Eclesiástico - Capítulo 24 (BJ)

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1 O preguiçoso é semelhante a uma pedra suja de lodo, todos zombam dele com desprezo.
2 O preguiçoso é semelhante a um monte de esterco, todo aquele que o tocar sacudirá a mão.
3 Um filho mal-educado é a vergonha do pai, mas uma filha nasce para sua confusão.
4 Uma filha sensata encontrará um marido, mas a desavergonhada causa tristeza àquele que a gerou.
5 Uma filha audaciosa envergonha o pai e o marido, por ambos será desprezada.
6 Uma palavra inoportuna é música em dia de luto; mas chicote e disciplina, em todo tempo, são obras da sabedoria.
7 Ensinar ao estulto é como colar cacos, é acordar alguém que dorme profundamente.
8 Explicar a um estulto é como explicar a um sonolento, no fim dirá: "O que foi?"
9 Chora por um morto porque perdeu a luz, chora por um estulto porque perdeu a inteligência. Chora mais docemente por um morto, pois repousa; porém, à vida do estulto é pior do que a morte.
10 O luto por um morto dura sete dias; pelo estulto e pelo ímpio, todos os dias de sua vida.
11 Com o insensato não multipliques palavras, não caminhes em direção a um estulto, guarda-te dele para não teres aborrecimento e para não te sujares ao seu contato. Evita-o e encontrarás repouso e não te desencorajes com a sua loucura.
12 O que é mais pesado do que o chumbo? E que outro nome dar-lhe senão o de insensato?
13 Areia, sal, uma bola de ferro são mais fáceis de se transportar do que o homem estulto.
14 O madeiramento incrustado na construção não se desligará com um terremoto; assim, o coração firmado por um desígnio da vontade não temerá em nenhuma ocasião.
15 Um coração apoiado sobre uma sábia reflexão é como ornamento de estuque sobre parede limpa.
16 Cascalho no alto da paredenão resiste ao vento; assim, o coração tímido, por causa de seus pensamentos tolos, não resiste ao temor.
17 Aquele que fere o olho faz cair lágrimas; ferindo o coração, faz aparecer os sentimentos.
18 Aquele que joga uma pedra nos passarinhos afugenta-os, o que insulta um amigo desfaz a amizade.
19 Ainda que tenhas desembainhado a espada contra o amigo não desesperes, porque existe um retorno.
20 Se abrires a boca contra teu amigo, não temas, porque existe uma reconciliação, exceto em caso de ultraje, arrogância, revelação de segredo, golpe de traição: nesses casos qualquer amigo fugirá.
21 Ganha a confiança do próximo na sua pobreza, para que, na prosperidade, gozes com ele. Sê fiel a ele no tempo da provação, para teres parte na sua herança.
22 Antes do fogo vêm o vapor da fornalha e a fumaça; assim, antes do sangue, vêm as ofensas.
23 Não me envergonharei de proteger um amigo, dele não me esconderei,
24 e se por causa dele me sobrevier algum mal, todo aquele que ouvir isso dele se acautelará.
25 Quem me colocará um guarda na boca e sobre os lábios o selo da sagacidade, para que eu não caia por sua falta e minha língua não me arruíne?
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