Livro Decimo Nono Flávio Josefo
Capítulo 2 Flávio Josefo
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"OS SOLDADOS DELIBERAM ELEVAR CLÁUDIO, TIO DE CAIO, AO TRONO DO
IMPÉRIO. DISCURSO DE SATURNINO NO SENADO EM FAVOR DA LIBERDADE.
CHEREAS MANDA MATAR A IMPERATRIZ CESÔNIA, MULHER DE CAIO, E
SUA FILHA. BOAS E MÁS QUALIDADES DE CAIO. OS SOLDADOS RESOLVEM
CONSTITUIR CLÁUDIO IMPERADOR E LEVAM-NO AO CAMPO. O SENADO
ENVIA DEPUTADOS PARA ROGAR-LHE QUE DESISTA DESSA INTENÇÃO.",
"799. Enquanto o senado deliberava, os soldados, por seu lado, também
trocavam idéias. Consideradas todas as coisas, pareceu-lhes que, se o governo
popular fosse restabelecido, seria incapaz de sustentar o peso da direção de
tantos reinos e províncias. E, mesmo que fosse possível, eles não teriam
nenhuma vantagem. Além disso, se acontecesse de algum dos principais do
senado ser eleito imperador sem que eles tivessem contribuído para elevá-lo a
esse supremo grau de honra, seriam considerados inimigos.
Assim, julgando que nenhum outro era tão merecedor, escolheram
Cláudio, tanto pela nobreza da origem, pois era tio de Caio, quanto pela
maneira nobre como fora educado. E, convictos de que ele lhes demonstraria a
sua gratidão com benefícios proporcionais à obrigação de que lhes seria
devedor, resolveram ir buscá-lo em sua casa. Gneu Sentio Saturnino disso teve
ciência no senado e, julgando que não havia tempo a perder, para demonstrar
virtude e coragem, ergueu-se como se fora impelido por alguém — mas na
verdade era por iniciativa própria — e falou com uma ousadia digna dos
grandes homens que fizeram brilhar por toda a terra a glória da generosidade
romana.
Ele disse: Estamos vendo, por fim, senhores, após uma servidão de
tantos anos, despontar hoje, contra toda a esperança, a nossa liberdade. É
verdade que não sabemos o quanto há de durar, porque depende da vontade de
Deus a sua conservação, depois de Ele no-la conceder. Mas, ainda que tão
grande ventura logo desapareça, não devemos deixar de estimá-la, pois não há
homem de coragem que não sinta alegria em viver livre, num país livre, e
desfrutar pelo menos durante algumas horas a doçura que nossos
antepassados gozavam nos séculos em que a república florescia em todo o seu
esplendor. Como nasci após essa liberdade haver sido suprimida, não vi esse
tempo feliz, quando se estudavam as letras e se era treinado nos exercícios que
podem formar o espírito e erguer o ânimo. Assim, tudo o que posso fazer é
manifestar o meu amor por aquela que hoje se nos apresenta. Eis por que julgo
que, abaixo dos deuses imortais, não há honra que não devamos tributar
àqueles cuja generosidade e virtude nos fizeram rever a luz tão doce da
liberdade. Pois, mesmo que a desfrutássemos durante um só dia, não seria isso
para cada um de nós um grande bem? Para os velhos, porque morreriam sem
tristeza, após uma mudança tão inesperada. Para os jovens, porque é para eles
um exemplo que não poderiam deixar de imitar sem degenerar da virtude de
seus antepassados, pois somente por meio de ações virtuosas podemos
conquistar a liberdade. Das coisas passadas, posso falar apenas por referências
de outros, mas as que vi não me permitem ignorar os males causados pela
tirania. Sei que ela faz guerra aberta à virtude e não tolera os que possuem
coragem e mérito, infunde o medo nos espíritos e leva-os à covarde bajulação,
pois é quando não se administra mais pelas leis, e sim pelo humor do príncipe.
