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Livro 2 Flávio Josefo

Capítulo 9 Flávio Josefo

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,
"COMO OS JUDEUS SÃO OBRIGADOS A PREFERIR SUAS LEIS A TODAS AS
OUTRAS. DIVERSOS POVOS NÃO SOMENTE AS AUTORIZAVAM COM SUA
APROVAÇÃO, MAS OS IMITARAM.",
"Não houve poder, por maior que fosse, nem consideração qualquer, que
jamais nos pudesse afastar da observância de nossas leis. O único desejo de as
conservar e não o de nos engrandecemos nos fez empreender generosamente
grandes guerras. Nós sofremos com paciência todos os outros males, mas quan-
do quiseram tocar nessas santas leis, para defendê-las, praticamos atos de
valor que parecem superiores às nossas forças, sem que o extremo a que nos
vimos reduzidos tivesse podido afrouxar nosso ardor e enfraquecer nossa
coragem. Como então poderíamos preferir a nossas leis às dos outros povos,
vendo que elas não são observadas, nem mesmo por aqueles que as criaram?
Como poderíamos não censurar os lacedemônios por sua pouca humanidade
para com os estrangeiros e por sua negligência com relação aos casamentos?
Como poderíamos não sentir horror pela abominação dos elídios, dos tebanos e
de outros povos da Grécia, que se vangloriam de cometer pecados que causam
vergonha à natureza? Que os misturaram às suas leis, que os atribuíram
mesmo aos seus deuses e que soltando o freio de suas brutais paixões, não
fazem caso de despo-sar suas próprias irmãs? Que direi dos meios de que
vários desses legisladores de que eles se gabam, aqueles deram aos maus, para
evitar o castigo de seus crimes, ordenando como pena de um adultério apenas
uma multa pecuniária? Ou ainda depois de ter violado uma virgem ficar-se livre
de desposá-la? Eu não o teria feito, se quisesse examinar particularmente todas
as ocasiões que eles dão de renunciar à virtude e à piedade, e quantos pretextos
eles acharam para calcar aos pés todas as leis. É o que não se dá entre nós; nós
observamos inviolavelmente as nossas leis até à morte; por não querer
abandoná-las, fomos expulsos de nossas cidades e despojados de nossos bens.
Não encontrará um só judeu, por mais afastado que ele esteja do seu país e por
mais rudes e temíveis que sejam os príncipes sob a dominação dos quais eles
vivem, que faça, por temor, algo contrário às suas leis. Se a pureza dessas leis
nos torna tão afeiçoados à sua conservação, devemos estar de acordo em que
elas são muito boas. E se dissermos que são más, e que é por teimosia que a
ela nos apegamos, que castigo não merecem os que, julgando as suas mui
perfeitas, não as observam?
Ora, como uma longa seqüência de séculos é a melhor de todas as provas,
disso me servirei para mostrar as virtudes de nosso admirável legislador, e que
nada se pode acrescentar à santidade das regras que ele nos deu, com relação
ao culto que somos obrigados a prestar a Deus. devemos apenas computar os
anos para vermos que Moisés precedeu de muito a todos os outros legisladores.
Foi, portanto, de nós que vieram as leis que tantos outros abraçaram, e embora
os mais sábios dos gregos observem aparentemente as de seu país, eles seguem
na verdade as nossas, têm as mesmas idéias sobre Deus e ensinam a viver do
mesmo modo.
Vários outros povos também há muito tempo ficaram tão impressionados
pela nossa piedade, que não há cidade grega, nem bárbaros, onde não se deixe
de trabalhar no sétimo dia, onde não se acendam lâmpadas e onde não se
façam jejuns. Muitos mesmo se abstêm, como nós, de comer certas carnes e
iguarias e procuram imitar a união em que nós vivemos, a comunicação que
fazemos de nossos bens, nossa indústria nas artes e nossa constância no
sofrimento, para observar nossas leis.
O que é, porém, muito mais admirável ainda é que, assim como Deus
governa o mundo com sua sabedoria e com seu poder, nossa lei age por si,
mesmo nos espíritos e nos corações, sem que seja necessário, para fazê-la
observar, que se obrigue a quem quer que seja, e aqueles que refletirem no que
se passa em seu país e em suas casas não terão dificuldade em prestar fé ao
que estou dizendo. Poderemos então não admirar assaz a malícia dos que
querem que abandonemos leis tão santas, para tomarmos outras más? Se eles
não o querem, que deixem então de nos atacar com calúnias. Protesto
sinceramente que não me empenhei por ódio algum a defender esta causa. Meu
único fim é sustentar a honra de nosso legislador e do que ele nos alegou, por
ordem de Deus. Quando não compreendêssemos por nós mesmos a santidade
dessas leis, o grande número dos que as observam e que as admiram nos
deveria causar respeito para com elas. Já falei muito difusamente delas, bem
como também da antigüidade de nossa nação e da forma de nossa república na
minha história dos judeus; foi somente por necessidade que voltei a fazê-lo
agora aqui, sem intenção de censurar os outros, nem de nos louvar, mas
somente para mostrar a malícia dos que nos atacam e nos atribuem tantas
coisas contrárias à verdade.",