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Livro Decimo Nono Flávio Josefo

Capítulo 6 Flávio Josefo

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"CARTA DE PETRÔNIO, GOVERNADOR DA SÍRIA, AOS DÓRIOS, ACERCA DA
ESTÁTUA DO IMPERADOR QUE ELES COLOCARAM NA SINAGOGA. O REI
AGRIPA ENTREGA O SUMO SACERDÓCIO A MATIAS.
MARCOS É CONSTITUÍDO GOVERNADOR DA SÍRIA.",
"820. Petrônio, governador, por Tibério Cláudio César Augusto
Germânico, aos magistrados dórios. Eu soube que, após o edito de Cláudio
César Augusto Germânico, que permite aos judeus viver segundo as suas leis,
alguns dos vossos tiveram a insolência de profanar a sua sinagoga, colocando
lá uma estátua. Eles ofenderam também à sua religião e à piedade da
imperador, que deseja que cada divindade seja honrada no Templo que lhe for
consagrado. A esse respeito não falarei do desprezo que se fez de minhas
ordens, porque nisso se feriu até mesmo o respeito devido à autoridade de
César, que não somente estima que os judeus observem os costumes de seus
antepassados como ainda lhes concedeu um direito de burguesia semelhante
ao dos gregos. Por isso, ordenei ao comandante Vitélio Próculo que me traga
aqueles que dizem que foi por uma agitação popular e sem o vosso
consentimento que se cometeu esse crime, a fim de que eu escute as suas
justificativas. E não podereis dar-me testemunho melhor de que em nada
tivestes parte que declarando a Próculo quem são os culpados e impedindo que,
contra o desígnio do rei Agripa e o meu, aconteça alguma outra perturbação,
como os espíritos perversos desejariam. Porque para mim e para o rei Agripa
nada é mais importante que evitar que se dê aos judeus um motivo para
tomarem armas com o pretexto de se defender. E, para eliminarmos toda
possibilidade de dúvida quanto à vontade do imperador, anexo a esta carta a
cópia de seu edito, que se refere aos habitantes de Alexandria e que o rei Agripa
nos mostrou quando estávamos em nosso tribunal, a fim de que, conforme o
desejo do imperador de que os judeus sejam mantidos nos favores que Augusto
lhes concedeu e que todos vivam segundo a religião de seu país, impeçais tudo
o que possa instigar alguma perturbação ou revolta.
Esse sensato procedimento de Petrônio remediou a falta que se havia
cometido, e por causa disso não mais se cometeram outras semelhantes.
821. O rei Agripa, depois disso, tirou o sumo sacerdócio de Simão Cantara
e entregou-o a Jônatas, filho de Anano, julgando-o mais digno dele. Mas ele
rogou que o rei o dispensasse do cargo, expressando-se nestes termos: Sou-vos
muito grato por me desejardes conceder tanta honra, mas Deus não me julga
digno dela. É-me suficiente já haver recebido uma vez a veste sagrada, e eu não
poderia agora retomá-lo tão inocentemente como fiz outrora. SeVossa Majestade
desejar conceder essa dignidade a uma pessoa que a merece muito mais que eu
e cuja virtude seria muito mais agradável a Deus, eu não hesitaria em vos
propor o meu irmão. Essa resposta tão modesta comoveu Agripa de tal modo
que ele deu o sumo sacerdócio a Matias, irmão de Jônatas. Algum tempo
depois, Marcos sucedeu a Petrônio no governo da Síria.",