Depois que Júlio César, calcando aos pés a ordem tão religiosamente observada
por nossos pais, estabeleceu a sua injusta monarquia sobre as ruínas da
República, não há calamidade que não tenha afligido a cidade de Roma. Os que
a ele sucederam no soberano poder demonstraram também não ter outro
propósito senão subverter a antiga disciplina. E, como só acreditavam que
encontrariam segurança entre homens dispostos a cometer toda espécie de
crimes para lhes obedecer, não há meios bárbaros de que não se tenham
servido para oprimir as pessoas mais ilustres e mesmo para lhes tirar a vida.
Entre esses intoleráveis senhores que nos fizeram gemer sob tão tirânica
dominação, Caio podia vangloriar-se de superar a todos, pois não exercitava o
seu furor apenas sobre os nossos cidadãos, mas também sobre os parentes e
amigos, e não era menos ímpio para com os deuses. Pois é próprio dos tiranos
não se contentarem em ser avaros, voluptuosos e soberbos. O seu maior prazer
é exterminar os inimigos, e eles consideram como tais todos os que têm alma
nobre. Nenhuma ponderação é capaz de os acalmar, pois, sabendo o quanto são
odiosos aos que lhes estão sujeitos, acham que não se conservarão em
segurança senão oprimin-do-os de tal modo que eles não possam livrar-se de
tantas misérias. Agora, então, que disso nos livramos, com a vantagem de só
dependermos de nós mesmos, a nossa união presente pode gerar segurança
para o futuro. Quem nos impede de reerguer a glória de Roma e dar à República
o seu antigo brilho e o primeiro esplendor? Podemos falar com liberdade contra
as desordens e propor sem perigo tudo o que julgamos mais vantajoso para o
bem público, pois sacudimos o jugo desses senhores prepotentes. Lembremo-
nos de que nada favoreceu tanto a tirania em seu início quanto a covardia
daqueles que a ela não se ousaram opor e que foram essa fraqueza e a
mesquinhez de se preferir, como escravos, uma vida vergonhosa a uma morte
honrosa que lançaram Roma neste abismo de infinitos males. Mas antes de
todas as coisas, senhores, prestemos a honra devida aos que nos libertaram da
escravidão, particularmente a Chereas, cujo proceder e cujo braço, com o
auxílio dos deuses, nos deram a liberdade. Que recompensa não merece receber
daqueles pelos quais não receou se expor a tal perigo? Ele tem mesmo
vantagem sobre Bruto e Cássio, cuja virtude imitou, pois, enquanto a ação
daqueles foi seguida de uma guerra que perturbou todo o império e o mundo
inteiro, este, pela morte de um só homem, libertou-nos de todos os males.
O discurso de Saturnino foi ouvido com grande prazer por todos os sena-
dores e cavaleiros presentes, e o ardor com que falou o fez esquecer de que
trazia no dedo um anel, onde havia uma pedra na qual estava gravada a
imagem de Caio. Trebélio Máximo arrancou-o então, e no mesmo instante a
pedra foi feita em pedaços.
800. A noite já ia adiantada, e Chereas pediu a senha aos cônsules. E eles
a deram: Liberdade. E não se cansavam de se rejubilar por haverem tornado a
entrar no gozo daquele sinal de sua antiga autoridade. Chereas em seguida deu
a senha aos oficiais de quatro coortes, os quais, preferindo a dominação
legítima à tirania, haviam abraçado o partido do senado.
801. Pouco depois, o povo, por efeito da inconstância que lhe é peculiar,
externou muita alegria pela esperança de reconquistar, com a liberdade, o
poder que outrora havia desfrutado, e Chereas tornou-se deles muito estimado.
