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livro II Parte Flávio Josefo

Capítulo 1 Flávio Josefo

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,
"Guerra dos Judeus - Contra os Romanos | Advertência",
"Se a História dos Judeus mostrou-nos que josefo merece ser colocado
entre os melhores escritores de todos os tempos, a sua obra que trata da guerra
contra os romanos, a qual compreende a primeira e a maior parte deste
segundo volume, não permite duvidar de que ele superou a si mesmo.
Várias razões contribuíram para tornar este livro uma obra-prima: a
magnitude do assunto, os sentimentos que produzia em seu coração a ruína de
sua pátria e a parte que ele tivera nos principais acontecimentos dessa
sangrenta guerra.
Que outro assunto poderia igualar-se ao deste grande assédio que
mostrou a toda a terra como uma única cidade teria sido obstáculo à glória dos
romanos, se Deus, por castigo de seus crimes, não a tivesse fulminado com os
raios de sua cólera? Que sentimentos de dor podem ser mais vivos que os de
um judeu e de um sacerdote ao ver em subverterem-se as leis do seu país, das
quais nenhum outro jamais foi tão zeloso e reduzir-se a cinzas o soberbo
Templo, objeto de sua devoção e de seu zelo? Que parte maior pode ter um
historiador em sua obra, do que ser obrigado a mencionar as principais ações
de sua vida e a trabalhar para sua própria glória, revelando, sem bajulação, a
dos vencedores e ao mesmo tempo referindo-se ao que devia à generosidade
desses dois admiráveis príncipes, Vespasiano e Tito, aos quais cabe a honra de
ter terminado essa grande guerra?
Mas, como encontramos nesta história tantas coisas notáveis, creio que
os que a lerem descobrirão com prazer, num resumo mais exato — como o de
Josefo, em seu prefácio — o que ela contém para passar, em seguida, da idéia
geral aos particulares que dela dependem. A obra está dividida em sete livros.
O primeiro e o segundo, até o capítulo 28, são um resumo da história dos
judeus, referida no primeiro volume, já publicado, desde Antíoco Epifânio, rei
da Síria, que depois de ter saqueado o Templo, quis abolir a religião, até Floro,
governador da Judéia, cuja avareza e crueldade foram a primeira causa dessa
guerra, que eles sustentaram contra os romanos. Esse resumo é tão agradável
que Josefo aparentemente quis mostrar que podia, como excelente pintor, re-
presentar com tanta arte os mesmo objetos, em maneiras diferentes, que não
sabemos à qual dar o prêmio.
No primeiro volume, essas histórias foram interrompidas pela narração de
coisas acontecidas ao mesmo tempo; aqui, são escritas na seqüência e dão aos
leitores a satisfação de ver num único quadro, o que havia visto em vários,
separadamente. Depois do capítulo 28 do segundo livro e até o fim, Josefo
narra o que se passou depois da perturbação suscitada por Floro, até a derrota
do exército romano, comandado por Céstio Galo, governador da Síria.
No começo do terceiro livro, Josefo mostra o espanto que causou ao
imperador Nero esse infeliz resultado de suas armas, o que poderia ter
suscitado a revolta de todo o Oriente e diz que tendo lançado os olhos para
todos os lados, só encontrou Vespasiano, que poderia sustentar o peso de uma
guerra tão importante e lhe deu, então, a chefia e o comando. Em seguida,
aborda de que modo esse grande general, acompanhado por Tito, seu filho,
entrou na Galiléia, de que Josefo, autor desta história, era governador e o sitiou
em jotapate, onde depois da maior resistência que se poderia imaginar, ele foi
aprisionado e levado a Vespasiano, e como Tito tomou várias outras praças e
realizou feitos de incrível valor.
