel mandaram matar os profetas do Senhor, ele escondeu uns cem deles
em cavernas, onde os alimentava com pão e água. Mal havia deixado o rei, o
profeta veio ao seu encontro. Obadias perguntou-lhe quem era, e quando o
soube pros-trou-se diante dele. Disse-lhe o profeta: Ide avisar o rei da minha
chegada. Respondeu Obadias: Que mal vos fiz, para quererdes a minha
morte? Pois o rei vos fez procurar por toda parte, a fim de matar-vos. Logo que
eu lhe disser que estais para chegar, o Espírito de Deus vos levará a outros
lugares, e assim o rei dirá que o enganei e sem dúvida me matará. Podeis, no
entanto, se o quiserdes, salvar-me a vida. É o que vos peço, pelo amor que
demonstrei a cem profetas como vós, aos quais livrei do furor de Jezabel e
escondi nas cavernas, onde ainda os sustento. O homem de Deus respondeu-
lhe que fosse com toda tranqüilidade procurar o rei, pois prometia com
juramento comparecer naquele mesmo dia à sua presença.
Ele partiu, e Acabe, ante essas palavras, veio ter com Elias e encolerizado
disse-lhe: Sois então o causador de tantos males ao meu reino,
particularmente desta esterilidade, que o reduziu a tal miséria? O profeta, sem
se admirar, respondeu que o rei deveria atribuir a si mesmo todos os males de
que se lamentava, pois os havia atraído pelo culto sacrílego que prestava aos
falsos deuses de outras nações, abandonando o Deus verdadeiro. Mandou
então que reunisse todo o povo no monte Carmelo e ordenasse a todos os
profetas da rainha sua esposa, dos quais afirmou desconhecer o número, e aos
quatrocentos e cinqüenta dos lugares altos que lá se encontrassem todos.
Feito isso, Elias falou nestes termos à grande multidão: Até quando o
vosso Espírito ficará hesitando, na incerteza do partido que deveis tomar? Se
credes que o nosso Deus é o Deus eterno e único, por que não vos dedicais
inteiramente a Ele com inteira submissão do coração e não observais os seus
mandamentos? Se credes, ao contrário, que são esses deuses estrangeiros que
deveis adorar, por que não os tomais por vossos deuses?
Ninguém respondeu, e o profeta continuou: Para se conhecer, por meio
de uma prova indubitavel, quem é o mais poderoso, o Deus que adoro ou esses
deuses que vos apresentam, e se quem está na verdadeira religião sou eu ou
esses quatrocentos e cinqüenta profetas, vou trazer um boi preparado para o
sacrifício, mas não porei fogo à lenha. Que esses quatrocentos e cinqüenta
profetas façam a mesma coisa e roguem depois aos seus deuses, assim como
rogarei ao meu, que ponham fogo à lenha, e então conheceremos quem é o
verdadeiro Deus.
A proposta foi aprovada, e Elias disse aos profetas que escolhessem o boi
que quisessem e por primeiro fizessem o sacrifício e invocassem os seus deuses.
Eles o fizeram, mas inutilmente. Elias, para zombar deles, disse-lhes que
gritassem mais alto, porque os seus deuses talvez tivessem ido passear ou
então estavam dormindo. Eles continuaram as suas invocações até o meio-dia e
cortavam a própria pele com navalhas, segundo o seu costume, mas sem
resposta alguma.
Quando Elias foi por sua vez sacrificar, ordenou que todos se retirassem e
convocou o povo a verificar se ele ocultamente poria fogo à lenha. Todos se
aproximaram. O povo tomou doze pedras, segundo o número das tribos, e er-
gueu um altar, ao qual rodeou com um canal profundo. Colocaram a lenha so-
bre o altar e puseram a vítima sobre a lenha. Derramaram depois por cima dela
quatro grandes cântaros de água da fonte. A água molhou não somente a vítima
e toda a lenha, mas correu pelo canal e o encheu. Então Elias invocou a Deus e
rogou-lhe que mostrasse o seu poder àquele povo que havia tanto tempo estava
mergulhado nas trevas da cegueira. No mesmo instante, viu-se descer do céu
sobre o altar um fogo, que consumiu inteiramente a vítima e toda a água, sem
que a terra ficasse menos seca do que estava antes.
O povo, espantado com tão grande milagre, prostrou-se por terra e adorou
a Deus, clamando que Ele era o único e verdadeiro Deus e que todos os outros
deuses eram apenas nomes sem sentido, imaginários, ídolos sem virtude e sem
poder, objetos dignos de desprezo, aos quais não se podia sem loucura prestar
culto. O profeta, então, matou os quatrocentos e cinqüenta falsos profetas e
disse ao rei que fosse comer tranqüilo, pois lhe garantia que Deus logo faria
chover.
Depois que o rei se retirou, Elias subiu ao cume do monte e pôs a cabeça
entre os joelhos. Estando o céu muito claro e sereno, ordenou ao seu servo que
subisse a um rochedo e olhasse para o lado do mar, a fim de dizer-lhe se via
alguma pequena nuvem. O servo subiu e disse que nada via. Voltando, porém,
pela sétima vez, disse-lhe por fim que avistava no ar uma nuvenzinha de mais
ou menos um pé de comprimento. O profeta então mandou dizer ao rei que
voltasse logo para Israel, se não quisesse ser surpreendido por uma violenta
tempestade. Acabe partiu a toda velocidade em seu carro, e o profeta, levado
pelo Espírito de Deus, não o seguiu menos depressa. Logo que chegaram à
cidade, espessas nuvens cobriram todo o céu. Um vento impetuoso levantou-se,
e uma chuva fortíssima inundou a terra.