802. Como chefe do empreendimento que acabava de mudar a face do
império, Chereas, julgando que haveria sempre motivo de temor enquanto
existisse alguém da família de Caio, ordenou a Júlio Lupo, um dos oficiais da
guarda, que fosse matar a imperatriz Cesônia e sua filha. Ele foi escolhido
porque tinha parentesco com Clemente e também porque havia participado da
conspiração. Alguns acharam crueldade assassinar uma mulher como se ela
fosse culpada do sangue dos ilustres romanos que Caio — e ele somente, em
seu furor — mandara derramar. Outros diziam, ao contrário, que ela era a
causa principal dos males do império, pois fizera Caio tomar uma bebida, a fim
de prendê-lo pelo amor, e a poção lhe perturbara o juízo. Por isso deviam
considerá-la culpada de haver ministrado um veneno mortal a muitas pessoas
de eminente virtude.
Esse último sentimento prevaleceu, e Lupo partiu para matá-la.
Encontrou Cesônia estendida por terra, junto ao corpo do marido — o qual
estava privado de tudo, até mesmo do que não se recusa aos mortos — e
manchada com o sangue que corria de suas feridas. A filha estava ao lado dela
e a ouvia queixar-se amargamente de que Caio não quisera atender aos seus
muitos avisos. Essas palavras foram e são ainda hoje diversamente
interpretadas. Uns acreditam que ela queria dizer que havia aconselhado o
imperador seu marido a mudar de proceder, adotando um estilo mais
moderado, a fim de reconquistar o afeto dos romanos e para não levá-los, pelo
desespero, a atentar contra a sua vida. Outros, ao contrário, julgam que essas
palavras significavam que, tendo ouvido alguma notícia da conspiração, ela
havia insistido com ele para que matasse imediatamente todos os
conspiradores.
A princesa, oprimida pela dor, julgava que Lupo viera ver o corpo do
marido. Disse-lhe então, com lágrimas, suspirando, que se aproximasse um
pouco mais. Mas quando percebeu que ele não respondia, não teve dificuldade
para compreender o motivo que o trouxera ali. Deplorando a própria condição,
apresentou-lhe o pescoço e insistiu que se consumasse logo o último ato
daquela sanguinolenta tragédia. Esperou em seguida o golpe de morte com
fortaleza admirável. Sua filha, que era ainda apenas uma criança, foi morta
depois dela.
803. Foi esse o fim de Caio, após reinar durante três anos e oito meses.
Ele já havia demonstrado, mesmo antes de ser imperador, o quanto era brutal,
malvado, voluptuoso, protetor dos caluniadores, covarde e, por conseguinte,
cruel. Considerava a maior vantagem da autoridade soberana poder abusar
dela contra os inocentes e enriquecer-se com os despojos deles depois de os
fazer injustamente perder a vida. Não podia tolerar que o considerassem apenas
um homem, mas desejava loucamente ser reverenciado como um deus e
vangloriava-se das tolas bajulações do povo. O freio que as leis e a virtude
impõem às paixões desregradas era-lhe insuportável. Não havia amizade, por
maior ou mais antiga que fosse, que lhe pudesse impedir de manchar as mãos
no sangue, quando encolerizado. Todos os homens de bem passavam em seu
espírito por inimigos.
Por mais injustas que fossem as suas ordens, queria que fossem
executadas imediatamente, sem a menor oposição. E, dentre os tantos vícios
que o tornaram odioso, aquela abominável impudicícia, inaudita até então, que
o levou a cometer incesto com a própria irmã, tornou-o detestável a todos.
Durante o seu reinado, nada empreendeu de importante ou magnífico ou de
que o império pudesse haurir alguma vantagem, exceto alguns portos e cais
perto de Régio e na Sicília, para receber os navios que traziam trigo do Egito
para a Itália, e que eram sem dúvida muito úteis ao povo. Ainda assim, eles não
foram terminados, tanto pelo desleixo daqueles aos quais ele dera tal
incumbência quanto porque ele preferia empregar o dinheiro em despesas vãs,
entregando-se mais ao prazer que à realização de obras dignas de um grande
imperador, que iria preferir o bem de seus súditos à sua satisfação particular.