Vemos no quarto livro: Vespasiano conquistar o restante da Galiléia; a
divisão dos judeus em Jerusalém; os facciosos, que tomavam o nome de zelotes,
tornarem-se senhores do Templo, sob o comando de João de Giscala; Anano,
sumo sacerdote, levar o povo a sitiá-los; os idumeus virem em seu auxílio,
praticarem crueldades incríveis e depois se retirarem; Vespasiano tomar
diversas praças da Judéia, bloquear Jerusalém com a resolução de sitiá-la e
desistir desse intento por causa da morte dos imperadores Nero, Galba e Oton;
Simão, filho de Joras, outro chefe dos facciosos, ser recebido pelo povo em
Jerusalém; Vitélio, que se havia apoderado do império, depois da morte de
Oton, tornar-se odioso e desprezível por sua crueldade e por sua devassidão; o
exército comandado por Vespasiano declará-lo imperador; e, por fim, Vitélio ser
assassinado em Roma, depois da derrota de suas tropas, por Antônio Primo,
que tinha abraçado o partido de Vespasiano.
O quinto livro aborda a formação em Jerusalém de uma terceira facção,
da qual Eleazar foi o chefe, e depois, como essas três facções se reduziram a
duas, como era antes, e de que modo elas se faziam guerra; aí vemos também a
descrição de Jerusalém, das torres de Hípicos, de Fazael e de Mariana, da
fortaleza Antônia, do Templo, do sumo sacerdote e de várias outras coisas
notáveis: o cerco dessa grande cidade, executado por Tito; as incríveis
amarguras e os atos de valor extraordinários que se praticaram de ambos os
lados; a extrema carestia que afligiu a cidade e as espantosas crueldades dos
facciosos.
O sexto livro apresenta a horrível miséria a que Jerusalém se viu
reduzida: a continuação do assédio com o mesmo ardor que antes; e de que
maneira, depois de um grande número de combates, Tito, tendo forçado o
primeiro e o segundo muros da cidade, tomou e destruiu a fortaleza Antônia e
atacou o Templo, que foi incendiado, não obstante o que esse príncipe tentou
fazer para impedi-lo e como, finalmente, se apoderou de todo o restante.
No sétimo e último destes livros vemos como Tito destruiu Jerusalém,
exceto as torres de Hípicos, de Fazael e de Mariana; a maneira como louvou e
recompensou seu exército; os espetáculos que deu ao povo da Síria, as horríveis
perseguições feitas aos judeus em várias cidades; a incrível alegria com a qual o
imperador Vespasiano e Tito, que tinha sido declarado César, foram recebidos
em Roma e seu soberbo triunfo; a tomada dos castelos de Herodiom, de
Macherom e de Massada, que eram os únicos lugares que os judeus ainda
ocupavam na Judéia, e como os que defendiam esta última mataram-se todos
com suas mulheres e filhos.
Eis, em geral, o que contém a História da Guerra dos judeus contra os
Romanos: não há ornamentos com que esse grande personagem não a tenha
enriquecido. Ele não perdeu nenhuma ocasião de embelezá-la, com descrições
admiráveis de províncias, de lagos, de rios, de fontes, de montanhas, de
diversas raridades e de edifícios, cuja magnificência passaria por uma fábula,
se o que ele diz pudesse ser posto em dúvida. Mas vemos que ninguém houve
que ousasse contradizê-lo, embora a excelência de sua história tivesse
suscitado contra ele tanta inveja.
Podemos dizer com verdade que, quer ele fale da disciplina dos Romanos
na guerra, quer descreva os combates, as tempestades, os naufrágios, a
carestia ou o triunfo, tudo aí é de tal modo perfeito, que ele se torna senhor da
atenção de todos os que o lêem. Eu não tenho receio de acrescentar, que
nenhum outro, sem excetuarmos Tácito, lhe foi superior nos discursos, tão
nobres eles são, fortes, persuasivos, sempre presos ao assunto e
proporcionados às pessoas que falam e às quais se fala.
Podemos louvar também o juízo e a boa fé desse verdadeiro historiador,
pelo equilíbrio que ele conserva entre os louvores que os romanos merecem por
terem terminado tão grande guerra e os que são devidos aos judeus, por tê-la
sustentado, embora vencidos, com indômita coragem, sem que seu reconheci-
mento pelos favores que devia a Vespasiano e a Tito, nem seu amor pela pátria,
o tenham feito pender contra a justiça mais do lado de uns do que de outros.