362. 1 Reis 19. Quando Jezabel soube dos prodígios que Elias havia
realizado e da morte de seus profetas, mandou dizer-lhe que o trataria do modo
como ele os havia tratado. Tais ameaças atemorizaram-no, e ele fugiu para a
cidade de Berseba, que está na extremidade do território da tribo de judá e
confina com a Iduméia. Lá deixou o seu servo e penetrou sozinho no deserto.
Ele pediu a Deus que o retirasse deste mundo e adormeceu em seguida,
debaixo de uma árvore.
Estando ainda nessa aflição, percebeu que alguém o despertava e que lhe
havia trazido pão e água. Após readquirir as forças com esse alimento inespera-
do, caminhou tanto que chegou ao monte Sinai, onde Deus entregara a Moisés
a sua lei. Tendo encontrado uma caverna espaçosa, resolveu nela estabelecer
moradia, e ali ouviu uma voz, que lhe perguntou por que ele havia abandonado
a cidade para refugiar-se no deserto. Ele respondeu que o fizera porque, tendo
matado os profetas dos falsos deuses e procurado persuadir o povo a adorar o
verdadeiro Deus, o único que merece a nossa adoração, a rainha Jezabel come-
çou a procurá-lo por toda parte para o matar.
A voz então ordenou-lhe que saísse da caverna no dia seguinte, para
saber o que teria de fazer. Ele obedeceu e imediatamente sentiu a terra tremer
sob os pés. Relâmpagos ardentes feriram-lhe os olhos. Veio depois uma grande
calma, e ele ouviu uma voz celeste, que lhe disse para não temer cair em poder
dos inimigos e que voltasse para casa e consagrasse Jeú, filho de Ninsi, rei
sobre Israel e Hazael rei sobre os sírios, porque desejava servir-se deles para
castigar os maus. A voz acrescentou que deixasse Eliseu, filho de Safate, da
cidade de Abel, como profeta em seu lugar. Elias, para obedecer à ordem, partiu
no mesmo instante e, encontrando Eliseu no caminho, com alguns outros que
trabalhavam o campo com doze pares de bois, lançou sobre ele o seu manto. No
mesmo instante, ele profetizou, deixou os bois e seguiu o profeta, depois de
haver, com sua licença, se despedido dos parentes, e não o abandonou mais.
363. 1 Reis 21. Um homem da cidade de jezreel, chamado Nabote, possuía
uma vinha que confinava com as terras do rei Acabe. Várias vezes o soberano
rogou-lhe que a vendesse ao preço que quisesse ou a trocasse por qualquer
outra, porque tinha dela necessidade, para aumentar o seu parque. Nabote,
porém, jamais se decidiu a isso, dizendo que nenhuma outra uva lhe poderia
ser mais agradável que a produzida por uma vinha deixada pelo pai. Essa
recusa ofendeu de tal modo a Acabe que ele não quis mais comer nem tomar
banho. Jezabel perguntou-lhe a causa daquilo, e ele contou que Nabote, por
uma estranha grosseria, lhe recusara obstinadamente vender ou trocar a sua
vinha, embora ele se tivesse humilhado e lhe rogado em termos indignos da
majestade de um rei.
A altiva princesa respondeu que aquilo não era motivo pelo qual se
devesse afligir, a ponto de esquecer até o cuidado com a própria pessoa, e que
se tranqüilizasse e confiasse nela, sem se preocupar mais: ela tomaria
providências, e a insolência de Nabote seria castigada. Imediatamente mandou
escrever em nome do rei aos principais oficiais da província, para que
decretassem um jejum, e, quando o povo estivesse reunido, dessem o primeiro
lugar a Nabote, pela nobreza de sua descendência, mas em seguida fizessem ele
ser acusado por três homens, que o rei lhes mandaria, de ter blasfemado contra
Deus e contra o rei. Desse modo, ele seria então eliminado. Tudo foi executado,
e Nabote foi apedrejado e morto pelo povo. Jezabel de imediato mandou dizer ao
rei que ele poderia tomar posse da vinha de Nabote quando quisesse, sem que
isso lhe custasse coisa alguma. Ele ficou tão contente que se levantou da cama
e para lá se dirigiu no mesmo instante.
Deus, porém, cheio de cólera, mandou Elias perguntar-lhe por que havia
feito morrer o possuidor legítimo daquela propriedade, pois dela se havia
apoderado injustamente. Quando Acabe soube que Elias vinha ter com ele,
suspeitando do que o profeta pretendia fazer, confessou, para evitar a vergonha
da censura, que usurpara a propriedade, mas que nada tinha a ver com o
sucedido. Respondeu-lhe o profeta: O vosso sangue e o de vossa mulher serão
derramados no mesmo lugar onde fizestes correr o de Nabote e onde destes o
seu corpo para pasto dos cães, e toda a vossa descendência será exterminada,
como castigo por um outro grande crime, isto é, o de violar a lei de Deus,
fazendo morrer um cidadão contra toda espécie de justiça.
Tais palavras fizeram tal impressão no Espírito de Acabe que ele
confessou o seu pecado. Revestiu-se de um saco e saiu descalço, não desejando
nem mesmo comer, a fim de expiar a sua falta. Deus, comovido pelo seu
arrependimento, mandou Elias dizer-lhe que, como ele estava arrependido de
tão grande crime, adiava o castigo para depois de sua morte, mas que o seu
filho seria castigado.",