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Livro Oitavo Flávio Josefo

Capítulo 6 Flávio Josefo

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,
"VIRTUDES DE ASA, REI DE JUDÁ E FILHO DE ABIÃO. ESPLÊNDIDA VITÓRIA
QUE ELE OBTÉM SOBRE ZERÁ, REI DA ETIÓPIA. O REI DE DAMASCO O
AUXILIA CONTRA BAASA, REI DE ISRAEL, QUE É ASSASSINADO POR CREOM.
ELÁ, FILHO DE BAASA, SUCEDE AO PAI E É ASSASSINADO POR ZINRI.",
"354. 1 Reis 15; 2 Crônicas 14, 15 e 76. Asa, rei de Judá e filho de Abião,
era um príncipe tão sábio e religioso que tinha como regra para as suas ações
apenas a lei de Deus. Ele reprimiu os vícios, baniu as desordens e deteve a
corrupção que se introduzira no reino. Somente na tribo de Judá havia
trezentos mil homens escolhidos, armados com dardos e escudos, e duzentos e
cinqüenta mil na de Benjamim, que também possuíam escudos e se serviam de
arcos e de flechas.
Então Zerá, rei da Etiópia, veio atacá-lo com um exército de cem mil
cavaleiros, novecentos mil soldados de infantaria e trezentos carros. Marchou
contra ele até Maressa, cidade da Judéia, e colocou o seu exército em posição
de batalha no vale de Zefatá. Quando ele viu aquela enorme multidão de
inimigos, dirigiu-se a Deus para implorar o seu auxílio, em vez de perder a
coragem. Na sua oração, disse-lhe que só se envolvera numa guerra contra tão
poderoso exército pela confiança que tinha em seu auxílio, pois sabia que Ele
podia fazer vencedor um pequeno número ou fazer triunfar os mais fracos
contra os mais fortes, os quais pareciam os mais temíveis.
Deus aceitou a oração desse virtuoso príncipe e a teve por tão agradável
que mostrou por um sinal que ele obteria a vitória. Assim, ele partiu para a luta
com inteira confiança, matou um grande número de inimigos, pôs em fuga o
restante deles e os perseguiu até a cidade de Gerar, que tomou à força. Os
soldados saquearam-na e devastaram todo o acampamento dos etíopes, onde
encontraram tão grande quantidade de ouro, camelos, cavalos e gado que
voltaram a Jerusalém carregados de riquezas.
Quando se aproximavam da cidade, o profeta Azarias veio-lhes ao
encontro, mandou que parassem e lhes disse que Deus os havia feito obter
aquela brilhante vitória porque reconhecera a sua piedade e submissão às
santas leis. E, se continuassem a viver daquele modo, Ele continuaria também
a fazê-los triunfar de seus inimigos. Mas se eles se afastassem do seu serviço
cairiam em tal infelicidade que entre eles não haveria um só profeta verdadeiro
ou um sacerdote que fosse justo. As suas cidades seriam destruídas, e eles
vagariam errantes por toda a terra. Assim, exortava-os a praticar cada vez mais
a virtude, enquanto isso lhes fosse possível, e que não se iludissem com a
felicidade de serem favorecidos por Deus. Essas palavras encheram Asa e os
seus de tal alegria que nada esqueceram, quer em geral, quer em particular, de
tudo o que dependia deles, para fazer observar a lei de Deus.
355. Voltemos agora a Baasa, que depois de ter assassinado Nadabe, filho
de Jeroboão, tinha usurpado o reino de Israel. Escolheu ele a cidade de Tirza
para sua moradia e reinou vinte e quatro anos. Foi ainda mais ímpio e mau que
Jeroboão e seu filho Nadabe. Não havia vexames e tribulações pelas quais não
fizesse passar os seus súditos nem blasfêmias que não vomitasse contra Deus.
Assim, atraiu ele sobre si a cólera de Deus, que lhe mandou dizer, por )eú, seu
profeta, que o exterminaria, bem como a toda a sua descendência, tal como
havia exterminado a de Jeroboão, porque, em vez de reconhecer o favor que lhe
havia feito, consti-tuindo-o rei, e de ganhar o coração do povo pelo amor, pela
religião e pela justiça, ele preferira imitar o detestável Jeroboão em seus crimes
e em suas abo-minações.
Tais ameaças, no entanto, não levaram o soberano a se corrigir nem a
fazer penitência para aplacar a ira de Deus. Ao contrário, ele chafurdou-se cada
vez mais em toda espécie de pecado. Sitiou Rama, cidade assaz importante,
distante de Jerusalém uns quarenta estádios somente. Depois de havê-la
tomado, fortificou-a e colocou ali uma forte guarnição, para poder daquele lugar
fazer incursões pelo país. O rei Asa, para maior segurança, enviou
embaixadores com dinheiro ao rei de Damasco, pedindo-lhe auxílio, conforme a
aliança que havia entre os seus antepassados.
O soberano recebeu o dinheiro e enviou logo um exército às terras de
Baasa, o qual causou-lhe muitos prejuízos, queimando cidades e saqueando
Ijom, Dã e Abel-Maim. Desse modo, Baasa foi obrigado a deixar a fortificação de
Rama para defender o país. No entanto Asa fortificou Ceba e Mispa com o
material que Baasa havia preparado para usar em Rama. Baasa não pôde mais
continuar atacando Asa. Creom assassinou Baasa, o qual foi enterrado na
cidade de Tirza. Elá, seu filho, sucedeu-o e reinou apenas dois anos. Zinri, que
comandava metade da cavalaria, assassinou-o num banquete que ele oferecia
em casa de um de seus oficiais, de nome Arsa, onde não havia guardas, porque
ele havia mandado todos os seus soldados sitiar Gibetom, uma cidade dos
filisteus.",