Mas, o que eu encontro nele de mais estimável é que ele não deixa, em
todos os fatos, de louvar a virtude, de estigmatizar o vício e de fazer reflexões
excelentes sobre o adorável proceder de Deus e sobre o temor que devemos ter
de seus juízos rigorosos.
Podemos afirmar com sinceridade que jamais se viu um exemplo maior
que o da ruína dessa ingrata nação, dessa soberana cidade e desse augusto
Templo, pois que ainda que os romanos fossem os senhores do mundo e esse
cerco tenha sido obra de um dos maiores príncipes de que eles possam
vangloriar-se em ter tido por imperador, o poder desse povo vitorioso sobre
todos os outros e o heróico valor de Tito lhe teriam, em vão, formado o desígnio,
se Deus não os tivesse escolhido para executores da justiça.
O sangue de seu filho derramado pelo mais horrível de todos os crimes foi
a única causa verdadeira da ruína dessa infeliz cidade. Foi a mão de Deus que
pesou sobre o infeliz povo; que, apesar da terrível guerra que o acossava de
fora, era ainda internamente muito mais espantosa, pela crueldade daqueles
judeus desnaturados, mais semelhantes a demônios do que a homens. Eles
fizeram perecer pelas armas e pela horrível carestia de que eles eram os autores
um milhão e cem mil pessoas, e reduziram o restante a não poder esperar a
salvação a não ser dos próprios inimigos, lançando-se nos braços dos romanos.
Efeitos tão prodigiosos da vingança pela morte de Jesus poderiam passar
por incríveis aos que não têm a felicidade de ser iluminados pela luz do
evangelho, se não fossem referidos por um homem, dessa mesma nação, tão
ilustre como Josefo, pelo seu nascimento, pela sua condição de sacerdote e pela
sua virtude. Claro, parece-me, que Deus querendo se servir do seu testamento
para autorizar verdades tão importantes, conservou-o por um milagre, quando,
depois da tomada de jotapate, dos quarenta que se haviam retirado com ele
numa caverna, foi lançada a sorte, tantas vezes, para se saber quais seriam os
que deveriam ser mortos primeiros. Ele e um outro, somente, ficaram com vida.
Isso mostra que devemos dar a esse historiador uma posição bem
diferente do que a todos os demais, pois, enquanto eles abordam
acontecimentos humanos, embora dependentes das ordens da divina
providência, parece que Deus lançou seus olhos sobre ele para fazê-lo servir ao
maior dos seus desígnios.
Não devemos considerar somente a ruína dos judeus como o mais
espantoso efeito da justiça de Deus e a imagem mais terrível da vingança que
ele exercerá no último dia, contra os réprobos. Devemos também considerá-la
como uma das provas mais brilhantes que lhe aprouve dar aos homens acerca
da divindade de seu filho, pois tão prodigioso acontecimento tinha sido predito
por JESUS CRISTO, em termos precisos e claros. Ele tinha dito aos seus
discípulos, mostran-do-lhes o Templo de Jerusalém, que todos aqueles grandes
edifícios seriam de tal modo destruídos que não ficaria pedra sobre pedra. Ele
lhes havia dito que quando vissem as armas rodear Jerusalém deviam saber
que sua desolação estaria próxima (Mc 1 3.2; Lc 19.44; 21.20; 21.23,24).
Ele tinha notado em particular as espantosas circunstâncias dessa
desolação: Ai, disse Ele, das mulheres que estiverem grávidas ou tiverem
crianças de peito, naqueles dias, pois esse país será oprimido por males e a
cólera do céu cairá sobre esse povo. Eles passarão pelo fio da espada; serão
levados escravos para todas as nações e Jerusalém será calcada aos pés pelos
gentios.
Por fim, Ele tinha declarado que o efeito dessas profecias estava prestes a
acontecer; que o tempo se aproxima (Mt 23.33) e mesmo que aqueles que eram
do seu tempo poderiam vê-lo. Eu vos digo, em verdade, disse ele, que tudo
isso virá acontecer sobre essa raça que existe hoje (Mt 23.36).
