Eclesiástico - Capítulo 45 (BJ)

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1 Orgulho das alturas, firmamento de claridade, assim aparece o céu em seu espetáculo de glória.
2 O sol, em espetáculo, proclama ao surgir: "Quão admirável é a obra do Altíssimo!"
3 Ao meio-dia ele seca a terra: quem pode resistir ao seu calor?
4 Atiça-se a fornalha para produzir calor, o sol queima três vezes mais as montanhas; soprando vapores quentes, dardejando seus raios, deslumbra os olhos.
5 Grande é o Senhor que o fez e com sua palavra apressa o seu curso.
6 Também a lua, sempre exata a mostrar os tempos, é sinal eterno.
7 É a lua que marca as festas, astro que decresce depois de sua cheia.
8 É dela que o mês tira o seu nome; ela cresce espantosamente em sua evolução, insígnia das milícias celestes brilhando no firmamento do céu.
9 A glória dos astros faz a beleza do céu; ornam brilhantemente as alturas do Senhor.
10 À palavra do Santo permanecem nos seus lugares e não se cansam de suas rondas.
11 Contempla o arco-íris e bendize o seu Autor, ele é magnífico em seu esplendor.
12 Forma no céu um círculo de glória, as mãos do Altíssimo o estendem.
13 Por sua ordem ele faz cair a neve, lança relâmpagos segundo seus decretos.
14 Para isso abrem-se os depósitos e as nuvens voam como pássaros.
15 Com sua potência condensa as nuvens que se fragmentam em granizo;
16 à sua vista os montes se abalam; por sua vontade sopra o vento sul,
17 à voz de seu trovão a terra treme;
18 como o furacão do norte e os ciclones.
19 Como pássaros que pousam, ele faz descer a neve, a sua queda é como a de gafanhotos. O olho se maravilha diante da beleza de sua brancura e o espírito se extasia ao vê-la caindo.
20 Como o sal, ele ainda derrama sobre a terra a geada, a qual congelando, torna-se pontas de espinhos.
21 O vento frio do norte sopra, o gelo se forma sobre a água; pousa sobre toda a água parada, reveste-a como de uma couraça.
22 Ele devora os montes, queima o deserto e, como o fogo, extermina a erva verdejante.
23 A nuvem é um pronto remédio, e após o calor, o orvalho alegra.
24 Segundo seu plano, ele subjugou o abismo, nele plantou as ilhas.
25 Os que percorrem o mar contam os seus perigos, e nós nos admiramos com o que ouvimos:
26 ali existem coisas estranhas e maravilhas, animais de toda espécie e monstros marinhos.
27 Graças a Deus, seu mensageiro chega a bom porto e tudo se arranja segundo a sua palavra.
28 Poderíamos nos estender sem esgotar o assunto; numa palavra: "Ele é tudo."
29 Onde encontrar força para o glorificar? Porque ele é grande, acima de todas as suas obras,
30 Senhor temível e soberanamente grande, sua potência é admirável.
31 Que vossos louvores exaltem o Senhor, conforme podeis, porque ele vos excede. Para o exaltar desdobrai vossas forças, não vos canseis, porque nunca chegareis ao fim.
32 Quem o viu para que o possa descrever? Quem o pode glorificar como ele merece?
33 Ainda há muitos mistérios maiores do que esses, pois não vimos senão um pouco de suas obras.
34 Porque foi o Senhor que criou tudo e aos homens piedosos deu a sabedoria.
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