Quanto ao resto, era muito eloqüente, muito instruído nas letras gregas e
romanas e compreendia facilmente todas as coisas. Respondia imediatamente
aos questionamentos que lhe eram feitos, e, mesmo nos assuntos mais
importantes, ninguém mais que ele era capaz de incutir o que empreendia
sustentar, porque possuía uma grande inteligência e se havia preparado para
não ser inferior a Germânico, seu pai, nem a Tibério, o qual a esse respeito
excedia a todos os outros e tomara grande cuidado em instruí-lo. Mas essa boa
educação não o impediu de perder-se quando subiu ao trono, pois é difícil para
aquele que detém um poder absoluto conter a própria maldade. No começo de
seu reinado, ele tinha como amigos pessoas de grande mérito, que o estavam
levando a ações que lhe poderiam granjear boa reputação e glória. Mas ele os
afastou pouco a pouco e, quando se abandonou a uma licenciosidade
desenfreada, sentiu de tal modo aversão por eles que não teve vergonha de
empregar os meios mais infames para causar-lhes a morte e satisfazer assim a
sua ingratidão e crueldade.
804. Devemos agora falar de Cláudio, que, como dissemos, ia adiante de
Caio quando este saía do teatro. Sabendo da morte do imperador e vendo
aquela grande perturbação, ele foi esconder-se num canto muito escuro do
palácio. No entanto, nenhum outro motivo senão a grandeza de sua origem lhe
provocava temor, pois ele vivera até ali como um cidadão comum e procedera
sempre com muita modéstia. Longe do barulho e do tumulto, ocupava-se com o
estudo, principalmente dos autores gregos, sem se imiscuir de maneira alguma
na política.
A confusão, todavia, aumentava cada vez mais. O palácio estava cheio de
soldados, que corriam para todos os lados com furor, sem saber o que queriam,
e o povo também para lá acorria em massa. Então os guardas pretorianos, que
estavam na primeira linha entre os soldados, se reuniram para deliberar sobre
o que deviam fazer. A morte do imperador não lhes causava pesar, até achavam
que ele bem a havia merecido, mas pensavam em tomar resoluções que lhes
fossem vantajosas. Quanto aos alemães, não era a consideração do bem público
que os incitava contra os que haviam assassinado Caio, e sim a própria paixão.
O temor de Cláudio aumentou quando ele viu as cabeças de Asprenas e
dos outros que os bárbaros haviam sacrificado à sua vingança. Manteve-se em
seu esconderijo, onde só se podia chegar subindo alguns degraus. Um dos
guardas do imperador, de nome Grato, avistou-o, mas, por causa da escuridão,
não pôde reconhecê-lo, por isso aproximou-se e ordenou-lhe que saísse dali.
Cláudio não quis obedecer. O guardou tirou-o à força e então o reconheceu,
gritando aos companheiros: Eis aqui Germânico.* Façamo-lo imperador. Ante
essas palavras, o guarda o agarrou, para levá-lo, e Cláudio pensou que iria ser
morto, em razão do ódio à memória de Caio. Assim, rogou-lhe que considerasse
a sua inocência e lembrasse que ele não tivera absolutamente parte no que
havia acontecido. Grato, nesse momento, tomou-o pela mão e, sorrindo, disse-
lhe: Não tenhais receio pela vossa vida, mas pensai apenas em demonstrar
uma coragem digna do império, pois os deuses, cansados dos males que Caio
causou a toda a terra, oferecem-no hoje à vossa virtude. Portanto, subi
gloriosamente ao trono de vossos antepassados.
Enquanto Grato falava, um grande número de soldados da guarda
pretoriana reuniu-se em torno dele. O combate violento que se travara em seu
coração entre o temor e a alegria não lhe permitia sequer caminhar, e então eles
o carregaram nos ombros. Muitos, vendo-o naquele estado, julgaram que iam
matá-lo. E, como sabiam que ele jamais havia tomado parte em coisa alguma e
até mesmo algumas vezes correra perigo de vida sob o reinado de Caio, ficaram
consternados pela sua desdita e protestaram, dizendo que competia aos
cônsules julgá-lo. À medida que os soldados caminhavam, outros reuniam-se a
eles, que continuavam a levar Cláudio, porque os que carregavam a liteira,
julgando-o perdido ao vê-lo ser agarrado, haviam fugido. O povo abria caminho
àquela multidão de soldados que enchia o palácio, o qual dizem estar na parte
mais antiga de Roma.