Todas estas coisas tinham sido preditas por JESUS CRISTO e escritas
pelos evangelistas, antes da revolta dos judeus, e quando não havia ainda
nenhuma probabilidade de tão estranha mudança.
Assim como a profecia é o maior milagre e a maneira mais poderosa com
que Deus autoriza a sua doutrina, essa profecia de JESUS CRISTO, à qual
nenhuma outra é comparável, pode ser o encerramento e término das provas
que deram a conhecer aos homens a sua missão e origem divina, pois nenhuma
outra jamais foi tão pontualmente realizada. Jerusalém foi destruída por
completo pelo primeiro exército que a sitiou e não ficou o menor vestígio
daquele soberbo Templo, admiração do universo e objeto de orgulho dos judeus,
e os males que os oprimiram correspondem claramente a essa terrível predição
de JESUS CRISTO.
Mas, para que tão grande acontecimento pudesse servir também de aviso
aos que deviam ainda nascer no correr dos tempos, como aos que dele foram
espectadores, era além disso necessário, como eu já disse, que a história fosse
escrita por uma testemunha fidedigna. Para isso, era necessário que fosse um
judeu e não um cristão, para que dele não se pudesse suspeitar, de ter anexado
os fatos às profecias. Era ainda necessário que fosse uma pessoa de alto nível
social, a fim de que estivesse a par de tudo. Era necessário que tivesse visto
com os próprios olhos tantas coisas prodigiosas que deveria relatar, a fim de
que se lhe pudesse dar fé. Por fim, era preciso que fosse um homem capaz de
corresponder, pela grandeza de sua eloqüência e de sua inteligência, à
magnitude de tal assunto.
Todas essas qualidades exigidas para tornar esta história perfeita, em
todos os seus particulares, encontram-se em Josefo, o que torna evidente que
Deus o escolheu para convencer a todos os entes racionais da verdade desse
maravilhoso acontecimento.
E certo que não parece que tendo contribuído dessa maneira à divulgação
do evangelho, ele tenha aproveitado, nem tenha tomado parte nas graças que se
difundiram no seu tempo, com tanta abundância, sobre toda a terra. Mas se
nisso temos motivo de lastimar a sua infelicidade, temos também motivo de
abençoar a providência de Deus, que fez servir sua cegueira ao nosso bem, pois
as coisas que ele escreveu de sua pátria, com relação aos incrédulos são incom-
paravelmente mais fortes para a consolidação da fé cristã do que se ele tivesse
abraçado o cristianismo. Assim, podemos dizer dele, em particular, o que o
apóstolo diz de todos os judeus: Que sua infelicidade enriqueceu o mundo com
os tesouros da fé e que sua pouca luz serviu para iluminar todos os povos:
Delictum corum divitae sunt mundi et diminutio eorum divitae gentium (Rm
11.12).
A segunda obra de Josefo, contida neste segundo volume, além de sua
vida, escrita por ele mesmo, é uma resposta dividida em dois livros, ao que Ápio
e outros tinham escrito contra sua história dos judeus, contra a antigüidade de
sua descendência, contra a pureza de suas leis e contra o proceder de Moisés.
Nada pode ser mais forte do que esta resposta. Josefo prova irrefutavelmente a
antigüidade de sua nação, pelos historiadores egípcios, fenícios, caldeus e mes-
mo pelos gregos. Ele mostra que tudo o que Ápio e esses outros autores alega-
ram em desabono dos judeus são fábulas ridículas, tal como a pluralidade de
seus deuses, e revela de maneira admirável a grandeza dos feitos de Moisés e a
santidade das leis que Deus entregou aos judeus por seu intermédio.
O martírio dos macabeus vem em seguida. É um trabalho que Erasmo,
tão célebre entre os sábios, chama de obra-prima de eloqüência: confesso que,
não compreendo como, tendo dela com razão uma opinião tão vantajosa, ele a
parafraseou e não a introduziu. Jamais cópia saiu mais diferente do original.
Apenas sp reconhecem alauns dos seus traços principais e se eu não me
engano, nada pode elevar mais a fama de Josefo, do que sendo ele tão hábil,
tendo querido embelezar sua obra, ao contrário, tanto lhe diminuiu a beleza.
Mostra também como devemos apreciar Josefo porque não escreve como quase
todos os gregos, de maneira muito extensa, mas com um estilo conciso, afirma
que só quer dizer o necessário.
Muito me admiro de que não se fez até agora nenhuma tradução desse
martírio, a partir do grego, quer para o latim, quer para o francês, pelo menos
que tenha chegado ao meu conhecimento. Genebrard, em vez de traduzir
Josefo, traduziu Erasmo. Eu me limitei fielmente ao original grego, sem seguir
em absolutamente, esta paráfrase de Erasmo, o qual inventa nomes que não
estão, nem em Josefo, nem na Bíblia, para dá-los à mãe dos macabeus e a seus
filhos. Parece que Josefo só relata esse célebre martírio, autorizado pela
Escritura Sagrada, para provar a verdade das palavras que escreveu no
princípio, cujo fim é mostrar que a razão é a senhora das paixões; ele lhe
atribui um poder sobre elas, de que haveria motivo de se admirar, se fosse
estranho que um judeu ignorasse que esse poder só pertence à graça de JESUS
CRISTO. Ele contenta-se em dizer que só entende falar da razão acompanhada
de justiça e de piedade.
Assim, todas as obras de Josefo estão compreendidas nestes dois
volumes, que eu determinei traduzir. Fílon, embora judeu como ele, também
escreveu em grego sobre uma parte do mesmo argumento, mas que ele trata
como filósofo e não como historiador; entre seus escritos, que são tão
apreciados, nenhum o é mais, do que aquele que descreve sua embaixada ao
imperador Caio Calígula, de que Josefo fala com elogio no capítulo 10 do livro
18 de sua história dos judeus.
Julguei que esse trabalho, tendo tanta relação com ele, nos daria muito
prazer, vermos pela tradução que eu fiz, a maneira diferente de escrever desses
dois grandes personagens. A de Josefo é sem dúvida muito mais breve e não
tem nada do estilo asiático, que muitas vezes me obrigou a dizer em poucas
palavras o que Fílon diz em muitas linhas. Poderíamos escrever a história deste
imperador, unindo o que estes dois célebres autores escreveram, pois Fílon
aborda tão particular e eloqüentemente os feitos de sua vida, como Josefo
nobre e excelentemente escreveu sobre o que se passou em sua morte. Uma e
outra foram tão extraordinárias que convém se conservem tais imagens, para a
posteridade, a fim de animar cada vez mais os bons príncipes a merecer, por
sua virtude, tanto amor por sua memória, quanto de horror se sente por
aqueles que se mostraram indignos da posição que ocupam no mundo.
Uma exposição muito longa obriga a grande atenção, porque não se sabe
onde descansar; por isso dividi em capítulos este tratado de Fílon, os dois livros
de Josefo contra Ápio e o martírio dos macabeus, onde não havia nenhum.
Quanto à história da guerra dos judeus contra os romanos, eu não segui nos
livros e nos capítulos a divisão de Rufino, que encontramos nas publicações
bilíngües, gregas e latinas, porque me pareceu ruim. Mas limitei-me, como fez
Genebrard, à das publicações gregas, que são sem dúvida muito melhores.
Nada mais me resta a acrescentar; como estes dois volumes compreendem
toda a antiga história sagrada, desejo que não sejam lidos apenas por diverti-
mento e por curiosidade, mas que se procure aproveitar, pelas considerações
úteis de que fornecem tanta matéria. Foi esse o motivo que me levou a
empreender esta tradução; do contrário, ela ter-me-ia, aos oitenta anos, feito
empregar em vão muito tempo e dar-me muito trabalho numa idade na qual só
devemos pensar em nos preparar para a morte.
O tradutor",