Um número maior de soldados uniu-se ainda a eles, e a alegria deles por
ver Cláudio foi tão grande que disseram estar dispostos a tudo para elevá-lo ao
trono do império, quer pelo amor e respeito que conservavam à memória de
Germânico, seu pai, quer porque não ignoravam os males que a ambição
desmedida dos maiorais do senado havia causado quando este ainda possuía
autoridade. Crendo que era impossível restaurar aquela forma de governo,
tinham de eleger um imperador, e importava escolher alguém que lhes ficaria
devendo obrigação. Cláudio, portanto, ser-lhes-ia devedor daquele alto cargo,
com todas as suas honras, e, como recompensa, não haveria favor que ele não
lhes devesse conceder ou que não pudessem esperar dele. Depois que assim
deliberaram, comunicaram a sua opinião aos que se haviam juntado a eles, e
todos puseram-se de acordo num único desígnio: colocaram Cláudio no meio
deles e o levaram ao acampamento para concluir aquele assunto
importantíssimo sem que ninguém os pudesse impedir.
* Josefo chama Cláudio de Germânico, porque o imperador era filho de
Germânico.
805. Enquanto isso se passava, o senado e o povo experimentavam senti-
mentos opostos. Aquele, vendo-se livre da servidão dos tiranos, queria retomar
a antiga autoridade. Este, invejando-lhe essa honra, considerava o poder impe-
rial um freio aos excessos dos políticos mais arrojados e uma proteção contra
as suas violências. Por isso, regozijava-se com a resolução tomada pelos
soldados em favor de Cláudio e esperava, por seu intermédio, evitar a guerra
civil e os outros males que Roma sofrerá nos tempos de Pompeu.
806. O senado, logo que soube do que acontecia no acampamento,
mandou dizer a Cláudio que não aceitasse ser eleito imperador pela violência;
que deixasse o senado cuidar do governo e escolhesse alguém dentre eles, o
qual, com a consistência dos outros senadores, agiria conforme as leis, no que
se referia ao bem público; que ele recordasse os males que haviam afligido a
cidade de Roma durante a dominação do tiranos e os perigos que ele mesmo
correra sob o reinado de Caio; que seria estranho ele, após condenar a tirania
nos outros, querer, por ambição, recolocar a sua pátria sob o jugo insuportável
do qual acabava de ser libertada; que ele, ao contrário, se concordasse em
acatar os sentimentos do senado e em viver como antes, demonstrando a
costumeira virtude, receberia as maiores honras, porque elas lhe seriam
prestadas voluntariamente e por pessoas livres; que, sujeitando-se às leis,
obteria os louvores que bem merecem os homens de virtude; e que, caso ele não
considerasse o que acontecera a Caio e perseverasse em seu intento, o senado
estava resolvido a fazer-lhe oposição, pois, além do grande número de soldados
que este possuía, poderia ainda armar uma grande quantidade de escravos,
embora a sua confiança principal repousasse no socorro dos deuses, que
sempre auxiliam os que combatem pela justiça — e nada era mais justo que
defender a liberdade de seu país.
Verânio e Brocco, os tribunos enviados como embaixadores, depois de
falar a Cláudio, puseram-se de joelhos diante dele e suplicaram-lhe que não
lançasse Roma numa guerra civil. E, vendo-o rodeado por uma multidão de
soldados incomparavelmente mais numerosa que os partidários dos cônsules,
rogaram-lhe, uma vez que estava resolvido a subir ao trono, que ao menos
consentisse em recebê-lo das mãos do senado, pois era mais razoável e ser-Ihe-
ia mais vantajoso ser elevado ao soberano poder por um consentimento geral
que pela violência.",